O Marketing da Loucura: Estaremos todos insanos?


Atualmente tomamos muitos medicamentos. Entenda aqui como isso aconteceu...Recentemente descobri um documentário que me deu muito o que pensar. Muito do que diz lá eu de certa forma já sabia, mas muitos argumentos são novos e assustadores. Trata-se de O Marketing da Loucura: Estaremos todos insanos?

O documentário trata principalmente sobre a relação da indústria do marketing com a indústria farmacêutica, de sua busca por lucros cada vez maiores e, principalmente de suas vítimas, os pacientes psiquiátricos. Alguma coisa sobre isso já foi dito aqui em diversos posts, mas talvez com este documentário os argumentos fiquem mais claros e evidentes. A final, são quase três horas de informação! Mas são três horas que realmente valem a pena…

Alguns dos pontos mais interessantes que o documentário mostra é o desenvolvimento histórico do uso dos medicamentos psicotrópicos, o motivo por trás disso e seu real funcionamento. O que me chamou bastante a atenção é a relação criada entre os medicamentos e as doenças, quase como se uma doença passasse a existir ou a ganhar reconhecimento não por sua gravidade ou seriedade mas sim porque existe um remédio no mercado para tratar a doença. Percebemos isso com a depressão, que só deixou de ser considerada “frescura” e ganhou status de doença mental na década de 80, com o lançamento do Prozac. Ou ainda o abuso do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, o TDAH, com as prescrições de Ritalina – um estimulante com o mesmo funcionamento da cocaína. O mais atual agora é o Transtorno Bipolar, um transtorno já discutido há algum tempo, mas agora com os novos medicamentos, praticamente todos são diagnosticados com esse transtorno, mesmo sem apresentar os sintomas…

Assita aqui o documentário inteiro!

Uma coisa que me chama a anteção é a seriedade com a qual a população trata algo que não é tão sério assim. As ditas “doenças mentais” são uma forma médica de compreensão do sofrimento humano. A humanidade sempre sofreu e sempre sofrerá, mas parece que cada vez mais não podemos passar por isso. Medicalizamos o sofrimento e transformamos isso em doença tratável. Mas, qual é o problema em sofrer? Não posso mais ficar triste? Desde quando tristeza, mesmo a profunda, é doença?

São várias perguntas que, quando conhecemos os fatos por trás, nos deixam de cabelo em pé. E percebemos que existem muito mais questões junto a essas. É claro que o documentário apresenta várias restrições, principalmente com relação à fundação dos argumentos, por exemplo, os profissionais consultados não são apresentados com suas filiações acadêmicas e também ao final de todo o problema ser apresentado, o documentário não mostra uma solução possível além da divulgação do mesmo documentário. Mas mesmo assim, os argumentos nos dão muito o que pensar e bastante material para refletir. Não sei se alguns desses dados conferem, mas mesmo assim vale a pena refletir sobre isso. Gostaria de iniciar uma discussão por aqui. Assista ao vídeo e deixe sua opinião!

Comments (3)

  1. Ainda não vi o documentário, mas achei interessante a temática. Acredito que o “sistema” se auto-alimenta: por um lado, as indústrias precisam vender suas novas drogas; por outro, há uma multidão de gente ansiosa por apenas remediar as (às vezes pseudo-) consequências de seus problemas psicológicos. Mesmo com as regulamentações sobre as receitas médicas, vejo muita farmácia de bairro vendendo qualquer coisa sem receita. Praticamente um shopping center para hipocondríacos. Então eu não culparia tanto as indústrias. Afinal, elas só estão dando as bananas de diferentes cores e sabores que os macacos estão procurando. Mas, enfim, assistirei o documentário. Obrigado pela dica.

  2. […] é falado publicamente e qualquer pessoa envolvida irá negar, até que se prove o contrário) que os médicos recebem financiamento das indústrias farmacêuticas para receitarem seus remédios. Já ouvi de diversas pessoas que muitos médicos mal ouvem os pacientes e já querem receitar […]

  3. cristóvão

    Pelo que eu me lembro no final fala de opções sem uso de remédios para doenças….

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