Mitologia, tecnologia e tudo mais na Campus Party!


A semana ainda não acabou na Campus Party, mas muita coisa já aconteceu. Além de reencontrar e conhecer velhos amigos, consegui passear um pouco na cidade com o pessoal do Papo de Gordo e fazer um pouco de festa, além de conversar com amigos, me divertir e gravar podcast.

Eu vim para a Campus Party com o objetivo de alimentar e movimentar o Campus Metacast, uma iniciativa minha e de Eduardo Sales Filho para agregar em um só lugar todos os podcasts lançados durante esta semana na Campus Party. E acredito que até agora estamos fazendo um bom trabalho. Até quinta-feira no momento que estou escrevendo este post são 15 podcasts lançados no feed do Campus Metacast, e eu sei de fato que teremos muitos mais podcasts lançados até o final da Campus Party.

Um deles, inclusive, será um episódio do Papo Lendário gravado com o Eduardo Spohr, autor do livro A Batalha do Apocalipse. Pergunei pro Mitocôndria, o apresentador do podcast, se teríamos um episódio do Papo Lendário esta semana gravado aqui da Campus Party, mas ele disse que não saberia sobre o quê. Sugeri então que gravássemos sobre Tecnologia e sua relação com mitologia. Ele adorou a ideia!

Pablo, Eduardo Spohr e Mitocôndria

Pablo, Eduardo Spohr e Mitocôndria após gravação do Papo Lendário.

Ele coletou depoimentos de várias pessoas sobre o que é tecnologia para elas, que serão intercaladas com o áudio da conversa nossa com o Eduardo Spohr. E vale dizer que essa conversa foi genial e saiu melhor do que o esperado.

Começamos falando sobre o conceito de techne e da sua relação com a arte e as Musas. Depois falamos sobre alguns mitos gregos relacionados com tecnologia, como Hefesto e Dédalo. As contribuições de Eduardo foram brilhantes e concluímos que enquanto o caminho do herói e conseguir se aproximar e descobrir sua essência, a tecnologia acaba por nos afastar dela.

Tecer uma teia é técnico e mitológico.

Tecer uma teia é técnico e mitológico.

A tecnologia deve servir como ferramenta para nos ajudar a descobrir quem somos, para nos acompanhar no nosso processo de individuação. Porém, o que acontece é o contrário: acabamos nos tornando dependentes da tecnologia e com isso nos afastamos do nosso caminho.

Na mitologia, os deuses e heróis usavam da tecnologia para atingirem seus objetivos. A tecnologia era um caminho, uma ferramenta. Mas, se ela é utilizada para se sobrepor aos deuses, coisas estranhas podem acontecer.

Um exemplo que não comentamos no episódio é Aracne. Ela era uma mortal muito hábil na técnica de tecer. As pessoas costumavam dizer que ela deveria ter sido abençoada por Atená, a deusa da tecelagem. Mas Aracne dizia que não, que a deusa em nada tinha a ver com isso.

Atená não gostou e propôs um desafio à Aracne que concedeu. Ambas teceram tapetes lindíssimos e a deusa ficou irritada com a arrogância da mortal. Atená tocou a testa de Aracne mostrando a ela toda a culpa de suas ações. A mortal ficou muito mal com isso e, deprimida, se enforcou. Como Atená não queria que a moça se suicidasse, ela a transformou na aranha, sempre presa a seu fio e tecendo.

Ícaro não soube encontrar o caminho do meio.

Ícaro não soube encontrar o caminho do meio.

A técnica e a tecnologia podem nos levar à arrogância e isso pode nos separar da nossa essência e do nosso caminho à transcendência. Por isso é importante conhecermos esses mitos para nos lembrarmos das histórias das experiências humanas. A tecnologia não é algo de agora, de hoje e sempre existiu, sempre esteve aí e é uma experiência humana como todas as outras.

Não que devamos nos afastar dos computadores e dos avanços tecnológicos, porém devemos saber encontrar o caminho do meio, o equilíbrio da balança. Assim não corremos o risco de nos tornamos máquinas nem de nos afastarmos no mundo.

Vale a pena ouvir o episódio do Papo Lendário! E vale a pena refletirmos um pouco mais sobre nossa relação com a tecnologia…

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