O tema da homossexualidade ainda é uma questão controversa. Nossa sociedade ainda não compreende o tema, muito menos a ciência e a religião conseguem chegar a um consenso. O que se sabe é que a ciência tenta compreender, enquanto a religião tenta encaixar dentro de seus conceitos e dogmas. Novamente, não pretendo chegar aqui a nenhuma conclusão sobre o tema, apenas quer apresentar mais dois pontos de vista, o da ciência e o da religião.
Se eu fosse apresentar sozinho cada um desses, daria cada um uma tese. São várias concepções científicas e várias concepções religiosas. Aqui, porém, irei apresentar as questões científicas. As religiosas deixarei para outro post.
As questões Científicas
A ciência nunca chega a nenhuma conclusão e se alguém disser que algum ponto de vista científico é definitivo, então isso não é ciência. Tendo dito isto, quero aqui apresentar algumas questões polêmicas que a ciência traz e que muitos defensores dos direitos dos homossexuais utilizam como defesa, mas que eu pessoalmente questiono:
1) Homossexualidade não é escolha: Essa é a grande questão. Se for escolha, então podemos tentar convercer quem quer que seja a escolher diferente, como se escolhe um partido político ou um time de futebol. Se for escolha, escolher gostar de alguém do mesmo sexo seria igual a escolher torcer pro Flamengo ou pro Palmeiras e, nesse caso, se a sociedade disser que é errado ser homossexual, ele poderia ser “convertido” ou “virar a casaca” e passar a ser heterossexual. A grande questão é que se percebeu que não se escolhe ser homossexual: a pessoa se descobre homossexual. Mas daí vem outra grande questão: como a pessoa passou a ser homossexual, será que ela nasce assim ou se torna assim depois de nascer?
2) O que causa a homossexualidade? Essa é outra questão que muita gente metida a cientista tenta responder, mas eu digo já de antemão que ela não tem resposta. Mas antes de dizer por que não tem resposta, queria analizar a pergunta. Geralmente as pessoas perguntam a causa da homossexualidade com um único propósito: se conheço a causa, posso tentar evitá-la para mudar a consequência. Por exemplo, se digo que a homossexualidade tem causa genética, ou seja, é um gene que te faz ser homossexual, eu posso, com esse conhecimento, usar de engenharia genética e evitar que futuros bebês sejam homossexuais. Ou ainda, se eu digo que é uma questão da gestação, por um problema qualquer da mãe, então eu posso dar remédios para combater isso e evitar mais um bebê homossexual. Novamente, perguntar a causa traz em si a ideia de prevenção. Na real, essa é a única utilidade de se saber o que causa a homossexualidade. Então, essa pergunta é 100% homofóbica! Ao se tentar utilizá-la para provar que a homossexualidade não é escolha, mas sim inata, cai-se no erro de dar margem pra prevenção à homossexualidade e, tenho certeza, nenhum homossexual compreende sua condição como algo que possa ser prevenido. Diante disso, já digo que não vale a pena tentar encontrar a resposa a essa pergunta, por isso ela não tem resposta. É melhor admitir que ela não tem resposta, para não se cair em problemas futuros. Além disso, ninguém pesquisa o que “causa a heterossexualidade”, certo? Então, novamente, não vale a pena se pensar nisso.
3) A pessoa já nasce homossexual. Essa é uma questão que beira a causalidade, mas é uma forma de fugir do paradigma da escolha sem tentar explicar a causa. Simplesmente aceita-se que a pessoa já nasce pré-disposta a ser homossexual ou a ser heterossexual. Mas, daí, levando outra questão: como saber isso se as primeiras manifestações de desejo sexual por outra pessoa se dá muitos anos depois do nascimento? Aí entra uma velha batalha científico-filosófica: qual tem maior influência, o inato ou o aprendido? Alguns defendem que o ináto, ou o genético, tem mais força. Outros dizem que tudo depende do ambiente e do que se aprende. Eu sou mais moderado e acho que depende de uma relação entre o inato e o aprendido, entre o genético e o ambiental. Então eu defendo que a pessoa não nasce homossexual. No máximo, ela pode nascer pré-disposta, mas vai depender de fatores ambientais também. Um exemplo disso são algumas pessoas que escolheram a castidade (e nisso não digo só padres, mas freiras também ou pessoas de outras religiões que praticam a castidade ritual): essas pessoas não possuem, ao menos não manifestamente, uma opção sexual por nenhum genero. Eu diria até que para essas pessoas existiria uma pré-disposição ao celibato ou uma assexualidade, mas que necessitaria do ambiente para se manifestar. E nisso, temos outra questão também: homossexual é um nome que damos a uma pessoa que tem determinada prática sexual. Em outra cultura com outros valores e práticas sexuais, ele não recebe esse nome, portanto, dizer que alguém “nasce” homossexual é delicado.
4) Não existe ex-homossexual. Talvez esse seja correto, da mesma forma como não existe ex-heterossexual. Porém, gostos podem mudar. Teoricamente, podemos mudar de gostos ou aprender a aprecidar outras coisas, se nos permitirmos. Existe um filme do Kevin Smith chamado Chasing Amy que mostra justamente isso. A personagem Alyssa Jones disse que preferia mulheres porque em determinado momento de sua vida, ela percebe que gostar só de homens limita as opções para ela encontrar o amor e se ela gostasse de mulheres também, teria duas vezes mais chances. Pode parecer uma escolha, mas de certa forma, muita coisa em nossa vida é. Da mesma forma como é escolha ter atração por um genero e viver como se tivesse atração por outro. Isso vai ao nosso quinto e último ponto:
5) Homofóbicos são homossexuais enrustidos. Esse é o meu favorito. Eu sempre defendo que aquilo que eu mais odeio no outro é o que eu não quero aceitar em mim mesmo. Por exemplo, se eu critio o outro por ser preguiçoso por ele não querer me ajudar a fazer um trabalho que eu já deveria ter feito, estou falando que eu não quero aceitar que eu mesmo sou preguiçoso. O mesmo serve para os homofóbicos. Não quero aqui dizer que TODOS são, mas existe uma grande tendência. É claro que existem os casos de homofobia e preconceito aprendido, mas que no fundo não é tão alimentado. Mas os casos mais fortes, você pode ter certeza que sim, existem tendências homoafetivas. O mais legal é que fizeram estudos científicos sobre isso e este clip abaixo mostra justamente os resultados.
Assista ao vídeo no Youtube, caso encontre problemas para assistir aqui no blog.
Eu fico aqui com essas posições. Vale lembrar que, diferente das religiões, ciência é algo em constante construção. Eu deixo aqui as minhas reflexões sobre o tema. Posso estar errado e, com certeza, amanhã irão provar que estou. Mas até lá, tentaremos construir o nosso conhecimento sobre o tema.




[...] sobre isso, ele está aqui, no Piratacast, do pessoal do Baú Pirata. E também irei publicar outros textos sobre o assunto, então fiquem ligados [...]
Sempre que leio comentários sobre esse tema tão polêmico, tenho a impressão que as pessoas evitam entender a natureza da sexualidade (características e intensidade do desejo) de forma espectral. Assim como nos animais, não é difícil admitirmos que o ser humano possue sexualidade que vai desde a super fêmea ao super macho, passando por todos os graus de intensidade. Sinto falta dessa vertente de pesquisa. Para mim, a sexualidade fraca de uma criança pode ser sentida pela mãe nos primeiros tempos de vida e desencadear a rejeição encoberta que, inevitavelmente, é percebida pelo filho; o mesmo pode acontecer na relação com o pai. Nessas condições, acredito que a relação de amor será pobre e deixará lacunas que, na adolescência, vai se refletir na dificuldade de dicernir entre amor e desejo sexual, principalmente reconhecer a independência entre esses sentimentos.
O amor que acontece de forma súbita e intensa, principalmente quando provém de admiração, costuma produzir a vontade de posse e de contato físico. Para a maioria das pessoas essa reação não sugere o desejo sexual. Contudo, na ausência de uma boa capacidade de reconhecer o sentimento de amor, a interpretação desse desejo pode ser dúbia ou contrária, principalmente para aquele que sentindo a fraca sexualidade já questiona a natureza da mesma. Se essa errada interpretação vai produzir medo ou euforia, se vai produzir homofóbicos ou homossexuais, isso vai depender do conflito de sexualidade que vai se instalar em cada um.