O Senso Comum e a História do Inconsciente


Doodle homenageando Sigmund Freud, mostrando seu rosto como se fosse a superfície de um iceberg.Hoje é o aniversário de Sigmund Freud. Há 160 anos – no dia 6 de maio de 1856 – nascia o homem que seria conhecido como sendo o pai da Psicanálise. Não só sua teoria, mas ele também são conhecidos por muitas ideias e muitos conceitos e, principalmente, muitas descobertas e invenções. A importância de Freud é tanta que até o Google o homenageou no dia de hoje, com o Doodle.

Freud é conhecido não só pela teoria psicanalítica, mas também pela prática psicoterapêutica associada com a psicanálise. Alguns dos conceitos que ele desenvolveu incluem o Narcisimo, o Complexo de Édipo, Recalque, a importância da sexualidade na vida do sujeito, Pulsões de Vida e de Morte, Id, Ego e Superego – conhecida como a segunda tópica – e até pela organização psíquica nas estruturas do Consciente, Pré-consciente e Inconsciente. Mas uma coisa que ele não fez foi sugerir o que chamamos de “Metáfora do Iceberg”, que compara o inconsciente à parte submersa de um iceberg. Quem fez isso foi Gustav Theodor Fechner.

Continue Reading >>

PsicoLog Podcast 09 – Houve um 29 de Abril


PsicoLog Podcast 09 - Houve um 29 de AbrilNo dia 29 de abril de 2015, em Curitiba, um grupo de funcionários públicos se manifestava contrários a uma ação do governo de utilizar o plano de previdência privada dos funcionários. E nesse dia, esses funcionários foram recebidos pela polícia militar em uma situação de combate. Das várias pessoas que estavam presentes e tiveram suas vidas transformadas, Claudio Franco foi um deles. E neste episódio do PsicoLog Podcast tento mostrar o que ocorreu nesse dia fatídico através do relato de Cláudio, que também é psicólogo e agente penitenciário. Ao invés de vermos jogos políticos, decisões arbitrárias, força desmedida, vamos compreender os passos de um homem que saiu do campo e se construiu profissional na capital e como as escolhas não só dele, mas de várias outras pessoas, levaram-nos até o dia 29 de Abril de 2015.

Duração: 83 minutos

Comentado no Episódio

Reportagem do El País – http://brasil.elpais.com/brasil/2015/05/01/politica/1430436956_785463.html

Foto do Cláudio Franco durante a manifestação (clique sobre a imagem para ampliar)

ClaudioFranco

Mandem E-mails

Mande e-mails e recados de voz para pablo@deassis.net.br com dúvidas, contribuições, elogios, críticas, perguntas, sugestões e qualquer outra coisa que você queira enviar. Toda mensagem será muito bem-vinda!

 

Assinem o feed

Se você quiser, você pode baixar este e todos os episódios do PsicoLog Podcast  assinando o nosso novo feed pelo seu agregador de feeds favorito, copiando o endereço http://pablo.deassis.net.br/category/podcasts/psicologpod/feed/. Caso você tenha o iTunes instalado e quer assinar diretamente no iTunes, basta clicar neste link:itpc://pablo.deassis.net.br/category/podcasts/psicologpod/feed/.

Assine o Feed do PsicoLog Podcast

Leia o texto original aqui http://pablo.deassis.net.br/

Uma breve reflexão sobre as cotas


CotasDeixe começar dizendo que eu era contra cotas raciais justamente por acreditar na meritocracia. Achava que a questão da faculdade deveria ser centrada na produção de conhecimento e apenas os melhores – independente da origem – deveriam participar. O mesmo deveria servir para o mercado de trabalho, que só deveria selecionar os melhores para cada cargo ou posição. Estudei em colégio americano minha vida toda e aprendi sobre o sistema de cotas dos EUA e achava estranho as ações afirmativas e não via evidências de que elas funcionavam. Inclusive, vi casos de universidades que usavam de ações afirmativas e deixaram de usar, justamente porque não serviam ao propósito desejado. Na maioria das vezes as ações afirmativas acabavam servindo basicamente como publicidade para grupos minoritários, mas isso não refletia na qualidade do ensino.

Eu era contra as cotas. Estudei na UFPR, passei no vestibular por mérito, junto com outros colegas meus. Alguns passaram melhor, outros, pior. Eu cheguei até a passar acima da média, sendo aprovado em 28º de 80 vagas. Mas uma vez dentro da universidade, eu realmente não conseguia perceber a diferença entre o 1º e o 80º colocado no vestibular. Durante minha graduação eu estudei com pouquíssimos colegas negros – e isso que na minha sala não tinha nenhum, somente alguns poucos pardos. Mas ainda assim eu achava que ali estavam os melhores dos melhores. Até ver o resultado disso.

Continue Reading >>

O que Aprendemos com a Mentira


O que aprendemos com a mentira?Desde quado eu assisti ao filme “O Primeiro Mentiroso” (ou “A invenção da Mentira”, The Invention of Lying, 2009) do comediante inglês Ricky Gervais pela primeira vez, tenho pensado bastante sobre a mentira. Não só nas consequências danosas que percebemos quando nos deparamos com uma mentira, mas sim os motivos que levam as pessoas a mentirem. Em outras palavras, por que as pessoas mentem? O mais legal é que a resposta não é a que a gente mais imagina.

Se perguntarmos por aí “Por que as pessoas mentem?” a maioria das respostas que vão nos dar é “porque as pessoas querem enganar” ou “querem ganhar vantagem” ou até mesmo “porque não gostam de você” ou “porque são pessoas más”. Mas isso não são os motivos que levam as pessoas a mentirem. Isso é o que elas ganham ao mentirem. O motivo é outro e é muito mais simples: as pessoas mentem porque foram ensinadas a mentir. Simples assim.

Continue Reading >>

Uma breve reflexão sobre o Narciso Moderno


O Narciso ModernoO mito do Narciso é muitas vezes utilizado para ilustrar o que chamamos – graças à psicanálise – de Narcisismo. Comumente, relacionamos ao narcisismo o mesmo que egoismo ou então preocupar-se muito com a própria imagem. No mito grego, Narciso era um jovem que foi condenado, devido à sua arrogância, a apaixonar-se por sua própria imagem. Só que as pessoas só conhecem o lado de “Narciso era apaixonado por si mesmo” e usam isso para falar a respeito de pessoas que não conseguem ver além dos próprios umbigos, ou daqueles que se prendem muito em suas imagens virtuais nas Redes Sociais.

Só que o mito fala muito mais do que isso e o que o mito complementa sobre Narciso pode muito bem nos ajudar a compreender o Narciso Moderno.

Continue Reading >>

O Direito de Lutar pelo Direito do Outro, ou como falta empatia entre nós


minoriasNunca antes na história mundial, o problema dos direitos das minorias está tão em voga. Alguns dizem que é por conta das políticas sociais do atual governo. Outras, que é por conta da facilidade de comunicação nos tempos atuais, que permite maior visibilidade daqueles que antes estavam escondidos. Eu acredito mais nessa segunda alternativa, principalmente porque estamos tendo acesso aos dilemas de minorias de países que não possuem as mesmas políticas sociais que nós, como o problema dos refugiados na Europa.

O mais interessante é que ─ independente de qual minoria estamos falando ─ o debate sempre se polariza em dois lados: aqueles que são contra a minoria e aqueles que são à favor da minoria. Do lado dos que são contra, basicamente o argumento é sempre o mesmo: dar mais direitos para as minorias coloca em risco os direitos adquiridos da maioria. E do lado dos que são favoráveis, os argumentos sempre variam em torno do eixo humanitário, de ajuda daqueles que precisam ser ajudados. Mas esses dois lados quase sempre esquecem de perceber quais são as necessidades reais dessa minoria.

Continue Reading >>

Determinismo Biológico, Determinismo Social e o Poker


O poker será utilizado como metáfora, para compreendermos a relação entre biologia e sociedadeSemana passada participei de um Anticast sobre Determinismo Biológico X Determinismo Social onde conversei com um biólogo e um médico que defendiam o determinismo biológico e eu e uma arquiteta – junto com o host, um designer – que defendíamos o determinsimo social. Logo no começo da conversa eu disse que, para provocar mais, iria defender argumentos sobre o determinismo social, apesar de já ter defendido um ponto biológico sobre o comportamento humano logo no início. Devo dizer que meus argumentos não foram bem recebidos, talvez por não serem bem compreendidos. Mas também, para esclarecer, não concordo com a visão dicotomizada que apresentei – por mais que reconheça a necessidade de apreender esses argumentos para melhorarmos as nossas críticas.

A disputa entre essas duas visões é, de fato, complexa e controversa. Não existe nenhuma forma de determinarmos com clareza onde termina a influência da biologia e onde começa a da sociedade quando falamos sobre comportamento humano em suas mais variadas formas. Porém, já escrevi aqui a respeito do tema – ao falar sobre sexualidade – defendendo não um lado biológico ou cultural, mas sim uma perspectiva humana e subjetiva. Diante do debate feito no Anticast (que recomendo que ouçam, se possível), gostaria de retomar a discussão, mas desta vez, gostaria de fazê-lo através de uma metáfora, o poker. 

Continue Reading >>

Grupo de Estudos Virtual – a Psicologia do Inconsciente


Carl JungFaz algum tempo iniciei uma prática que há muito queria voltar a fazer: grupos de estudo com meus alunos. Iniciei a estudar assim na época da graduação em psicologia, quando reunia colegas interessados em estudar Psicologia Analítica e liamos juntos alguns textos. Na mesma época, estudava fora da faculdade em cursos direcionados por psicólogos junguianos. Foi nesses estudos que descobri o livro Psicologia do Inconsciente de Carl Jung.

A princípio, esse livro pareceu-me bastante completo, com conceitos pontuais e explicações bastante práticas sobre várias questões referentes à teoria junguiana. Acabei até utilizando várias de suas citações no corpo do meu TCC sobre o feminino sombrio. Mas o melhor desse livro não era nem a facilidade de compreensão de seu texto, mas sim algo que fui descobrir depois de algum tempo de estudar esse texto: ele ilustra claramente a forma de pensamento desse psicólogo suíço. E isso, talvez seja o mais importante a se estudar.

Continue Reading >>

A Culpa não é da Terceirização


Terceirização pode ser a solução e não o problema?E antes que me critiquem, já digo de quem é a culpa: das condições precárias de trabalho que temos – que independem de regime de contrato.

Temos problemas com a terceirização? Claro que sim. Mas temos problemas também com as contratações celetistas – com carteira assinada e todos os direitos garantidos por CLT e convenções sindicais. Mas, ultimamente, muito por conta do projeto de lei 4.330/204, a lei da terceirização, muitas críticas estão sendo feitas à terceirização em si, demonizando essa forma de contrato de trabalho – quando na verdade, o problema é que as condições de trabalho no Brasil e em boa parte do mundo não são as melhores possíveis.

Continue Reading >>

Grupo de Estudos Virtual: Introdução ao Pensamento Junguiano


o-GUSTAV-JUNG-hangoutJá faz algum tempo que quero organizar um grupo de estudos para lermos e estudarmos alguns textos de Carl G. Jung. Desde a época da faculdade ou estava participando ou organizando grupos de estudo, porém, nos últimos anos acabei encontrando algumas contingências que impossibilitaram a realização desses grupos.

Porém, acredito que encontrei uma forma de continuar os estudos e conseguir driblar essas dificuldades. A partir desta semana farei semanalmente – ou quinzenalmente, dependendo de como for este primeiro encontro – um Grupo de Estudos Virtual para discutirmos um pouco mais do pensamento e da obra desse psicólogo suíço.

Continue Reading >>