O Problema da Medicalização da Vida


Será que precisamos de remédios para tomar as nossas decisões de vida?Quem me conhece sabe que sou contra uma série de coisas. Uma delas – e talvez aquela com a qual estou atualmente debatendo e estudando – é o problema da medicalização. Entendemos por isso todo o processo de tornar médicos os nossos problemas da vida normais. O que isso quer dizer? Que tudo aquilo que antes eram sofrimentos, problemas e angústias agoram passam a ser doenças tratáveis através de remédios e tratamentos médicos.

Isso pode parecer uma coisa boa, já que podemos, através de pílulas, resolver nossas angústias e crises, mas na real isso é um grande tiro no pé. A medicalização acaba por se apresentar como um problema maior do que sua suposta solução. E, ao final de tudo, junta-se uma grande questão que precisa ser re-pensada, ou seja, pensada várias e várias vezes: qual o limite que demarco para o uso de drogas para controlar o meu comportamento?

Drogas que controlam o comportamento?

Sim. Os remédios psiquiátricos possuem efeitos muito semelhantes às drogas ilegais como cocaína ou heroína. Vamos, neste momento, falar basicamente dos remédios psiquiátricos, se bem que esta discussão pode servir para o abuso dos outros remédios – e os problemas da auto-medicação.

Hoje em dia muita gente utiliza remédios prescritos por psiquiatras e outros médicos com efeitos antidepressivos (para controlar a depressão) ou ansiolíticos (para controlar ansiedade). Outros ainda tomam remédios mais fortes como antipsicóticos (para controlar surtos de psicose) e anticonvulsivantes (para controlar convulsões epiléticas) para controlar comportamentos mais fortes como compulsões ou alterações forte se humor. A grande questão que se coloca aqui é a utilização de fármacos ou remédios para o controle de comportamentos indesejados. Mas é interessante descobrir de onde veio tudo isso…

Este texto, por ser muito grande, foi dividido em várias postagens, mas recomenda-se que todas elas sejam lidas. Por isso deixarei aqui um breve índice desses textos:

1- O problema da medicalização da vida

2- Uma breve história dos psicofármacos

3- Os efeitos dos medicamentos na vida

4- O uso dos psicotrópicos e a sociedade

Peço que, antes de criticarem, tentem ler todos os argumentos até o final. Sei que é bastante coisa, mas precisamos de todas as informações possíveis para sabermos do que estamos falando, não só da nossa opinião e experiência individual.

Comments (5)

  1. […] breve história dos psicofármacosBy passis on 19/09/2012 Para compreender os efeitos da medicalização, precisamos compreender o que são e de ondem vêm os psicofármacos. Psicofármaco é um nome […]

  2. Pablo, nesse assunto dos psicofármacos, você poderia falar também sobre o SNGPC – Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados que veio para monitorar os hábitos de consumos pela população e racionalizar a prescrição médica. Tudo sobre SNGPC, falamos aqui : http://www.cmasistemas.com.br/sngpcblog

  3. […] pessoal, mas também – e principalmente – para que os nossos filhos possam viver nele sem precisar de químicos para resolver os seus problemas… […]

  4. […] sendo utilizados para tratar de questões sociais, principalmente por alguém que critica a medicalização da sociedade. Mas os termos anestesia e hiperestesia, antes de serem da medicina – relacionando a efeitos […]

  5. […] O problema da medicalização da vida – A medicalização é um problema real e corrente, quando passamos a perceber questões cotidianas e naturais como sendo problemas médicos que necessitam de atenção medicamentosa ou intervenção profissional. Ou não? […]

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