Jung e a Psicologia Analítica


Carl Jung na revista TimePara além de sua relação com a psicanálise de Freud, Jung também aprofundou seus estudos em diversas outras áreas de conhecimento humano, tanto aquelas que já eram conhecidas por cientistas e psicanalistas, como a análise de sonhos e a mitologia, como outras pouco estudadas, como a alquimia. Jung entendia que todos esses estudos serviam como formas de compreendermos as diferentes manifestações da psique humana e do inconsciente coletivo (termo que mais tarde foi revisto e renomeado como “psique objetiva”).

Talvez por causa disso tudo – de sua relação de amor e ódio com a psicanálise de Freud e de seus objetos de estudo pouco ortodóxos – a psicologia junguiana seja coberta com uma aura mística que assusta os mais céticos e atrai os mais curiosos. Independente dos comentários que são feitos de fora, por aqueles que pouco conhecem sua obra ou daqueles mais ufanistas que conhecem cada linha de seus livros, a influência da psicologia analítica de Jung é inegável. Mais conhecidamente, temos os termos “introvertido” e “extrovertido” que foram cunhados na psicologia por sua teoria dos Tipos Psicológicos. E menos divulgados estão, por exemplo, sua influência sobre o estudo da mitologia, com o conceito de arquétipos, influenciando pesquisadores como Joseph Campbell e Christopher Vogler, que acabaram por influenciar áreas como a literatura e o cinema com obras como O Herói de Mil Faces e A Jornada do Escritor.

Carl G. JungMas essas são as contribuições teóricas. As práticas são as que acabaram por criar a Psicologia Analítica – conhecida também como Psicologia Junguiana ou Psicologia Complexa – e suas diferentes escolas de pensamento: a clássica, com psicólogos como von Fraz e Jacobi, a desenvolvimentista, com psicólogos como Neumann e Whitmont, e a arquetípica, com o psicólogo James Hillman. Temos então uma ampla possibilidade de aplicações, principalmente em psicologia clínica, mas não unicamente. As psicólogas estadunidenses Myers e Briggs criaram um sistema de classificação de personalidade inspirado completamente na teoria dos tipos psicológicos de Jung, que é amplamente utilizado em empresas e em recursos humanos.

Jung em si nunca teve a intenção de criar uma “escola de psicologia” – como a psicanálise – e sempre encorajou seus alunos a encontrarem seus próprios caminhos e vocações. Em um evento, diz uma anedota, que ele comentou a sua amiga e aluna Marie-Louise von Franz sobre uma palestra de um colega psicólogo sobre psicologia analítica: “Ainda bem que não sou junguiano”. Mesmo assim, hoje em dia estudamos sua obra e utilizamos seu trabalho como guia através de nossas jornadas pelo inconsciente e na descoberta de nós mesmos.Carl Gustav Jung

Comments (7)

  1. […] No próximo post, veremos como se deu a construção da psicologia analítica de Jung. […]

  2. […] Carl Gustav Jung que desenvolveu a linha psicológica que conhecemos como Psicologia Junguiana ou Psicologia Analítica ou Psicologia Complexa… Sim, são vários nomes para uma mesma teoria, o que mostra sua […]

  3. […] uma aula que encontrei este documentário sobre Jung. Na realidade, é uma entrevista feita com Carl Gustav Jung no final da década de 50 (como podem verificar pela qualidade das imagens). Nela, o entrevistador […]

  4. Miguel

    Estou estudando psicologia, e gostei muito de JUNG, nunca tinha lido nada sobre ele, mas agora que comecei me apaixonei por sua teoria.

    Parabens pelo site.

  5. Eu curto mto Jung.
    Mas ler os livros dele é bem difícil, por isso, costumo ler bastante e discípula dele Marie-Louise Von Franz. Também tem o James A. Hall, que tem um livro sobre sonhos que é muito legal.

    Logo me formo em Psicologia e vou fazer especialização em Psicologia Analítica… mto dahora

  6. […] aqui um breve recado de Carl Jung sobre o […]

  7. […] da Psicologia, um dos grupos fez o trabalho sobre alguns valores e pressupostos epitemológicos da Psicologia Analítica. Como esse grupo fez em formato digital e me enviou para avaliação, resolvi disponibilizá-lo […]

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