Problemas Conceituais da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)


Qual o risco das psicoterapias cognitivo-comportamentais?Mais um tema polêmico, mas essa é uma questão que vem surgindo repetidas vezes com meus alunos. Não posso deixar passar. Quem já me ouviu falando sobre isso sabe que eu tenho uma opinião clara sobre isso e até agora não conheci argumentos que pudessem me convencer do contrário. Existem algumas psicoterapias baseadas em aglomerações de técnicas sem fundamento teórico-epistemológico que genericamente são chamadas de “Terapias cognitivo-comportamentias”, que acabam criando uma image distorcida das terapias e teorias cognitivas e comportamentais. Sou contra essa ecletização e aqui poderei expor por quê. Antes de começar a falar, já adianto que sei que haverão muitas críticas dos defensores dessa “pseudoabordagem”, mas já adianto que tentarei responder a essas críticas antes que elas sejam feitas aqui. Outra coisa que devo acrescentar antes de prosseguir é que meu fundamento para tal posicionamento está em questões epistemológicas, metodológicas e políticas relacionadas à psicologia e espero que, caso eu venha a ser criticado, que essas críticas sejam no mesmo nível. Não estou aqui menosprezando nenhum psicólogo específico, muito menos seus pacientes. Somente quero alertar meus leitores para os riscos dessa prática, riscos esses que poucos – ou quase ninguém – conhecem. Acho que um bom começo de todas essas exposições seria uma explicação histórica, para situar o leitor que não sabe de onde veio isso. O que chamo aqui de  Terapia Cognitivo-Comportamental, daqui para frente referida como TCC, surgiu na junção de duas outras terapias, a Terapia Cognitiva e a Terapia Comportamental. Ambas essas terapias possuem embasamentos próprios, pressupostos teóricos e metodológicos. Porém, a TCC não possui nada disso. A terapia comportamental é baseada nos estudos de SkinnerAs terapias comportamentais (sim, são mais de uma, mas como não trabalho nessa área, não as conheço a fundo) se baseiam nas teorias da Psicologia Comportamental e da filosofia do Behaviorismo Radical, criada por B. F. Skinner. O Behaviorismo Radical defende que todas as ações do organismo humano são comportamentos controlados e que seguem às leis do comportamento, como o reforço (que diz que um comportamento reforçado tem a probabilidade maior de voltar a acontecer), punição, etc. Ele também diz que todo comportamento tem um antecedente e um consequente. O antecedente “chama” o comportamento em questão, enquanto o consequente o reforça para aparecer mais ou menos vezes num futuro quando surgir tal antecedente. Essas relações entre antecedentes, comportamentos e consequentes formam uma “teia” de comportamentos operantes, pois operam no meio e são operados pelo meio. Resumindo: todo comportamento – desde ações até pensamentos e memórias – são controladas pelas contingências do e relações com o meio. Consequentemente, as teorias comportamentais partem do pressuposto que para se alterar o comportamento é preciso controlar o ambiente controlador, ou exercer o contra-controle. Assim, a terapia se dá ao se tomar conhecimento do ambiente que nos controla e modificando-o, para alterar as contingências que nos controlam. Todo o trabalho está na relação do sujeito com o meio, com o ambiente. Aaron Beck fez a base para as psicoterapias cognitivasAs terapias cognitivas (sim, também são mais de uma) se inspiram principalmente no trabalho de um psicólogo chamado Aaron Beck. Ele fora psicanalisa durante certo tempo e, ao tratar de pacientes com depressão, percebera que a técnica psicanalítica não dava os resultados esperados e que os pacientes com depressão apresentavam melhoras em seus sintomas com ou sem a terapia psicanalítica. Ele então encontra subsídio na nascente teoria cognitiva que nasce – entre outras questões – como uma crítica ao behaviorismo de skinner, além de se aproximar dos recentes (da época) estudos de neurologia e cibernética. A psicologia cognitiva diz, entre outras coisas, que os comportamentos são controlados não pelo ambiente mas sim pela mente. Basicamente, a mente seria formada pelos processos cognitivos da memória, consciência, percepção, atenção, etc. A terapia cognitiva de Beck constrói então um modelo inspirado nisso e diz que os problemas psicológicos se constróem sobre  crenças nucleares disfuncionais. Essas crenças acabam construindo sentimentos disfuncionais que, por sua vez, influenciam nossos pensamentos que controlam os comportamentos. Alterando-se as crenças, pode-se alterar os sentimentos e pensamentos e comportamentos que se apresentam como patológicos. A alteração do comportamento aqui se dá por conta da alteração cognitiva. Acontece que, historicamente, só duas grandes teorias tiveram sucesso e nome: a psicanálise, que parte do pressuposto do inconsciente e que tal inconsciente é imutável e define todo o nosso desenvolvimento, e o behaviorismo, que parte do pressuposto do comportamento que é aprendido e pode ser alterado. Como então fazer com que outras propostas de terapia consigam espaço num meio tão desconhecido e pouco divulgado? As diferentes psicoterapiasÉ então que um grupo de terapeutas cognitivos resolvem adotar o nome de TCC, agregando o “comportamental” ao seu nome, até mesmo por verem que muitas de suas técnicas de trabalho eram inspiradas em técnicas comportamentais. A tentativa era de marketing, de criação de imagem, para agregar uma marca/nome conhecida a um produto desconhecido. Alguns terapeutas comportamentais gostaram da bricadeira e aceitaram o nome, pois isso dava um ar novo e diferente ao seu trabalho – que também estava a receber críticas de outras áreas. Mas no início não passa disso: de um nome comum para duas terapias diferentes que se conversavam em alguns pressupostos, como o da aprendizagem e da possibilidade de mudança através da terapia. Ao mesmo tempo, alguns terapeutas cognitivos começaram a fundamentar que o nome cognitivo-comportamental se dá não por conta da aproximação das duas abordagens diferentes, mas sim porque a alteração cognitiva gera alteração comportamental e vice-versa. Mas, isso não deixa de ser uma terapia cognitiva, com a mesma base das teorias cognitivas. Porém, com o tempo, começaram-se a criar verdadeiros monstros de Frankenstein com a TCC. Pegavam-se as melhores e mais recomendadas técnicas cognitivas e juntavam-se às melhores e mais recomendadas técnicas comportamentais. Alguns terapeutas tecnicistas cognitivos ampliavam seus repertórios técnicos com técnicas comportamentais, enquanto terapeutas comportamentais também preocupados com a técnica, estavam expandindo seu campo de atuanção não só agregando o nome “cognitivo”  ao seu trabalho – nome esse que estava ganhando fama, principalmente graças ao avanço da cibernética – mas também começaram a usar técnicas cognitivas sem critérios. Diante disso, a TCC então passa a se fundamentar enquanto uma prática baseada e justificada principalmente pelos resultados de suas técnicas que – obviamente – funcionam. O maior argumento a seu favor é justamente esse: pega-se o que existe de melhor das duas psicoterapias para se criar uma terapia melhor para o bem-estar do paciente; dessa forma age-se mais rápido e com maior eficácia. Aparentemente, isso soa como uma coisa boa. Porém, é justamente aí que os problemas começam. Não que eu não seja a favor do bem-estar dos pacientes – muito pelo contrário -, mas não sou a favor se esse bem-estar é às custas de outros valores essenciais. Mas antes de falar sobre isso, queria apresentar meu argumento político, que talvez seja o mais contundente. Imagem Censurada por ser considerada ofensiva a algumas pessoas. Legenda original: Médicos que se acham o House ignoram seus pacientes.Talvez os maiores propagadores da TCC sejam os médicos e psiquiatras. Geralmente quando eles falam de tratamento de transtornos mentais eles, eles dizem que o tratamento é uma associação do uso de algum medicamento aliado à TCC. Para o leigo e para os profissionais não antenados, isso pode parecer uma recomendação sensata, mas não percebem que isso é uma recomendação política: ao indicar a TCC, eles apontam para a hegemonia e supremacia da medicina sobre as outras profissões da área da saúde. Já ouvi pessoalmente de muito psiquiatra e médico dizendo que a única ou melhor terapia é a TCC, e já ouvi também de amigos que seus psiquiatras e médicos recomendaram que procurassem um terapeuta cognitivo-comportamental especificamente e evitasse outras abordagens. É de conhecimento tácido e velado (ou seja, não é falado publicamente e qualquer pessoa envolvida irá negar, até que se prove o contrário) que os médicos recebem financiamento das indústrias farmacêuticas para receitarem seus remédios. Já ouvi de diversas pessoas que muitos médicos mal ouvem os pacientes e já querem receitar antidepressivos ou ansiolíticos – ou outros remédios de venda controlada –  muitas vezes sem necessidade. Muitas vezes esses médicos nem têm formação psiquiátrica e já receitam remédios. Isso pode mostrar algumas coisas: ou os médicos não estão interessados no paciente, somente no tratamento da doença a qualquer custo para responder a uma demanda social; ou os médicos já estão tão condicionados pelas indústrias farmacêuticas que eles já nem pensam mais antes de receitar  remédios. Ou quem sabe as duas coisas. Supostamente, para cada receita retida na venda de remédios controlados, essa receita volta para a indústria que controla sua venda e essa empresa pode então bonificar os médicos com presentes e até viagens para eles e suas famílias. É claro que com um incentivo desses, os médicos vão querem vender os remédios. Além disso, ao defender publicamente o remédio, essa indústria acaba oferecendo outras formas de vantagens e bonificações a esse profissional, muitas vezes dando a ele títulos profissionais ou cargos importantes em suas indústrias. Nos Estados Unidos, muitos desses médicos, inclusive, chegaram a ganhar cargos públicos de influência. E o que isso tem a ver com a TCC? A TCC aqui seria um conjunto de técnicas cognitivas e comportamentais. Quem as aplica, acaba sendo isso: um técnico. Já ouvi de vários médicos que psicólogos e outros profissionais, como fisioterapeutas, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais, são meros técnicos dos médicos. Mas se um psicólogo se fundamenta unicamente através das técnicas, ele só pode ser um técnico dos médicos mesmo! E assim, tenta-se manter essa hegemonia da medicina. Imagem Censurada por ser considerada ofensiva a algumas pessoas. Legenda original: A classe médica não se preocupa com os outros profissionais da saúde.Quanto mais psicólogos aderirem a essa posição tecnicista, mais os médicos irão se fortalecer. Os tratamentos médicos terão cada vez mais “sucesso”, ou seja, as pessoas apresentarão cada vez menos sintomas e de formas cada vez mais rápidas. O problema é que tudo isso é feito às custas de toda uma classe. Os outros psicólogos que, por qualquer motivo, não trabalham com a TCC, acabarão sendo mal-tratados tanto pelos médicos quanto pelos terapeutas cognitivo-comportamentais que, além dos bons olhos dos médicos e de seus pacientes, tem cada vez mais os bons olhos da mídia, que não sabe o que é uma boa psicoterapia. Por sinal, isso já aconcete, como podemos ver, por exemplo, pela opinião pública da psicanálise e de outras abordagens que falam sobre o inconsciente. Um outro problema disso é que com essa expansão dessa visão médica sobre os transtornos mentais, passa-se a compreender menos essas condições. Médicos tradicionalmente tratam doenças. Com eles tratando dessa forma somente os sintomas psicopatológicos, irá se perpetuar a noção de “doença mental”, algo que os profissionais da saúde tentam abolir há algum tempo (mais de 20 anos pelo menos). Os transtornos mentais são condições psicossociais que modificam nossa relação com o mundo e com a vida, mas nem por isso devem ser eliminados. É claro que muitos deles, como as esquizofrenias e transtornos psicóticos, provocam enorme sofrimento para a pessoa e suas famílias, mas outras, como a depressão e até mesmo o pânico, por exemplo, podem apresentar excelentes oportunidades de auto-conhecimento para quem sabe vivê-los. Eu sei disso porque eu mesmo fui diagnosticado com depressão e pânico e aprendi um monte sobre mim mesmo através dessas condições. Mente OU comportamento: duas visões diferentes do problema mente/corpoTerapeutas cognitivos e terapeutas comportamentais possuem visões de mundo que podem concordar com essa visão mais ampla, pois poderão respeitar tanto as condições de um meio que possa favorecer um crescimento apesar da depressão ou às crenças que embasarão aprendizado em momentos de crise. Mas um terapeuta que simplesmente aplica técnicas cognitivo-comportamentais não consegue fazer isso, pois ele não tem uma visão de mundo ou uma visão de humano: ele só possui uma visão tecnicista e técnicas alimentadas por demandas médicas. A visão de mundo e de humano da abordagem comportamental diz que o sujeito é controlado pelo meio mas que também pode controlar o meio. Ela também diz que não existe isso que se chama de mente e que os ditos “processos mentais” também são comportamentos controlados nessa relação com o ambiente. Já a visão de mundo e de humano do cognitivista diz que a mente é um processo interno relacionado à subjetividade e é quem controla todos os comportamentos humanos e que, ao se controlar a mente, controla-se os comportamentos: com isso podemos ser qualquer coisa, bastando trabalhar a mente e seus potenciais de forma correta. Ao mesmo tempo, diz-se que o ambiente tem pouca influência no sujeito, pois é a mente que vai prevalecer. Como tentei mostrar, ambas as visões de mundo são válidas mas são contraditórias. Não há como dizer qual está correta. Qualquer pessoa pode preferir acreditar em uma ou na outra (ou em outra qualquer). Porém, só sei de uma coisa: é impossível trabalhar com as duas noções ao mesmo tempo! Qual será o sujeito tratado pela TCC: seria um sujeito controlado pelo ambiente ou por suas crenças? Se for pelo ambiente, o trabalho deve ser na relação do sujeito com o ambiente, se for nas crenças, o trabalho deve ser interno. A fonte do problema está dentro ou está fora do sujeito?Os defensores da TCC podem dizer que é melhor atacar os dois flancos: o interno e o externo. Acontece que as técnicas que trabalham um flanco não precisam do outro e são autosuficientes em si mesmas! Terapeutas cognitivos sabem que suas técnicas são suficientes para resolver qualquer problema. O mesmo acontece com os terapeutas comportamentais. Aplicar técnicas e teorias diferentes sem critérios seria cair no problema do ecletismo, denunciado por Luís Cláudio Figueiredo em seu livro Revisitando as Psicologias: da epistemologia à ética das práticas e discursos psicológicos. A grande questão que ele aponta é que é necessário também uma visão ética e não somente técnica. Aplicar técnicas pelas técnicas, porque elas funcionam seria ecletismo, o que nos leva ao senso comum ao invés do conhecimento científico. Não podemos justificar a aplicação técnica de um conhecimento científico unicamente pelos seus resultados, pois isso cairia no que Karl Popper chamou de “problema da indução”, ou seja, quando o resultado de um ato justifica esse próprio ato. Entramos assim em um ciclo vicioso que não nos leva a lugar algum: o resultado justifica a técnica, que em si justifica o resultado. Mas e o sujeito que está lá, sendo vítima disso? O ser humano é um ser complexo e não é possível reduzi-lo a teorias e filosofias. Porém, as teorias são importantes para tentarmos compreender o ser humano. O que a TCC faz é justamente ignorar essas teorias e fixar-se unicamente nas técnicas e resultados. Mas, ao fazer isso, reduz-se o ser humano a uma visão puramente médica e doentia, justificada pelo resultado técnico. As grandes psicoterapias se destacaram justamente ao considerar o caso do sujeito saudável, de trabalhar com a questão da “saúde mental”. A TCC tecnicista trabalha unicamente com técnicas de tratamento de doença mental e sua base para pensar a saúde mental é a médica: a ausência de doença. A Terapia Cogintivo-Comportamental não vem acompanhada de uma Teoria Cognitivo-Comportamental, porque tal teoria é simplesmente epistemologicamente impossível, pois a teoria cognitiva possui fundamentos diferentes e contrários aos fundamentos da teoria comportamental. Para ilustrar esse ponto, gostaria de apresentar aqui uma citação de um artigo científico escrito por um psiquiatra mestre em psicologia e uma psicóloga especialista em terapia comportamental e cognitiva:

Um dos objetivos da TCC é corrigir as distorções cognitivas que estão gerando problemas ao indivíduo e fazer com que este desenvolva meios eficazes para enfrentá-los. Para tanto são utilizadas técnicas cognitivas que buscam identificar os pensamentos automáticos, testar estes pensamentos e substituir as distorções cognitivas. As técnicas comportamentais são empregadas para modificar condutas inadequadas relacionadas com o transtorno psiquiátrico em questão . (…) Pesquisas na área e a própria prática da TCC vem mostrando que, apesar das diferenças, a integração destas duas abordagens vem apresentando resultados satisfatórios e demonstrando sua viabilidade.

É esse tipo de confusão conceitual que venho denunciar aqui neste artigo. Cientifica e epistemologicamente, o resultado de uma pesquisa não justifica sua validade, somente mostra que ela ainda não foi refutada. Ao mesmo tempo, a simples aplicação de técnicas não garante que houve reflexão ou que existem valores humanos e sociais envolvidos no desenvolvimento dessa prática. Mas isso não impede que existam valores médicos para tratar dos “transtornos psiquátricos”, em detrimento dos valores do sofrimento psicológico. O risco para o paciente é que ele seja ignorado como sujeito e visto unicamente como um cliente a ser moldado e extirpado de seus sintomas que, mais do que fonte de sofrimento, são possíveis caminhos de transformação. O risco é ter o paciente tratado pelo paradigma médico que serve para a medicina, mas não para a psicologia. O risco é que a psicoterapia seja vista como técnicas de tratamento de doenças mentais, ao invés de um conjunto de saberes e práticas que tratam e promovem a saúde mental, não só individual mas também social. Enquanto a sociedade endossar a Terapia Cognitivo-Comportamental tecnicista, corremos o risco de nos perder nessas visões simplistas e reduzidas, e nos subjulgaremos cada vez mais às vontades e designios de uma única classe: dos médicos. Será que é isso que você quer para a sua vida?

OBS: Depois de algum tempo e muito debate com colegas, fiz algumas alterações no artigo, a começar pelo título. Na época que o publiquei, queria um título que chamasse atenção e levasse a reflexões, mas ele não foi compreendido amplamente dessa forma. Muita gente levou de forma pessoal algo que deveria ser conceitual. Por isso, o título “Os Riscos da Terapia Congnitivo-Comportamental”  foi trocada por “Problemas Conceituais da Terapia Cogntivo-Comportamental”, pois é sobre isso que queria tratar. Por conta disso, incluí algumas referências teóricas e nomes de autores que muitas vezes podem não fazer sentido, mas que, de um ponto de vista conceitual, ajudam a defender a proposta do artigo, que é principalmente criticar a posição tecnicista apresentada por muitos terapeutas cognitivo-comportamentais que não percebem o que estão fazendo e defender que as terapias e teorias comportamentais e cognitivas possuem fundamentação e base suficiente não só para a aplicação da técnica, mas também para a reflexão crítica do sujeito psicológico e da sociedade. Em tempo, não estou criticando aqui os terapeutas cognitivos que utilizam o sobrenome comportamental; mas sugiro também a reflexão sobre o uso desse nome, que induz a confusões conceituais de duas abordagens distintas, com valores e teorias diferentes.

Atualização (28/04/2014): Este artigo tem mais de três anos e mesmo assim está recebendo mais comentários do que eu gostaria e menos comentários do tipo que eu gostaria, que são os que provocam discussão enriquecedora. Infelizmente, a maioria dos comentários acabam caindo para ataques ad hominem e não possuem argumentos dos quais eu possa aproveitar. E, também, meu interesse pessoal neste assunto já passou. Agora estou mais interessado em outros temas. Sugiro para os leitores que queiram debater comigo questões de psicoterapia, escolham meus artigos mais recentes. Posso sugerir alguns, como “Sobre a Prática da Psicoterapia” onde discuto o valor da terapia independente da abordagem, ou então “O Valor de uma psicoterapia: teoria vs. prática“, onde discuto a importância da ciência na construção da prática terapeutica. Finalmente, posso sugerir o artigo “A Psicologia e os Modelos de Conhecimento“, onde abordo a relação das diferentes visões de mundo e das diferentes abordagens psicológicas, além de indicar nesse mesmo artigo vários outros artigos meus onde abordo o tema. Quando pensei em escrever este artigo em 2011 ainda foi no intuito de esclarecer para alguns alunos minha posição sobre o tecnicismo aparente da TCC. Novamente, respeito muito tanto as terapias comportamentais quanto as terapias cognitivas. Porém, não consigo respeitar uma terapia que se constrói principalmente através das técnicas e ignora a importância do relacionamento com o cliente. Só quero frisar que não sou contra o debate, muito pelo contrário. Eu quero valorizar esse debate, mas para isso, devemos seguir adiante, para novos pontos ainda não discutidos. Enquanto os argumentos forem ad hominem não tenho o que debater. Espero que nos outros artigos sugeridos possamos fazer isso. Quero agradecer a todos que passaram aqui e deixaram sua opinião e convido-os a continuarmos nossos debates sobre outras perspectivas. Posso encontrá-los lá? Obrigado!

Comments are closed.

Comments (37)

  1. Dr. Hélio

    Estimado colega de profissão, (será?)
    Nunca vi comentários mais patéticos em toda minha vida. Você não tem ideia do que seja a psicologia! Seus argumentos são baseados em loucuras psicanalíticas, que diga-se de passagem, está muito longe de ser psicologia. Qualquer pipoqueiro pode ser psicanalista! A psicanálise não é reconhecida pelo ministério da educação do Brasil, muito menos da França.
    Um terapeuta junguiano nada mais é do que um massagista sexual frustrado. Falo frustrado, porque se você observar tais terapeutas, os mesmos são bizarros fisicamente, mentalmente e com certeza têm um minúsculo falo.
    Não consigo imaginar o nível da instituição que você diz dar aulas. Tampouco imagino onde você tenha se formado.
    Você diz também ter MBA em RH. Nossa!!! Se você não sabia, o RH é uma área da administração. O papel do psicólogo é apenas fazer perguntinhas imbecís e acreditar que está selecionando alguém… e o pior, normalmente eliminar quem seria o mais indicado para a função.
    A população, seja ela leiga ou científica, não acredita na psicologia porque existem pseudo-profissionais iguais a você.

    • Nossa…vc é mesmo um “Dr.” heim sr. hélio? Se vc é psiquiatra, tenho pena de seus pacientes…além de chapados pra caralho, devem estar beirando o suicídio. Que transferência boa não? Ou melhor, transferência em sua conta bancária. Essa sua maneira de comparar falos e profissōes…coloca em evidência teu medo de não ser o detentor de um poder. Ainda tá naquela fase de medir seu p** e comparar ao dos amiguinhos??

  2. […] hoje recebi um comentário em meu blog no artigo que mostrava os riscos da terapia cognitivo-comportamental que veio carregado […]

  3. Caio Freitas

    Tanto o Pablo quanto o Dr. Hélio são exemplos do que me fez abandonar os psicólogos e ir procurar um bom psiquiatra. Tomei antidepressivo por dez meses e com a ajuda deles voltei a fazer uma coisa que não fazia há muito tempo: viver minha vida.

    Engraçado como dez meses de paroxetina me ajudaram infinitamente mais do que cinco anos de terapia com 3 psicólogos diferentes.

    *Vim aqui através do Papo de Gordo, porque fiquei de “queixo caído” com a quantidade de besteiras que o Pablo falou no cast sobre Bullying. Esse Dr. Hélio também não me parece bater muito bem das idéias…

  4. Olá, Caio!
    Obrigado por seu comentário. Tanto é que ele me inspirou a escrever outro post sobre o assunto. Por favor, leia-o aqui: http://pablo.deassis.net.br/2012/02/ainda-um-pouco-mais-sobre-bullying/
    Gostaria muito de saber sua opinião também sobre esse texto.
    Abraços e até mais!

  5. […] um comentário em meu blog de um ouvinte do Papo de Gordo falando das “besteiras” que me ouviu falar […]

  6. Ilmar Lima

    Tanto o amigo sesnso comum que toma antidepressivos, quanto o “Doutor” Helio e vc mesmo, escrevem como amadadores. Ele nao pode colocar em duvida sua formacao, apenas porque voce diverge da opiniao dele ou de outros que defendem a TCC e nem vc pode ou deve desmerecer ou desqualificar a TCC. Hoje (pelo menos uns 20 anos) caros amigos ha um conceito mito maior, chamado SISTEMICO e AMBIENTAL, onde autores como Maturana, Bronfembrenner, Gonzales Rey, Edgar Morim, Garmezy e ate mesmo o Dejours (Psicodinamica do Trabalho), que endossam um pressuposto de interdisciplinaridade e troca mutua de conceitos e saberes. Sim, concordo sobre a tentativa da classe medica de subjulgar as demais (ATO MEDICO), mas, discordo que a TCC esteja colaborando com isso, pois, a questao e bem mais ampla e envolve articulacao politica e poder de organizacao de classe, uma vantagem dos medicos e calcanhar de Aquiles dos psicologos. Portanto, antes de voce postar seus comentarios e conclusoes, fundamente-os e embase-os para que pessoas intolerantes a divergencia de opinioes e um bom conflito de ideias como o nosso “doutor” Helio nao venham a lhe crucificar e colocar seus conhecimentos em cheque. Uma dica de um colega para o outro.
    Ilmar Lima – Psicologo Juridico (TJ/AM) e Ocupacional (Meridional Saude)
    CRP 20/0996

  7. Ilmar Lima

    Tanto o amigo senso comum que toma antidepressivos, quanto o “Doutor” Helio e vc mesmo, escrevem como amadores. Ele nao pode colocar em duvida sua formacao, apenas porque voce diverge da opiniao dele ou de outros que defendem a TCC e nem vc pode ou deve desmerecer ou desqualificar a TCC sem conhce-la a fundo ou pratica-la. Detalhe, nao sou Cognitivo-Comportamental, mas sim, Sociohistorico. Hoje (pelo menos uns 20 anos) caros amigos ha um conceito maior, chamado SISTEMICO e AMBIENTAL, onde autores como Maturana, Bronfembrenner, Gonzales Rey, Edgar Morim, Garmezy e ate mesmo o Dejours (Psicodinamica do Trabalho) endossam um pressuposto de interdisciplinaridade e troca mutua de conceitos e saberes. Sim, concordo sobre a tentativa da classe medica de subjulgar as demais (ATO MEDICO), mas, discordo que a TCC esteja colaborando com isso, pois, a questao e bem mais ampla e envolve articulacao politica e poder de organizacao de classe, uma vantagem dos medicos e calcanhar de Aquiles dos psicologos. Portanto, antes de voce postar seus comentarios e conclusoes, fundamente-os e embase-os para que pessoas intolerantes a divergencia de opinioes e um bom conflito de ideias como o nosso “doutor” Helio nao venham a lhe crucificar e colocar seus conhecimentos em cheque. Uma dica de um colega para o outro.
    Ilmar Lima – Psicologo Juridico (TJ/AM) e Ocupacional (Meridional Saude)
    CRP 20/0996

  8. Winston

    Cara você é uma vergonha para a Psicologia que texto mais absurdo é esse ?
    Como uma pessoa que estuda mais de 5anos pode acreditar em qual quer
    historia que outros contam, ainda mais sendo Psicologo um ser Critico,
    Tira isso você só esta queimando seu trabalho já vi varias criticos falando
    a seu respeito na internet, que isso, volta a estudar ..
    Fora que a Terapia Cognitiva Comportamental não tem esses danos que você
    coloca, se tivesse a Organização Mundial de Saúde nunca aprovaria. fora que
    a ultima pesquisa feita por ela aponta como o meio terapeutico mais eficiente.
    Eu deveria te denuncia ao CRP por uma calunia dessa…
    Psicanalista você não deve ser Psicologo e deve estar fazendo isso para promover a sua abordagem.. RIDICULOOO, realmente estou com muita DÓ de você..

  9. Kaique

    Pelo amor de Deus, vc teve ter algum disturbio não é possivel..
    Como vc monta uma historinha desse tipo e sai publicando na internet
    fora que isso vai contra vc que é psicologo.
    Já mandei um e-mail para o CRP avisando dessa idiotice que publicou aquii..
    VERGONHAAAA PARA OS PSICANALISTAS…

  10. Penha

    Boa tarde, para todos..

    Doutores, me desculpem se eu não souber me expressar bem, quanto ao dilema que venho passando por conta do que está acometendo minha filha tão querida e muitíssimo amada! Há cerca de 7 meses ela vem apresentando alguns sintomas psicológicos que estão afetando consideravelmente a sua vida como num todo. Contudo, ela deixa claro a sua ânsia pela vida e por tudo o que ela gosta de fazer. É estudante de Direito na UERJ, tem namorado, muitos amigos e um lar que lhe propicia uma vida digna. Além de mim e o pai que a ama incondicionalmente. Desculpem-me se porventura eu escrever um português errado. O que me fez vir aqui e deixar minhas humildes palavras à todos vocês doutores, foi porque , como já especifiquei o caso de minha filha, venho procurando me informar sobre o TOC, assim diagnosticado por uma Psicóloga. Além de procurar informação quanto ao TOC, procurei também me informar sobre o Tratamento Cognitivo Comportamental. O que me angustia é saber que hoje temos uma ferramenta INTERNET para nos levar aos melhores lugares e aos piores… infelizmente, nessa minha procura desvairada de encontrar o melhor para minha filha, me deparo com essas informações como um tiroteio de bang-bang. Não me ajudou em nada, só está me deixando amedrontada. Não sei agora em quem confiar! Sou leiga! Estou quase desistindo de procurar ajuda de Psicólogo, Psiquiatra e Terapeuta. Peço a um de vocês que , se realmente são verdadeiros consigo e com os votos de juramento que fizeram ao se formarem, prometendo cumprir com a OBRIGAÇÃO LEGAL de tratar pacientes seres humanos , sim estou fazendo essa referência, porque ultimamente, o que os noticiários nos mostra é um descaso muito grande por parte de péssimos profissionais que tratam as pessoas como se fossem um caso perdido. Aplicam leite na veia e por ai vai.. só um exemplo .E que, além de estar provado na mídia o despreparo para com os doentes ,temos que nos deparar com os cifrões que muitos visam a custa do sofrimento que se instalou nesta família. O meu objetivo aqui e agora é: Se um de vocês acima tem respeito pelas pessoas que estão tendo problemas psicológicos, DENUNCIEM OS FALSOS OU OS DESPREPARADOS MÉDICOS QUE NÃO SOUBERAM ESTUDAR E FAÇAM DESSA NOSSA TÃO IMPORTANTE FERRAMENTA SER BEM UTILIZADA EM PROL DA NOSSA SOCIEDADE QUE JÁ SOFRE DEMAIS COM O DESCASO DA SAÚDE PÚBLICA! Ah! Além de que , Psicólogos e demais da área não são cobertos por planos de saúde… cada um faz a sua tabela… e ainda corremos o risco de não obter o verdadeiro diagnóstico. Mais uma vez, meu intuito aqui não é ofender ninguém, não entendo de nada do que falaram ,só entendi que nada ficou claro e só me causou insegurança nesta área que trata o psicológico. Vocês tem ideia de como nós leigos que estamos com esses problemas ficamos ao nos depararmos com com tais argumentos? o artigo acima tem fundamento verdadeiro ou não? quem de vocês doutores tem razão? Um abraço e muita reflexão para todos!!. Renata.

  11. Adriana

    Parei de ler quando você comparou a mente humana a um sistema de câmbio de automóveis. Cara, SÉRIO? WTF?
    E vamos deixar as pessoas aprenderem como o suicídio é uma ótima solução para qualquer problema – é engrandecedor!
    E vem o outro comentando sobre tamanho de falo. Por favor, seriedade tá em falta no mercado?

  12. […] todas elas possuem técnicas que funcionam, como acabei mostrando em meu artigo sobre a terapia cognitivo-comportamental, porém, técnicas que funcionam não são garantia de sucesso ou o resultado não justifica a […]

  13. Hermogenio Avelino

    O sentimento ao ler esses comentários é horrível, e pensar que o colega Pablo e outros são tbm psicólogos. Por este motivo o “ato médico” está nos ameaçando, podendo transformar a saber médico em poder médico. Colega Pablo pense sua atuação como cidadão e profissional. Abraço

  14. Hermogenio Avelino

    O meu comentário?

  15. Junior Greve

    Caro escritor.!! isso não passa de sua opinião.!

    só uma pegunta pra você!

    Cada as referências teóricas que embasam suas argumentações contra a TCC?

    nehuma né!

    • passis

      Olá, Júnior! Acabei de editar este artigo e incluí algumas referências que defendem a minha argumentação. Espero ter sido útil!
      Obrigado!

  16. Ilana O.

    Assisti hoje um curso sobre psicopatologia na faculdade e eis que o palestrante convidado era Pablo de Assis.
    Não entendo sobre teorias, vertentes da psicologia então não posso dar uma opinião sobre esse texto, nem sei o quão bom é o Pablo tratando seus pacientes. Só sei que a mensagem que ele passou me deixou preocupada, curiosa e feliz ao mesmo tempo.
    Pablo tentou explicar o outro lado da moeda. Veio a um grupo de futuros farmacêuticos reunidos numa sala e mostrou suas críticas sobre o uso abusivo, muitas vezes desnecessário de remédios. Mostrou como o sistema gira em torno do dinheiro, estimulando cada vez mais o uso de remédios para se ter uma vida “perfeita”. Tenho certeza que ele fez a grande maioria dos alunos que estavam ouvindo refletir sobre como nós não queremos ser peças desse sistema.
    Um dos momentos que eu mais gostei da palestra foi quando ele citou a importância do sofrimento. Por que a pessoas não conseguem ver um problema como uma oportunidade de evolução? Quais são os valores, as crenças, o caráter de uma pessoa que nunca passou por um sofrimento na vida, nunca teve de lidar com uma situação adversa? Ai, interessada sobre o trabalho dele, venho ler o seu blog e acho uma crítica como da Adriana “E vamos deixar as pessoas aprenderem como o suicídio é uma ótima solução para qualquer problema – é engrandecedor!” … É realmente muito claro como as pessoas tem dificuldade em enxergar esse outro lado da moeda… Vi também a crítica do tal Caio sobre a opinião do Pablo sobre o bullying, fui então checar o que ele disse sobre o assunto e mais uma vez vi um profissional tentando ampliar a visão, mostrando que ninguém é incoerente, somos o que somos porque há um contexto que nos guiou até aqui, e ninguém é 100% vítima, nem 100% agressor.
    Me sinto a vontade pra opinar aqui porque sofro de Ansiedade, ja frequentei muitos psicólogos e psiquiatras e fui muito “zuada” na escola! Então sei do que estou falando.
    Enfim, “Conhecimento não é aquilo que você sabe, mas o que você faz com aquilo que você sabe.” Eu acredito muito nisso. E, Pablo, com certeza você faz muito bom uso de tudo o que você aprendeu. Fico feliz em ver pessoas usando seu conhecimento pra tentar abrir o olhos de outros.
    Já esse DOUTOR Hélio não soube fazer uso do conhecimento sobre psicologia nem na sua crítica… teve que apelar pro tamanho do órgão sexual! HAHAHA
    Lamentável…

  17. Décio

    Pablo, várias informações no seu artigo estão equivocadas, caso queira posso lhe passar algumas referências que irão esclarecê-lo sobre os tópicos.

    • passis

      Valeu, Décio! A conversa que tive com você foi muito bacana e bastante útil para que eu pudesse revisar este artigo.
      Obrigado!

  18. Pierre

    Só queria registrar a gosma venenosa desse Dr, Hélio, ainda que o Pablo possa ter se equivocado ou se expressado indevidamente em suas opiniões. Repare o Dr. Falo, ou melhor, Hélio falando sobre dimensões fálicas… isso prova que ela usa somente a cabeça de baixo e sua fala é preconceituosa e agressiva. É terrível ver isso num fórum de pessoas cultas e liberais!

  19. Damares

    GENTE É O SEGUINTE NÃO É PRA TODOS QUE OS REMEDIOS FUNCIONAM E NEM PRA TODOS QUE AS TERAPIAS FUNCIONAM ENTAO CALMA TUDO É QUESTAO DE EXPERIENCIA REAL E O QUE TE FAZ SENTIR REALMENTE BEM. ESSE ARGUMENTO PRA MIM FOI MUITO ESCLARECEDOR E SERVIU PARA EU TOMAR MAIS CUIDADO E IDENTIFICAR MELHOR OS MÉDICOS BONS E OS PSICOLOGOS BONS DE VERDADE, ISSO REALMENTE FOI UM GUIA MUITO ESCLARECEDOR PARABENS PARA QUEM O FEZ E CONTINUE ASSIM.

  20. lais araujo

    Agressivo demais o tom da matéria e o de alguns comentários. Natural que a réplica fosse em tom pouco amistoso. Pareceu-me que a crítica foi dirigida aos maus profissionais, e não à TCC. Deixo abaixo um link que ilustra o quão sério e científico é o trabalho de validação da TCC. E que linda parceria a dos psicólogos, sejam qual for a linha que sigam, e dos médicos… os pacientes só têm a ganhar. Em tempo, nos juramentos de formatura, não há referência a lutar para não ser maior ou menor que outro profissional da área…mas de comprometimento com a saúde…Vivam sua profissão em sua plenitude, ser se preocupar com “fantasmas”. Quem se preocupa com o alheio, deixa de se ocupar com sua própria existência.

    Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva

    Publicação: Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental (ABPMC)

    Missão: A revista tem como objetivo publicar contribuições de artigos de abordagem comportamental e cognitiva, supondo-se um objetivo comum: o método experimental como maneira de produzir conhecimento, conceitos formados a partir de observações sistemáticas e análises comportamentais, originadas da aceitação de que o objeto de estudo dessas abordagens em psicologia é complexo mas ordenado e não casual.

    http://www.usp.br/rbtcc/index.php/RBTCC

    • Oi, Lais!
      Obrigado pelo comentário… era esse tipo de discussão que estava procurando, com argumentos construtivos e possibilidade de discussão de ideias! O que mais gostei dele é que essa revista vai ao encontro do meu argumento: basta percebermos que a revista aproxima as abordagens, mas percebe e reconhece suas diferenças. Essa revista revisa uma posição antiga da psicologia, a da psicologia experimental… Muita coisa começou com essa visão… mas agora, a revista se fecha – algo até necessário para o aprofundamento conceitual – sobre duas abordagens experimentais diferentes que possam contribuir para a compreensão da nossa área.
      O mais importante é não termos as confusões conceituais que muitas vezes aparecem nos maus profissionais e que acabam sendo utilizados por gente de má-fé para manipular a opinião pública sobre o que é verdadeiro e falso sobre saúde mental…
      Novamente, obrigado e espero ver mais comentários e contribuições assim!

  21. Jordan Menezes

    Muito interessante seus comentários e o blog Pablo, equivocados ou não, não somente este artigo, mas os outros que você posta merecem uma verificação intelectual coletiva.
    Infelizmente alguns de nossos dito cujo renomados intelectuais e psicólogos que se explicitaram verbalmente aqui, não contem a sua animosidade quando vêm a discordância entre o padrão pensante subjetivo deles em relação a outra opinião, na qual esta assegurada pela nossa constituiçao como direitos basicos coletivos acerca da honra no Artº5 paragrafo IV, IX e X especificamente neste contexto presente.
    Acabei encontrando seus artigos quando estava procurando opiniões sobre todos os tratamentos psicoterapicos.
    Talvez possamos nos comunicar no decorrer do tempo, tenho varias ideias escritas que notoriamente ao meu ver, contradizem positivamente, os métodos atuais e a eficacia da existência deles, que muitos deles são contradições performativas.

    estou no terceiro período de psicologia, somente uma observação rs
    Abraços

    Jordan Menezes

  22. jenniffer

    Tanta bobagem..e ignorância de alguns comentários…=/….
    1-a TCC funciona é isso que o cliente espera e ponto final. (pois é isso que o cliente quer)
    agora o papel do psicólogo de fato é questionar sua abordagem e sua aplicação, resultado… sempre buscando o bem-estar do paciente/cliente e não buscar cura.. pois buscar a cura é utópico… buscar algo que não existe….
    2- psicólogos ou médicos devem juntos buscar um trabalho multidisciplinar e satisfatório e não “sobre-por” sua profissão à outra…. tudo é valido para buscar um equilíbrio para o paciente/cliente com respeito e ética… o radicalismo aqui citados por alguns desmerece as profissões…. por isso o mundo tornou-se esse “mar-de-lixo-e-intolerância”….

    o artigo é importante e válido…não sou adepta a psicanálise… tenho respeito por ela como qualquer outra abordagem cientifica ou não…acima de qualquer coisa dou valor a minha profissão (psicóloga) pois sei que dela vejo resultados… infelizmente há bons/maus profissionais em qualquer lugar e em qualquer área… desmerecendo e “queimando” a imagem dos bons profissionais.
    Bom em geral, parabéns pelo artigo mesmo não concordando com alguns pontos, porém toda construção teórica, é construção de conhecimento e deve ser respeitada e explorada.

  23. Vinícius Krausz

    Desculpe gente, eu não sou psicólogo nem psicanalista, mas tenho uma grande interesse por psicologia, psicanalise e filosofia, tenho lido vários artigos na internet nos últimos anos, que com certeza não me fazem uma autoridade intelectual no assuntos, rs, no entanto, ainda me reservo ao direito de expressar minha opinião, inclusive porque considero que qualquer manifestação subjetiva a partir de uma experiência vivida é válida quando tratamos de seres humanos. Além disso, tenho feito terapia com uma psicóloga Junguiana no último ano, que tem me feito muito bem, e me ajudado a enfrentar os meus problemas, o que só tem me feito ampliar minhas reflexões, e meta-reflexões sobre estes assuntos.

    Eu particularmente desconfio de teorias da Psicologia que se baseiem demasiadamente em gráficos e aplicações de técnicas. Não só da psicologia, mas qualquer ciência, rs.

    Acho que tudo isso tem muito a ver com a questão da contemporaneidade. A psicologia indiretamente se põe numa posição não só de tratar as questões pessoas, mas interpessoais, ajudando as pessoas a lidarem e enfrentarem seus problemas e se inserirem socialmente, já que esse é um desejo de todos nós. A questão é que diversos valores dessa sociedade deveriam ser postos em cheque, não necessariamente criticados, mas ao menos pensados, avaliados, considerados, como o academicismo, o tecnicismo, o pragmatismo, as lógicas do mercado, um processo de dessubjetivação dos sujeitos, estimulo ao consumo, a sexualidade e uma moral da felicidade, para manutenção de um sistema capitalista, em que a publicidade e medicina também exercem um poder-saber sobre nós. Enfim, isso não é uma questão que diz respeito somente aos psicólogos e médicos, mas a toda a sociedade ocidental. A toda a nossa estrutura de poder. Eu realmente, fico meio em dúvida se é isso que nós desejamos. Porque os psicólogos não se preocupam em produzir conhecimento estruturalmente novo, além da psicanálise e da psicologia já existente? Em vez de vocês brigarem entre si, porque não se tornam psicólogos anti-psicólogos e os psicanalistas anti-psicanalistas no sentido, de utilização de um anti-modelo desconstrutor de discursos? Será que não existe nada que transcenda a moral, o prazer pelo prazer e não seja um ideal?

    Só para desconstruir o argumento de muitos psicólogos. Quem disse que nós pacientes desejamos que a terapia simplesmente funcione? Vou deixar essa questão no ar.

  24. Paciente Anônimo

    Achei muito interessante o artigo, mas há um ponto do qual discordo: a TCC nem sempre funciona. Após mais de 10 anos de tratamento com uma psicóloga recomendada por um renomado psiquiatra, minhas queixas básicas ainda estavam presentes e acredito que nem outros 10 anos seriam suficientes para solucioná-las, Essas queixas não tem nada de extraordinário, o que acabou tornando insustentável a ideia de permanecer num tratamento de quase R$600,00 por sessão e que estava demorando tanto para dar resultado.

    Me reconheci no artigo quando você escreveu que o “sujeito é visto unicamente como um cliente a ser moldado e extirpado de seus sintomas”. Era exatamente assim que eu estava me sentindo, como alguém que era construído à imagem de um modelo supostamente mais “funcional” do que eu mesmo, mas que, no fundo, não era eu. De que adianta?

    Também me tocou o ponto em que você apresentou as bases da terapia cognitiva. Uma das poucas coisas das quais me ressinto nessa história toda é que, durante todo o tratamento, me foi passada a ideia, mesmo que de forma tácita, que através da terapia eu poderia desenvolver potenciais praticamente infindáveis. A maturidade e a vida mostram que nutrir essa ideia é um misto de ingenuidade e de crueldade.

    Como todos os que aprendem a partir de suas experiências, hoje tenho uma visão cética sobre a psicologia como ferramenta de saúde. Acredito sim que essa seja uma área de potencial para o futuro, mas arrisco-me a dizer, com base não só nessa minha experiência mas também em relatos de amigos, que é muito deficiente o controle de qualidade das terapias e dos profissionais capazes de aliviar o sofrimento alheio.

  25. Camila

    Prezado Pablo, vejo que este post é relativamente antigo, não sei se nem se ainda cabe comentar. Vim parar aqui, numa busca que estava fazendo sobre mitos e verdades da TCC, abordagem com a qual me afino. Vejo que seu texto é bem escrito e que embora coerente, reflete alguns mitos. Digo coerente por diversos aspectos, existem de fato inúmeros psicólogos da abordagem que se restringem a aplicação de técnicas, o que é de fato preocupante, tanto para a população geral, como para a qualidade da psicologia clínica como um todo (dentre outros aspectos percepção que se gera da área), e também para a própria TCC que acaba por ter uma imagem estereotipada. Apesar de ter a TCC como norte teórico, reconheço que muitos profissionais e estudantes “psis” procuram pela TCC por entenderem que é uma abordagem fácil, e que tem resultados rápidos e grandes demandas, e sim isso é de fato preocupante. Já vi pessoas deixando outras abordagens e fazendo cursos de TCC, alegando estes motivos, e isso não é legal. Digo isso, pois ao meu ver,entendo que a abordagem tem que ter a ver com a nossa visão de sujeito e de mundo. Mas, qual abordagem não tem péssimos profissionais, tive a oportunidade de conhecer alguns até aqui. Para citar um exemplo (vou tomar a psicanálise, não por rixa, mas por partir dela as maiores criticas destrutivas com relação a TCC), alguns terapeutas de base analítica parecem decorar aqueles discursos bonitos, sedutores e por vezes utópicos da psicanálise (e me perdoe por um instante, mas o seu me soou bem parecido ao falar de saúde mental) e assim como todos nós nos preocupamos com relação a como a TCC pode ser utilizada, me questiono qual a aplicabilidade clínica, em termos de alívio de sofrimento, de todo aquele falatório. Na realidade não só me questiono, como questionei diversas vezes aos profissionais da área e assim como você com relação a TCC, não encontrar sentido algum. Não quero aqui defender o meu quinhão, ofendendo o do outro, só quero expor que essas incompatibilidades com algumas abordagens existem, e elas não se dão por uma falta de uma boa fundamentação destas, mas na verdade pelas diferenças na visão do sujeito. Mas tudo bem, neste ponto você de fato questionou a fundamentação da TCC, e seu texto é sim coerente quando fala desta abordagem enquanto modelo médico. É verdade, a TCC segue um modelo médico que foi adaptado para a psicologia. Um observação que gostaria de deixar, é com relação a Terapia Racional-Emotiva, podemos dizer que ela é uma TCC originária de um modelo psicológico, e talvez faça mais sentido para você. Mas voltando, vamos tentar deixar um pouco de lado esta teoria da conspiração a cerca da aliação da TCC com os médicos, e colocar ambos como os vilões da psicoterapia de qualidade. Se a TCC é indicada pelos psiquiatras, não poderia também ser pelo fato do consenso existente na área sobre a contribuição desta para os pacientes? Afinal, não podemos ignorar os resultados da vasta produção científica. Ainda com relação à fundamentação da TCC, é um mero engano entender que se juntou uma corrente cognitiva ortodoxa, com a corrente behaviorista radical e se resolveu dar o nome dessa união de Terapia Cognitivo-Comportamental. Não, a TCC não pode ser entendida dessa forma, até hoje os cognitivistas não se bicam os os comportamentalistas, afinal, se tomadas isoladamente, elas são sim antagônicas e não faria sentido nenhum uní-las. Mas o que aconteceu foi que Beck, assim como Ellis, perceberam que atividades comportamentais, como a exposição aos estímulos aversivos e a determinas situações poderiam também mudar o pensamento disfuncional sobre determinados eventos. Então por exemplo, em casos de fobias específicas, se sabe que um exposição gradual ao estímulo aversivo faz com que a pessoa habitua sua ansiedade e consiga se aproximar e perceber cognitivamente que aquela situação não oferece reais perigos. Por outro lado uma reestruturação cognitiva, que pode ocorrer de forma paralela, pode contribuir na resignificação, e possivelmente gerar pensamentos mais realistas com relação ao que se tem medo, facilitando a aproximação e habituação, e o que acontece é que todas as variáveis envolvidas se reforçam. O que talvez precise ficar claro é que a TCC, faz uso de atividades comportamentais, como forma de reforçar novas cognições mais funcionais, mas isso está bem longe de ser terapia comportamental. Claro, que é importante analisar as contigências dos comportamentos, mas penso que isso é importante para qualquer terapeuta. Existem reforçadores ambientais que estão diretamente ligados aos nossos pensamentos e comportamentos sobre determinada situação, e a manipulação destes pode sim, trazer melhora na terapia, através da facilitação de novos comportamentos e por conseguinte pensamentos. O contrário também é verdadeiro, a alteração no pensamento traz alteração no comportamento. Eu diria que a TCC, entende que pensamento, emoção e comportamento se influenciam mutualmente. Bem, compreendo o seu discurso com relação a saúde mental, e como para você ela deveria ser considerada, mas é interessante que você observe que este é um ponto de vista seu e das teorias das quais você faz uso, é um discurso que tem a ver com a forma como você enxerga o ser humano, mas é importante se perceber que essa forma não é a única correta e que as outras (lê-se TCC) desconsideram a subjetividade e tantas outras coisas que não procedem e que ouvimos por aí. É interessante também refletir se você não está estereotipando a forma como os psiquiatras enxergam seus pacientes, só pelo fato de fazerem parte da grande inimiga da psicologia: a medicina. É claro que os psiquiatras vão passar medicação em alguns casos, pois elas são sim necessárias em parte deles, mas se engana quem pensa que psiquiatra medica todo mundo, a fim de normatizar, se fosse isso, não encaminharia para a TCC, na verdade eles não teriam nem feito psiquiatria, que lida com questões tão subjetivas e com bases fisiológicas ainda não tão definidas. E não nós psicólogos da TCC também não queremos normatizar nem robotizar ninguém, queremos aliviar o sintoma que traz sofrimento. Bem, essas são minhas colocações, esse assunto daria muito pano para manga, e pode gerar discussões muito ricas. Abraços

    • Olá, Camila!
      Obrigado por comentar, mesmo sendo antigo… E obrigado por fazer um comentário no nível que imaginava: com seriedade e argumentos! Espero poder vê-la aqui mais vezes com outros comentários mais desse nível!
      Mas, da mesma forma como você aponta alguns “mitos” sobre meu texto, gostaria de apontar alguns outros sobre sua resposta – como forma de provocar a reflexão… Pode ser?
      Você diz que “Se a TCC é indicada pelos psiquiatras, não poderia também ser pelo fato do consenso existente na área sobre a contribuição desta para os pacientes? Afinal, não podemos ignorar os resultados da vasta produção científica”… Acontece que a “vasta produção científica” não é só da TCC, mas de diversas outras abordagens. E mesmo que não existam tantas publicações assim sobre terapia psicodramática ou logoterapia ou qualquer outra abordagem, isso em nada significa um desmerecimento dessas abordagens. Quantidade de publicação não significa outra coisa alem que existem mais artigos publicados. Só isso. Só podemos dizer cientificamente sobre um embasamento científico melhor de uma aplicação técnica sobre a outra quando comparamos essas abordagens em uma pesquisa comparativa. E quando fazem isso, eles chegam invariavelmente à conclusão que a técnica ou abordagem não importa para o sucesso da terapia: o que importa é a qualidade da relação terapêutica ou a experiência do terapeuta. Sugiro a leitura deste breve artigo que comenta sobre isso (http://www.scientificamerican.com/article.cfm?id=are-all-psychotherapies-created-equal). Ou seja, não existe base científica alguma para que a psiquiatria prefira a indicação da TCC sobre as outras abordagens, a não ser uma preferência ideológica para tal…
      E sobre a aproximação do cognitivismo com o comportamentalismo, eu falo sobre isso no meu texto: a pesar de cognitivistas que utilizam o “sobrenome” comportamental continuarem sendo cognitivistas e se oporem a visões de homem comportamentais radicais, existem ainda aqueles – como indiquei no artigo do psiquiatra – que aproximam as técnicas e assim constroem a TCC… É sobre essa aproximação tecnicista que me refiro no artigo…
      E finalmente, sobre o papel da psiquiatria, bem, não vejo a medicina como a grande inimiga da psicologia – de certa forma acho que a própria psicologia é sua própria inimiga (homo homini lupus)… mas vejo que a grande prática da psiquiatria seja sim para medicar. Digo isso não só de experiências pessoas, mas também dos relatos de pacientes que vieram de psiquiatras. Ao mesmo tempo, o que vejo de psiquiatras é que o papel do psicólogo é garantir a adesão ao tratamento medicamentoso. E outra coisa, nenhum medicamento é realmente necessário para tratar nenhum transtorno mental, principalmente porque o fundamento deles é completamente falho. Se quiser base científica para isso, sugiro conhecer o site http://www.badscience.com que o autor comenta diversos problemas desse embasamento!
      Enfim, é sempre bom discutir com quem realmente conhece! E obrigado por suas colocações esclarecedoras!
      Abraços e volte sempre!

  26. Luciana

    Prezado. Concordo com muitos pontos do seu texto, em especial no que se refere a psiquiatras que imediatamente sugerem a TCC. Já aconteceu comigo. Mas percebo uma amargura em relação à medicina que é o que fomenta a grande crítica que existe em relação a muitos psicólogos. Enquanto existem psiquiatras que imediatamente receitam antidepressivos a pacientes que poderiam se beneficiar da psicoterapia, existem muitos psicólogos que insistem em tratamentos psicoterápicos em pacientes que claramente precisam do tratamento alopático.

    Vou dar o meu exemplo. Eu sou uma mulher de 38 anos, sou gorda e fui diagnosticada há 5 anos com transtorno depressivo maior. Após muito tempo consegui determinar que meu transtorno depressivo na verdade começou quando eu tinha em torno de 24-25 anos. Passei os primeiros 3 anos piorando sem saber o que estava acontecendo. Eu comia, dormia, não trabalhava, comia e dormia. Eu vegetava. Era essa minha rotina e engordei 30 kg em 2 anos. Eu já estava muito mal. Comecei a fazer terapia. A abordagem do psicólogo era misturando psicanálise e TCC. Quando dizia que achava que tinha alguma coisa muito errada comigo, ele me fazia “entender” que eu sou responsável por tudo que acontece comigo e que dependeria unicamente de mim mudar. Passei os anos seguintes fazendo terapia sem nenhuma melhora visível. Após anos, tive coragem de parar com essa terapia. Um dia, me consultando um endocrinologista por causa do meu peso, fui encaminhada a um psiquiatra com suspeita de depressão. O psiquiatra me disse que eu tinha depressão crônica há anos e somente terapia não seria mais efetiva no tratamento. Que seria necessária a associação. Este médico, porém, era adepto de usar drogas novas no mercado e TCC para que eu pudesse emagrecer. Eu acabei abandonando esse psiquiatra porque o endocrinologista que o havia indicado me assediou no consultório. Fiquei traumatizada e cortei qualquer relação com o que tivesse a ver com ele. Foi aí que as coisas começaram a mudar. Eu recebi uma indicação de uma psicanalista. Comecei a análise. Depois de mais ou menos 6 meses, tive uma crise depressiva que durou vários meses e fui demitida do meu emprego. A minha analista, vendo o meu quadro, foi profissional o suficiente para admitir que eu também precisava de tratamento médico e me indicou outro psiquiatra. Este psiquiatra viu que meu quadro era avançado, começou o tratamento com antidepressivos e disse: é fundamental que vc continue a sua psicanálise. Nunca houve a preocupação do meu psiquiatra ou da minha analista com o meu peso por uma razão óbvia: uma vez tratada a depressão e a origem do problema, o emagrecimento será uma consequência do bem estar.

    Essa é minha grande crítica a abordagens terapêuticas, sejam elas médicas ou psicológicas, que focam no problema e não na causa. Não existe isso de defender uma classe ou outra. Há médicos e médicos, e há psicólogos e psicólogos. Há o bom profissional e há o incompetente. Não adianta atacar médico e indústria farmacêutica como se os remédios pudessem ser substituídos por uma “boa” terapia. Não podem. Da mesma forma, não adianta atacar a psicologia como supérflua. Existem muitos e muios transtornos que podem se beneficiar, e muito, de terapia sem intervenção médica. As duas ciências são igualmente importantes no tratamento de transtornos mentais e deveriam andar de mãos dadas. Mas, infelizmente, nessa guerrinha entre médicos e psicólogos, só quem sai perdendo é o paciente.

    • Olá, Luciana!
      Obrigado pelo comentário, de verdade. E obrigado por abrir aqui sua história que é muito tocante… De fato, o caminho terapêutico de cada um depende de cada um. O seu caminho deu-se com a ajuda – ou não – de todos esses profissionais, além dos encontros e desencontros com várias outras pessoas no decorrer de sua vida. E isso é mais importante do que o efeito alopático de qualquer remédio que você tenha tomado nesse caminho. Não quero em momento algum diminuir sua história, porém, é bom perceber que você sempre teve essa capacidade de melhora dentro de você, sem precisar de alopatia.
      Acabei me inspirando na resposta que iria dar e escrevi um outro artigo sobre isso que gostaria que lesse e comentasse também. Ele pode ser lido aqui: http://pablo.deassis.net.br/2014/01/psicofarmacos-terapia-e-o-efeito-placebo/
      Obrigado novamente, e até a próxima!

  27. JOUSTOU

    Ao ler o post, mesmo sendo antigo, eu como estudante de psicologia tive um insight: a psicologia se importa mais com debates epistemológicos, isto é, uma posse do conhecimento sobre a subjetividade humana, do que nos seus resultados práticos. Se o terapeuta consegue auxiliar o indivíduo em seus problemas, o conduzir ao autoconhecimento e uma vida mental mais saudável, que diferença faz se o ser humano é determinado pelo ambiente, pelo inconsciente, pela cognição, se busca a autorealização, se é produto de uma sociedade ou de um tempo histórico? A psicologia por ter como objeto de estudo a subjetividade humana, em suas discussões teóricas parecem mais com uma discussão filosófica, tal, como por exemplo, a natureza do ser, que é questionada desde os gregos, mas que de valor prático nada tem. Quando se pensa no valor prático da psicologia, seja na clinica, na empresa, seja na escola, as teorias devem tornar-se técnicas empregadas para o alcance de algum objetivo, e seja o seu teórico de referencia FREUD, JUNG, SKINNER, ROGERS,BECK, VIGOTSKY,PIAGET,o que importa sim é o resultado. São os resultados práticos que devem justificar a teoria explicativa, e não a teoria justificar o por que o seu emprego prático deve funcionar e as outras não.

  28. Elis

    Faço minhas todas as palavras escritas pela Luciana, parabéns pelo comentário!

  29. Psicologia em Movimento

    Penso que tudo que foi colocado aqui, é construção de conhecimento. Não se trata de certo ou errado. Não existe a técnica certa e sim as adequadas a cada paciente.

    O paciente, deve ser visto em primeiro lugar e todos os seus significados e significantes, pensamentos, ações e reações.

    Acredito que tirar o sintoma sem observar sua origem seja aplicar a mesma medicação para a mesma doença. A exemplo do analgésico, que tira a dor de muitas dores de cabeça, sem atentar para as causas da mesma. Mas sem duvida deve ser prescrito, se você pensar no paciente e depois na doença.

    Penso que a TCC é efetiva em muitos casos, sim. Mas não se pode ignorar que muitas vezes através da ressignificação, a TCC impede o sujeito de entrar em contato com os reais significados, sobrescrevendo sobre estes, que fica ignorados e portanto sem resolução, pois some o sintoma, a melhora existe, mas o crescimento e o auto conhecimento se dá apenas a nível cognitivo e comportamental. “Como eu penso sobre isto e como ajo sobre isto agora”.
    Não sou psicanalista, também acredito em sua eficácia, mas que as vezes nela falta o que fazer com os significados. “Como pensar e reagir de forma funcional agora que os conheço? Nem sempre o insigth dá conta dessas respostas.

    O que quero observar é que desde a faculdade, penso que as teorias são formas diferentes e incompletas de se ver o mesmo sujeito. Nenhuma pode excluir a outra, o sujeito é o todo, e deve ser visto desta forma e o objetivo é ajudá-lo. Enquanto terapeutas cabe não nos engessar, e buscar a interdissiplinaridade, o ser humano está em constantes mudanças, não é interessante nos fecharmos a novas discussões e visões?
    Sejamos antes de tudo empáticos para com nossos paciente e principalmente éticos.

  30. Vinícius

    Queria saber quem é o sujeito que consegue dizer o que é valido para algumas pessoas, ou para nenhuma, ou pior, o que consegue fazer uma generalização desta grandeza com argumentos conspiratórios, delirantes e paranoides. Sugiro a você uma leitura primaria deste artigo cientifico para esclarecer suas duvidas das diferenças tanto metodológicas, quanto filosófica, você vai entender o porque a psicologia cognitiva encorporou experimentos comportamentais para o tratamento cognitivo. Dê uma lida no primeiro livro do Aaron Beck chamado “Terapia cognitiva para a depressão”. Mas se você estiver com preguiça de ler, porque certamente você não leu o suficiente para fazer essa critica, você pode ler minha monografia. Entre em contato comigo, vamos esclarecer algumas duvidas. Estou aberto ao dialogo e não me qualificarei e jamais terei a pretensão de carregar uma verdade narcísica do tamanho deste artigo. A unica coisa valida que aproveitei de seu artigo foi uma tentativa frustrada de fazer o que Karl Popper explica, a máxima de “Falsear uma ideia”, e acredito que isso faz ciência, mas antes de fazer-la, leia mais, descubra mais, saia desta posição de dono da verdade, isso é terrível e só compensa este seu ego frustrado.

    http://www.iaccsul.com.br/index.php/content-layouts/49-mas-afinal-qual-a-diferenca-entre-terapia-cognitivo-comportamental-e-terapia-comportamental

    • Poxa, Vinícios, muito obrigado pela indicação do artigo! Porém, quero aproveitar para apontar algumas questões da sua própria argumentação. Você começa fazendo um diagnóstico superficial de delírio e paranoia, para depois finalizar com outro diagnóstico de “ego frustrado” e no meio comenta que está aberto ao diálogo e não se qualificará e jamais terá a pretensão de carregar uma verdade narcísica do tamanho desse artigo. Mas não compreendo como pode alguém que jamais faria algo assim comentar de tal forma que faz algo assim…
      Percebe a incongruência? Talvez seja essa mesma incongruência na sua forma de se expressar que não tenha percebido que o teor da minha crítica é com relação ao aspecto tecnicista da TCC que aparece muito por aí – como pude ilustrar no artigo – que não tem serventia científica, mas se é amplamente defendida pelos médicos como “a melhor terapia” (mesmo não existindo evidências que justifiquem esse argumento), só posso pensar que servem a eles. Isso é questão de dedução, meu caro. E sim, eu conheço as diferenças e reconheço que cada uma possui seus fundamentos e seu valor. E justamente por reconhecer esse valor é que reconheço que, quando um profissional mistura técnicas das duas abordagens ele está preocupado mais com a técnica do que com a relação que ele constrói com o paciente – quase parecido com o que você fez, que defendeu cada uma das abordagens, mas utilizou de argumentação psicanalítica para me diagnosticar.
      Esse ecletismo conceitual que se baseia no tecnicismo que é a base da minha crítica. Talvez, por algum motivo, você possa ter se identificado e por isso se sentiu pessoalmente atacado. Mas, lembre-se, que meu artigo pretende ser uma crítica conceitual, justamente para colocar em xeque as hipóteses e mostrar como elas podem – e devem – ser testadas. Verdades absolutas não nos servem para nada. Talvez valha a pena reler este meu artigo com esse novo olhar, o que acha?
      Novamente, obrigado pela indicação e pode ter certeza que lerei e, se achar proveitoso, posso até incluir essa referência neste artigo.
      Abraços!