Os efeitos dos medicamentos na vida


Quadro de Van Gogh, ilustra uma pessoa triste Os psicofármacos, como todo remédio possui seus efeitos principais e seus efeitos colaterais. Os remédios antidepressivos possuem como efeitos principais o aumento da sensação de bem-estar e a diminuição de sentimentos relacionados à depressão como desesperança e inutilidade. Ao mesmo tempo, muitos desses remédios possuem efeitos colaterais como boca seca, baixa de apetite, disfunção sexual, insônia ou hipersonia, pensamentos de morte, ideiais e atos suicidas, diminuição do desejo sexual, entre muitos outros. O mais interessante é que muitos desses efeitos colaterais são justamente sintomas e critérios diagnósticos da própria depressão que esse remédio tenta curar!

Mas como separar então esses efeitos? A questão é que não se pode. Tanto os efeitos principais quanto os secundários são efeitos reais dessas drogas. Acontece que os efeitos principais são os desejados e os vendidos, os colaterais são os que o paciente leva de brinde mas ele não quer. Não existe diferença. Alguns médicos irão dizer que esses efeitos colaterais acontecem em casos raros, mas eles esquecem de dizer que muitas vezes os efeitos principais também acontecem com a mesma frequência e muitas vezes somente os efeitos colaterais acontecem e nenhum dos efeitos principais são sentidos.

Todo dano colateral - como o efeito colateral - só não é ignorado quando acontece conosco...Uma metáfora utilizada para se compreender a diferença entre efeito principal e efeito colateral está no dano colateral de uma guerra. Vamos supor que um determinado ataque a um inimigo tenha como objetivo destruir determinada base militar. Porém, essa base está em uma região civil e é inevitável que alguns civis que não possuem nada com a guerra nem tem ligações com a base militar sejam mortos e tenham seus lares destruídos. Essa destruição do ambiente civil é chamada de dano colateral, enquanto a destruição da base militar seria o dano princial. O problema disso é que muitos dos ataques não destroem as bases militares e só provocam o dano colateral – o que nos faz perguntar qual a vantagem de tamanha destruição se o objetivo não está sendo alcançado…

Ao mesmo tempo, muitos dos testes dos remédios são manipulados para mostrar o sucesso da droga para ser comercializada. Não existe um real controle sobre esses testes. Ao mesmo tempo, muitas dessas drogas são comercializadas ainda em fases de pesquisa ou ainda são feitas somente algumas mudanças cosméticas e estéticas no rótulo ou no formato do remédio e uma mesma droga que antes era vendida para um determinado efeito passa a ser vendida com outro nome para tratar de outro efeito dessa enorme lista.

Isso, sem contar os problemas diretos relacionados ao uso da droga – que geralmente são silenciados ao se prescrever o tratamento medicamentoso. Basicamente eles são a dependência, a tolerância e a abstinência.

Usamos remédios como comida: sem controle e como se nossa vida dependesse disso.Compreendemos a dependência como a necessidade fisiológica do consumo de determinada substância. Por exemplo, pessoas que são dependentes em insulina têm a necessidade fisiológica de consumir essa substância para a regulação de seu organismo. E os psicofármacos provocam essa dependência também, alteram a composição do fígado e do cérebro de tal forma – para poder provocar o efeito desejado – que o cérebro passa a não mais produzir naturalmente certas substâncias, fazendo com que o sujeito tenha a necessidade fisiológica desse psicofármaco. A dependência força com que o sujeito precise sempre dessa droga, sem previsão de parada, muitas vezes para o resto da vida.

A tolerância é um problema contornado por muitos psicofármacos, mas não por todos. Tolerância acontece quando a pessoa precisa de doses sempre maiores de uma substância para poder ter o mesmo efeito. Isso é muito comum com as drogas ilícitas e esse foi um dos motivos pelos quais a morfina, a cocaína e a heroína foram consideradas ilegais. Porém, essa relação de tolerância pode acontecer até mesmo com substâncias simples e comuns como o café e a aspirina! Por que não aconteceria com psicofármacos, que provocam alterações neurológicas mais profundas ainda? A tolerância força que o sujeito precise de doses cada vez maiores ou de drogas cada vez mais fortes, para que não sinta efeitos da abstinência.

A abstinência é o efeito sentido pelo usuário de uma substância na ausência dessa substância. Muita gente sente essa abstinência com café ou até mesmo chocolate, sentindo-se mal quando não consome esse produto. Os psicofármacos provocam sintomas de abstinência muito fortes, fortalecendo ainda mais a dependência desse medicamento. Alguns dos sintomas de abstinência sentidos são muitas vezes muito mais fortes do que os sintomas originais do problema que levou o sujeito ao remédio. E, existe outro problema relacionado à abstinência chamada de Efeito Rebote.

Tomamos mais medicamentos para tratar os efeitos adversos do que para tratar nossos problemas.O efeito rebote é quando aquele sintoma controlado pelo remédio volta muito mais forte do que ele estava antes, devido à parada do uso do remédio. Em outras palavras, se uma pessoa, numa de escala de 0 a 10, está sentindo um nível 10 de desconforto que o fazem usar o remédio, que o deixam com nível 2 ou 3, por exemplo, ao parar de tomar o remédio, esse desconforto ultrapassa o inicial, podendo chegar ao nível 12, 14 ou 15, muito maior do que o original e até mesmo fora de uma escala de compreensão do mal estar.

Então, para se controlar os efeitos adversos dos psicofármacos, são receitados outros remédios – que também possuem seus efeitos adversos, tratados por novos remédios, em um ciclo que deixa o paciente em um estado de letargia e anestesia devido a alta quantidade de medicamentos que precisa consumir diariamente. Somente um deles supostamente serve para tratar o problema: os outros servem para tratar os problemas criados pelo remédio, até encontrar um estado onde nada mais importa e o sujeito fica alienado de seus problemas e dos problemas do mundo.

São tantos remédios que tomamos que não percebemos que somos dependentes e drogados.O mais engraçado é que as drogas ilegais como cocaína, crack ou maconha, além dos efeitos destrutivos ao organismo, são criticados porque são viciantes, ou seja, provocam dependêndia, tolerância, abstinência e alienação. Só porque a maioria dos psicofármacos não provoca tolerância, não quer dizer que ele seja melhor do que as outras drogas que provocam, pois ainda alteram a neuroquímica de tal forma a provocar dependência, abstinência e alienação. E isso mascara que esses psicofármacos também possuem, ao alterar a química cerebral, efeitos tão ou mais destrutivos quanto as drogas ilegais. Não quero aqui fazer apologia a drogas, mas o álcool, por exemplo, que é uma droga legal, se tomada moderadamente, não provoca tanto mal quanto remédios psiquiátricos, mas todos vemos campanhas de controle do uso de álcool, mas não vemos o mesmo do uso de antidepressivos – que ao contrário, muitas vezes são incentivados até mesmo para crianças, que ainda estão formando seus cérebros e suas vidas.

Tudo isso porque supostamente o uso dos remédios psiquiátricos é controlado pela classe médica e seu uso é exclusivamente para a melhoria do bem-estar da população. Mas a forma indiscriminada que essas drogas são receitadas mostra justamente o contrário, que eles não estão interessados no bem-estar, somente no lucro pessoal e na alienação da população. E aqui vem uma crítica ao problema social dessa medicalização.

Comments (7)

  1. […] uso dos psicotrópicos e a sociedadeBy passis on 19/09/2012  Os efeitos colaterais dos remédios não são os únicos nem os maiores problemas da medicalização. Na real, são várias as críticas sociais do uso de medicamentos de forma indiscriminada, que nos […]

  2. […] de sofrimento, são possíveis caminhos de transformação. O risco é ter o paciente tratado pelo paradigma médico que serve para a medicina, mas não para a psicologia. O risco é que a psicoterapia seja vista como técnicas de tratamento de doenças mentais, ao […]

  3. […] Os efeitos dos medicamentos na vida – Efeito colateral ou dano colateral? Será que realmente o efeito colateral é menor comparado com o efeito principal? E será que podemos dizer que algo é vantajoso se traz tantas outras desvantagens? […]

  4. […] psicofármaco apresenta efeitos colaterais. Na prática, a indústria farmacêutica, ao anunciar um novo remédio, na verdade acaba só […]

  5. Olá Pablo. Sou psicoterapeuta e médico vibracional. Faço terapia e suspendo a medicação de todos meus pacientes. Aqueles que usaram antidepressivos durante vários ou muitos anos antes de iniciar a terapia, melhoram no início e depois começam patinar. Não conseguem aprofundar seus níveis de consciência. Sabendo-se que os antidepressivos causam atrofia cos lobos prefrontais, esses pacientes parecem lobotomizados, vítimas de uma lobotomia química, lenta e irreversível.

  6. Aguida

    Meu filho tem 23 anos e comecou tomar remedios pra depressao.angustia e falta de sono em 2012..moramos na Suecia..aqui ele nao teve nenhum especial apoio na escola sueca foi muito desgastante superar tudo sozinho tanto que nao terminou o colegial por este motivo. Agora toma Venlafaxin 75mg pra depressao..ele tem certa angustia e social fobi. Acho q ele esta rebelde em nao fazer suas obrigacoes do dia a dia..eu falo c ele mas ele muitas das vezes ignora..fica no celular..eu falo q deve dar certas prioridades gostaria q ele fosse mais responsavel e consciente..ele é um jovem q fica na dele ama escutar musica e pegadinhas do Brasil …matriculei o num curso de teatro..quero economizar pra comprar uma bicicleta da ginastica pra treinar em casa pois ele engordou muito.130kg.Na escola depois q escrevi pedindo ajuda ba escola to mais confiante..to perguntando pra ele o q acontece na escola pra haver dialigo mas ele nunca fala se eu nao perguntar.. ele nunca fez sexo so olha coisas na internet

Deixe um comentário