Medo, Fobia e Pânico


Você tem medo de quê?Ouvindo mais um podcast, desta vez do amigo Eduardo Sales Filho, o Papo de Gordo, com o tema de sustos, medos e fobias, me deparo com uma pergunta direcionada a mim! O objetivo deles não era definir ou dar explicações precisas sobre o que são medos e fobias, mas invariavelmente eles precisaram falar sobre o conceito. Então eles tocam no assunto do pânico e querem saber o que é isso, já que popularmente refere-se ao pânico como um medo enorme. É então que eles citam o meu nome e pedem para que eu explique. Pois bem, aqui vai a explicação: (caso você queira ouvir o episódio antes e ouvir a pergunta, clique aqui)

Basicamente, medo é uma reação natural do organismo a coisas que nos ameaçam. Faz parte do nosso instinto de sobrevivência e pode ser relacionado inclusive ao instinto de agressividade. Geralmente, diante de ameaças ou nós atacamos ou fugimos, ou somos agressivos ou temos medo. Tanto o medo quanto a agressividade são regidos neurologicamente por um gânglio cerebral chamado de amídala. E, psicologicamente, a diferença entre os dois é bem sutil, ao ponto de você poder pensar que uma pessoa agressiva também tem bastante medo (lembrando até o que o nosso amigo Vanassi relatou no podcast de ele ficar agressivo quando leva sustos).

Acrofobia é o medo de lugares altos, ou de cair desses lugaresFobia é o nome dado a uma séries de “medos” específicos com características irracionais. Mas aqui entra um porém. Muitos pesquisadores apontam que várias das nossas fobias tem base evolutiva, como por exemplo, o medo de altura (acrofobia) nos deixaria longe de lugares altos e arriscados, ou o medo de fogo (pirofobia) nos prevenia de sermos queimados, ou ainda o medo de lugares apretados (claustrofobia), hoje afetando bastante gente que evita entrar em elevadores, por exemplo, pode estar relacionado ao fato de pessoas evitarem ficar em lugares pequenos e terem sempre uma rota de fuga em situações de emergência.

A grande questão da fobia é que ela é um medo específico, geralmente irracional, que provoca muita ansiedade. Clinicamente, classificamos as fobias como Transtorno de Ansiedade de Fobia Específica, ao contrário de outros transtornos de ansiedade, como a Fobia Social, relacionada a uma série de situações que as pessoas evitam por provocar muita ansiedade, como falar em público, conversar com estranhos ou até mesmo comer ou escrever em público (sim, é real isso). Existem vários tratamentos para as fobias, mas o mais tradicional é o chamado “Dessensibilização sistemática”, onde a pessoa, aos poucos, vai se aproximando do estímulo que provoca a ansiedade, enquanto está em situação de relaxamento e bem-estar, para que associe o bem estar ao estímulo ruim e pare de sentir-se mal.

O deus Pã provocava pânico em pessoas perdidas nas florestasJá o pânico é uma situação completamente diferente. Pânico é um nome geral que pode ser ou um “Episódio de Pânico” ou o “Transtorno de Pânico”, popularmente conhecido como “síndrome do pânico”. Vale lembrar que esse nome é popular e não é utilizado cientificametne. O nome “pânico” vem da mitologia grega, por ser uma reação à ação do deus Pã que provocava esses sentimentos em pessoas que se perdiam nas florestas, como uma forma de proteger as matas e seus habitantes de invasores.

Um episódio de pânico acontece geralmente de forma repentina, sem avisos e sem um motivador aparente (ele pode existir, mas geralmente não se sabe o que é). Ele provoca uma série de reações fisiológicas como taquicardia, falta de ar, formigamento em diferentes partes do corpo, fraqueza, choro repentino, nauseas, tremores, calafrios e, principalmente, a sensação de que se está perdendo o controle ou morrendo. Um episódio de pânico pode durar de 15 minutos a uma hora, geralmente acompanhada de uma sensação de mal-estar durante algumas horas após o episído. O episódio em si pode ser uma combinação de algumas dessas várias reações, por isso podem ocorrer episódios diferentes, com manifestações diferentes.

O “Transtorno de Pânico” é o nome dado à condição de uma pessoa que já teve um ou mais episódios de pânico. O Transtorno pode vir associado (e geralmente é, mas não necessariamente) a outra condição chamada de Agorafobia, que seria o medo de lugares públicos, abertos, onde não se tem segurança ou proteção. Isso acontece pois os episódios de pânico são inconstantes e podem acontecer a qualquer momento. Com o medo de que aconteça num momento onde não se tem ajuda/proteção, a pessoa desenvolve o quadro de agorafobia, evitando sair de casa ou sair desacompanhado.

Não existe relação entre medo/fobias e o pânico, como foi sugerido no episódio 71 do Papo de Gordo. Ou seja, um medo extremo não leva ao transtorno de pânico ou a episódios de pânico. Apesar que, uma pessoa que sofre de uma fobia específica pode ter sensações parecidas às do pânico, mas só enquanto estiver diante daquilo que tem medo. Quem sofre de pânico não tem isso e pode sofrer do episódio a qualquer momento. O nome dado a esse medo extremo é “pavor”, mas ele em si não é um problema, como as fobias e o pânico. Pode ser, caso a pessoa fique paralizada de pavor diante de algum perigo, como atravessando uma rua.

Só mais uma curiosidade: foi comentado brevemente sobre os filmes que dão medo. Tecnicamente, eles são classificados em duas categorias: horror e terror. Os filmes de horror partem da sensação de repulsa e medo que se tem após se ver algo que não gostamos, como os filmes do Freddy Kruegger ou filmes de zumbi. Terror já parte da premissa de provocar medo pela antecipação do medo. Os bons filmes atuais exploram essas duas vertentes ao mesmo tempo, criando um clima de terror antes de mostrar algo horripilante, que provoca repulsas, como fez muito bem a série de filmes Jogos Mortais.

Aproveite para ver aqui um clipe com cenas de 10 filmes de terror e horror de diferentes países do mundo:

Comments (4)

  1. byClaudioCHS

    Medo…
    Vontade de dar um grito,
    ou calar-se para sempre
    De ficar parado, ou correr
    De não ter existido
    ou deixar de existir (morrer)
    Não há razão quando a mente não funciona
    (redundante, não?)
    Vão extinguindo-se as questões
    mesmo sem respostas
    Perde-se, neste estágio,
    a vontade de saber.
    O futuro é como o presente:
    É coisa nenhuma, é lugar nenhum.
    Morreu a curiosidade
    Morreu o sabor
    Morreu o paladar
    parece que a vida está vencida
    Tenho medo de não ter mais medo.
    Queria encontrar minhas convicções…
    Deus está em um lugar firme, inabalável,
    não pode ser tocado pela nossa falta de confiança
    Até porque, na verdade, confio nele
    O problema é que já não confio em mim mesmo
    Não existe equilíbrio para mentes sem governo
    A química disfarça, retarda a degradação
    mas não cura a mente completamente
    E não existem, em Deus, obrigações:
    já nos deu a vida, o que não é pouco,
    a chuva, o ar, os dias e noites
    Curar está nele, mas, apenas retardaria a morte
    já que seremos vencidos pelo tempo
    (este é o destino dos homens)
    e seremos ceifados num dia que não sabemos
    num instante que mira nossa vida
    e corre rápido ao nosso encontro lentamente
    (ou rasteja lento ao nosso encontro rapidamente?)
    Sei lá…
    Mas não sei se quero estar aqui
    para assistir o meu fim
    Queria estar enclausurado, escondido…
    As amizades que restam vão se extinguindo
    e os que insistem na proximidade
    são os mesmos que insistirão na distância,
    o máximo de distância possível.
    A vida continua o seu ciclo
    É necessário bom senso
    não caia uma árvore velha, podre, sobre as que ainda estão nascendo.
    Os que querem morrer deixem em paz os que vão vivendo
    Os que querem viver deixem em paz os que vão morrendo
    Eu disse bom senso?
    Ora, em estado de pânico não se encontra bom senso
    nem princípios, nem razão, nem discernimento,
    nem força alguma
    Torna-se um alvo fácil
    condenável pelos que estão em são juízo
    E questionam: onde está sua fé?
    e respondo: ela estava aqui agora mesmo…
    ela não se extingui, mas parece que as vezes se esconde de mim…
    o problema é que, quando a mente está sem governo
    (falo de um homem enfermo)
    é como um caminhão que perde o freio
    descendo a serra do mar…
    perde-se o contato com a fé e com tudo o que há…
    e por alguns instantes (angustiantes)
    não encontramos apoio, nem arrimo, nem chão, nem parede, nem mão…
    ah… quem dera, quem dera…
    que a mão de Deus me sustente neste instante…
    em que viver é tão ou mais difícil que conjulgar todos os verbos…
    porque sou, neste momento
    a pessoa menos confiável para cuidar de mim mesmo…
    tenho medo, medo…
    medo de perder o medo
    de sair da vida pela porta de saída…
    medo de perder o medo
    de apertar o botão “Desliga”…

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  3. Medos e fobias são problemas que realmente atingem muitas pessoas, causam sofrimento, ansiedade e vergonha para quem tem esse problema, apesar de tudo é possível tratar a isso com a ajuda de profissionais da área. parabéns pela iniciativa de informar as pessoas sobre esse problema

  4. […] como tendo Transtorno Depressivo Maior e Transtorno de Pânico (que graças a sua explicação, aprendi que não é síndrome do pânico, rs). Naquela época eu não sabia muito bem do que se tratava. Logo em seguida, fui morar no […]

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