O Direito de Lutar pelo Direito do Outro, ou como falta empatia entre nós


minoriasNunca antes na história mundial, o problema dos direitos das minorias está tão em voga. Alguns dizem que é por conta das políticas sociais do atual governo. Outras, que é por conta da facilidade de comunicação nos tempos atuais, que permite maior visibilidade daqueles que antes estavam escondidos. Eu acredito mais nessa segunda alternativa, principalmente porque estamos tendo acesso aos dilemas de minorias de países que não possuem as mesmas políticas sociais que nós, como o problema dos refugiados na Europa.

O mais interessante é que ─ independente de qual minoria estamos falando ─ o debate sempre se polariza em dois lados: aqueles que são contra a minoria e aqueles que são à favor da minoria. Do lado dos que são contra, basicamente o argumento é sempre o mesmo: dar mais direitos para as minorias coloca em risco os direitos adquiridos da maioria. E do lado dos que são favoráveis, os argumentos sempre variam em torno do eixo humanitário, de ajuda daqueles que precisam ser ajudados. Mas esses dois lados quase sempre esquecem de perceber quais são as necessidades reais dessa minoria.

dtrumpPodemos pensar que essa fórmula se encaixa em todas as lutas sociais. Vou aqui pegar alguns exemplos, como o racismo e o machismo, que possuem declarações de pessoas públicas a esses pontos. Aqueles que não gostam de pessoas de outras raças (independente de quem seja) são contra simplesmente porque essas pessoas ameaçam algum direito de seu grupo, como por exemplo, o candidato à presendente nos Estados Unidos Donald Trump falando que os mexicanos ilegais ameaçam os empregos dos americanos, aumentando a raiva contra os imigrantes e seus parentes já naturalizados. Aqueles que são à favor, reconhecem que o racismo é besteira e que todas as pessoas são iguais e defender os direitos dos negros é defender os direitos de todas as pessoas. Olhando para o machismo, existem aqueles que defendem publicamente que as mulheres deveriam receber um salário menor do que os homens pelo simples motivo de elas engravidarem e isso onerar o empresário, como diz o deputado brasileiro Jair Bolsonaro, instigando ainda mais práticas machistas nos ambientes de trabalho. Quem é contra essas práticas percebe que defender os direitos trabalhistas de mulheres é defender o direito trabalhista de todos os trabalhadores também.

O mais interessante é que esses ─ e os outros ─ debates relativos às minorias são sempre feitos pela maioria, de como a maioria deve tratar ou receber essas pessoas. De um lado, há aqueles que querem excluir. De outro, aqueles que querem agregar. Mas, como fica a pessoa que sempre foi minoria? Como fica o negro, a mulher, o homossexual, o transexual, o deficiente, o canhoto? Quem defende a segregação, acaba ficando do lado errado da história, como podemos ver com os exemplos do apartheid na África do Sul e nos Estados Unidos. Eventualmente, essas pessoas acabam ou sofrendo mais porque o mundo todo se adaptou ou acabam precisando reconhecer que estavam errados. E quem defende a integração, eventualmente acaba se deparando com a dificuldade da adaptação. E que dificuldade é essa? Simplesmente, a dificuldade de modificar seus hábitos da maioria privilegiada para passar a incluir quem antes não pertencia àquele espaço. Algumas modificações são simples e triviais, como ter acentos e vagas para idosos em ambientes públicos ─ levando-se em consideração o fato de que nunca tivemos uma população idosa com vitalidade tão grande quanto agora e nunca precisamos antes disso. Nesse exemplo, ainda existem aquelas pessoas que não conseguem respeitar as vagas exclusivas e ignoram aqueles que precisam desse acesso. Outros ainda precisam se acostumar a estacionar mais longe do que antes por conta disso. Mas o ambiente precisa ser adaptado.

O mesmo aconteceu com negros, com mulheres e com as outras minorias que acabaram se incluindo na sociedade. E o mesmo está acontecendo com os homossexuais e transexuais e as leis que defendem os seus direitos. E o mesmo precisará acontecer com qualquer outra minoria que ainda exista ou venha a existir. O problema desse caminho é que ele é sempre feito pelas maiorias e acabam sendo concessões sociais, não conquistas de direitos. Talvez o maior exemplo disso esteja com os direitos trabalhistas. Do lado da maioria, temos os empresários e industriários, donos dos meios de produção, que oferecem emprego e trabalho para o outro lado, da minoria, os trabalhadores e empregados. Aqui podemos ver como esse conceito de minoria e maioria é representativo, não quantitativo. Neste caso, quem tem dinheiro, manda ─ que é a minoria quantitativa das pessoas, mas a maioria representativa. A briga por direitos é feita para garantir para a minoria direitos de trabalho, como jornada de trabalho, salário, garantias, férias, saúde, etc. para os trabalhadores, mas o discurso dos empresários ─ e de quem está do seu lado ─ acaba sendo sempre o mesmo: garantir esses direitos dos trabalhadores infringe no direito ao lucro e na livre concorrência, pois são interferências do governo no livre mercado. Eventualmente, é necessário ceder, pois sem empregados, não há mercado para concorrer. Mas mesmo assim, a briga ainda continua e é muito real.

Mas mesmo com toda essa briga, esquecem de perguntar ao trabalhador o que ele acha de tudo isso. De um lado, o governo advogando pelo povo, do outro, os empresários interessados em seus próprios direitos. E os trabalhadores, o que dizem? Eles aparentemente só têm voz nas eleições, ou nas greves organizadas pelos sindicatos. A minoria é sempre representada por outra pessoa, nunca por elas mesmas.

E isso acontece com TODAS as brigas sociais. A minoria nunca tem voz ativa. Ela é sempre representada por outro grupo pertencente à maioria e seus direitos são discutidos como moedas de troca de direitos e liberdades da maioria. De um lado, aqueles que defendem a atual situação e não querem mudanças, a não ser que essas mudanças favoreçam o seu lado. Do outro, aqueles que defendem a integração dessas minorias, sem que isso implique na mudança de seu estilo de vida. E no meio, a minoria, sem representatividade e sem protagonismo. E é por isso que os movimentos sociais são importantes, pois eles são movimentos das minorias lutando por seus próprios direitos, não de pessoas que advogam por seus direitos diante da sociedade. E de vez em quando elas acham ruim que falem por elas, pois raramente essas pessoas sabem ser representados. Elas nunca tiveram voz ativa, quando apareciam na mídia, eram representadas de forma caricata e estereotipada, nunca por alguém dessa minoria. E então, quando alguém da maioria resolve levantar a bandeira junto, elas desconfiam, e com razão. Brancos defendendo os direitos dos negros, sendo que os brancos nunca tiveram que lutar por esses direitos; homens lutando pelo direito das mulheres, sendo que eles provocam a maioria das agressões sofridas pelas mulheres; heterossexuais lutando pelo direito dos homossexuais, sendo que todo o preconceito vem justamente dos heterossexuais que não sabem o que é ser excluído da forma como os homossexuais são. E quando isso acontece, a maioria ─ seja ela a favor ou contra o grupo minoritário ─ usa isso para reclamar que a minoria não sabe o que quer.

http://coisasmaisfeministasqueodado.tumblr.com/post/128133651270/coisa-mais-feminista-que-o-dado-1-todas-as

Eu confesso que, por mais que estivesse do lado a maioria que quer a integração social das minorias, demorei para entender que o meu papel de fato estava prejudicando a luta. E só fui perceber isso quando me deparei com o problema social do Capacitismo, a realidade social enfrentada e vivida pelos deficientes físicos e mentais. Já falei aqui no blog sobre a psicofobia, mas ainda não toquei no assunto do capacitismo ─ por mais que os dois sejam semelhantes.

O capacitismo se define como a força social de ajustar o deficiente às normais da maioria capaz. Isso é feito de formas bastante sutís, como por exemplo, oferecer óculos para os deficientes visuais para que eles sejam capazes de enxergar como as outras pessoas, ou então quando oferecemos um caminho alternativo para a entrada de cadeirantes que implica em entrar pela porta dos fundos e usar o elevador de carga, já que o prédio é antigo e só tem acesso principal com escadas. Esse pouco que é oferecido são práticas de intergação que, por mais que sejam melhores do que a segregação ou exclusão, ainda não são as ideias. No campo das deficiências físicas, principalmente na escola, isso é muito debatido.

inclusãoNa educação, vemos claramente a diferença entre exclusão, segregação, integração e inclusão. Exclusão é quando a minoria ou quem é diferente fica completamente de fora do convívio e dos direitos sociais ─ quando, por exemplo, uma escola não aceita a matrícula de uma criança com Síndrome de Down. Segregação acontece quando são criados espaços especiais e separados para essas minorias, como guetos ou práticas de apartheid ─ ou quando criamos escolas exclusivas para deficientes físicos ou mentais como o único espaço educativo para essas pessoas. Integração é quando esse espaço de exclusão é colocado junto do espaço de convívio comum, vendo quase como uma forma de preconceito ativo, onde se reconhece a diferença e tenta ativamente criar espaços para que assim permaneça ─ quando, na escola, são criadas aulas e salas especiais para as crianças com deficiência, por exemplo. E, finalmente a inclusão acontece quando rompemos as barreiras sociais e tratamos todos da mesma forma, com os mesmos direitos e deveres.

Porém, essa posição da inclusão traz muitos críticos que dizem ─ com razão ─ que essas pessoas precisam de atenção especial e não podem ser tratado como os demais. Uma pessoa cega não pode ser requisitada a ler da mesma forma os livros da biblioteca que um vidente (aquele que vê). Um cadeirante não tem como sair nos corredores corridos ou participar das aulas de educação física da mesma forma que os demais alunos. E uma criança com Síndrome de Down não pode ser requisitada a estudar e ganhar as mesmas notas que os demais alunos. Por isso eles precisam de um espaço especial e uma atenção diferenciada. Ainda a lógica da integração.
Isso porque a lógica da inclusão é a mesma da acessibilidade. Acessibilidade não implica em dar acesso a quem não tem, mas sim em modificar o ambiente comum para que todos tenham as mesmas condições de acesso. Isso implica em trocar escadas por rampas, colocar elevadores largos, semáforos com sensores sonoros ou vibratórios, telefones com visores e luzes para deficientes auditivos, etc. São adequações do espaço comum para dar acesso a todas as pessoas. E isso implica na mudança dos direitos e deveres de todos, inclusive na mudança de políticas e normas sociais.

cadeiranteSe pensarmos a inclusão na escola, ela não implica em termos um intérprete para o aluno surdo, sala de recurso para o deficiente intelectual ou livros em braile para alunos cegos ─ isso é integração. Isso implica em termos professores capacitados em Libras, alunos que saibam como lidar com pessoas cegas nos corredores e políticas educativas que não privilegiem unicamente as capacidades intelectuais dos alunos. Todo o ambiente precisa ser diferente, inclusivo para todas as pessoas. Se a política dá mais privilégios a uns do que a outros, essa não é uma política inclusiva.

E como esse exemplo serve para pensarmos nos movimentos das minorias? Simples. Os deficientes são uma minoria que sofrem preconceito ─ o capacitismo é para o deficiente o mesmo que o racismo é para o negro ou o machismo é para a mulher. E os deficientes também lutam por protagonismo e representatividade. Todas as práticas integrativas são práticas e políticas feitas por pessoas capazes que tentam “entender” de seu modo as necessidades dos deficientes. É somente quando eles passam a fazer parte das tomadas de decisão é que conseguimos atingir práticas inclusivas ─ pois eles pensam seus problemas, sabem de suas dificuldades e são as melhores pessoas para dizerem o que elas precisam para conseguir viver com dignidade. Isso é o que chamamos de protagonismo e representatividade. Quem responde por eles são eles mesmos, não seus advogados.

Por mais que eu apoie a necessidade de práticas inclusivas, não sou eu quem vou dizer quais serão essas práticas, tampouco sou eu quem vai levantar a bandeira que é própria da luta dessas pessoas. Pois, se faço isso, caminho para a imposição da minha visão de mundo sobre o que eles deveriam fazer para se adaptarem ─ e isso não é inclusão, é integração. Ao invés disso, eu devo ceder meu espaço social para que eles possam se posicionar e dizer o que eles precisam. A minha prática então deve ser de promover a acessibilidade, de modificar o meu ambiente para dar conta das necessidades reais desse grupo de pessoas. Só assim estarei sendo inclusivo.

Falei de forma genérica no parágrafo acima, pois essas práticas servem na luta de qualquer minoria social. Eu não posso, como um homem, hétero, cisgênero e branco querer defender os direitos das mulheres, homossexuais, trans* e negras, levantando a bandeira por elas. Pois isso implica na imposição da minha fantasia de como essas pessoas devem se comportar na sociedade. Eu não faço ideia de como uma pessoa dessas deve sofrer ou quais são suas reais necessidades ─ nem o quanto que essas necessidades implicam na modificação dos meus direitos adquiridos.

stoplesbSerá que a pessoa ainda vai querer levantar essas bandeiras quando descobrir que as suas práticas e crenças machucam essas pessoas? Por exemplo, será que vou ainda defender que o empresário tem o direito de não contratar pessoas trans* por querer manter uma certa imagem para sua empresa, mesmo sabendo que esse direito do empresário implica na não aprticipação efetiva dessas pessoas no mercado de trabalho, sobrando a prostituição dessas mesmas pessoas e vivências em situações desumanas? Será que aquele pai de família inda vai defender o direito ao casamento gay se descobrir que sua esposa é homossexual e que poderá criar seus filhos com outra mulher ─ e que nenhuma das duas teria qualquer obrigação de ter nenhuma atração sexual por ele? Será que aquele juiz vai conseguir compreender que aquela mulher que precisou se declarar homossexual para poder se casar com sua ex-esposa, agora quer ser vista como a bissexual que sempre foi e poder se casar com outro homem, sem ser tachada de heterossexual, adúltera ou promíscua? Ou será que aqueles pais do rapaz homossexual que morreu, vai conseguir ainda defender que seu parceiro tem o direito a herança que eles deixaram a ele e que agora é de seu parceiro?

Existe o mantra social de que todos temos o direito à felicidade. Mas e quando essa felicidade implicar em eu ter que ficar calado para poder dar voz para a outra pessoa que nunca teve voz, será que ainda vou aceitar? Será que vou ver a cessão do direito à liberdade de expressão, representatividade de protagonismo como censura, pois eu também quero me posicionar contra o opressor junto com a pessoa oprimida ─ sem perceber que eu já estou do lado do opressor, oprimindo ao querer dar a minha opinião que não foi requisitada?

Por isso defendo que, além de serem movimentos que buscam direitos sociais, os movimentos das minorias são movimentos que buscam da maioria um pouco mais de EMPATIA. Não é raro encontrarmos pedidos desses na internet (como este texto sobre o problema da bifobia), porque simplesmente a empatia é algo que está em falta na sociedade. Todos queremos os nossos direitos ou o direito para lutar pelos direitos dos outros, mas ninguém quer compreender e sentir qual foi ou é a dor que o outro precisou passar para que ele precisasse não só ter esse direito, mas principalmente ser o protagonista e o representante de sua própria luta.

empatia

As minorias não querem que ninguém mude por elas, que passem a ser outras pessoas por conta delas ─ o que seria, no mínimo, contraditório às suas próprias lutas por reconhecimento das diferenças. O que elas pedem é que a sociedade seja mais inclusiva às diferenças, que seja menos impositiva sobre os direitos e, principalmente, que sejam mais empáticos a respeito de seu sofrimento.

Mas, a final, o que é essa empatia? Compreender esse ponto é essencial para compreender o meu argumento. Empatia é vista como a capacidade de poder sentir junto com a outra pessoa. Porém, existe uma outra palavra com significado semelhante, que acaba atrapalhando a nossa compreensão: a simpatia. A diferença entre os dois é que quando eu sou empático eu abro mão dos meus sentimentos para sentir o que o outro sente e tentar compreendê-lo. É querer andar usando seus sapatos, para poder sentir suas dificuldades. Quando sou simpático, simplesmente estou junto ─ e muitas vezes, estou separado, como se quisesse fazer a mesma jornada que a pessoa, mas dentro de um carro confortável, só para aproveitar a paisagem, ou apenas acompanhando pelas redes sociais sem querer sentir as dores e prazes da jornada. Simpatia implica na identificação dos sentimentos dos outros e o ajustamento apropriado da minha conduta. Empatia implica na vivência desses mesmos sentimentos, junto com a outra pessoa. O vídeo abaixo ilustra muito bem essa diferença.

Quando queremos levantar as bandeiras e ter o direito de lutar pelos direitos dos outros, estamos sendo simpáticos. Estamos reconhecendo o problema dos outros e estamos ajustando a nossa conduta de acordo com o que está sendo dito. Estamos apoiando a luta, estamos modificando o nosso perfil do Facebook, estamos mostrando para o mundo que essas pessoas precisam ter mais visibilidade. Mas o que as minorias querem não é simpatia, é empatia. Elas querem que a maioria entenda que a luta deve ser delas, pois a dor, o preconceito sofrido e as agressões vividas são todas delas. Não adianta reconhecer isso e modificar minha conduta: é necessário eu aceitar vivenciar isso e reconhecer que eu não tenho a resposta, mas ela tem, pois diferente de mim que não vivo isso sempre, essa é a sua realidade.

Eu não preciso ser mulher para apoiar o antimachismo. Eu não preciso ser negro para apoiar o antirracismo. Eu não precismo ser homossexual para defender a antihomofobia. Mas eu não posso querer levantar a bandeira que não é minha. Eu não sou mulher e não sofro com o machismo, nem negro para sofrer com o racismo, muito menos homossexual e nem sofro com a homofobia para querer ser protagonista dessas lutas. Muito pelo contrário, sou privilegiado por ter nascido e reconhecido socialmente como homem, branco e heterossexual. Querer defender essas bandeiras das minorias é roubar para mim o protagonismo dessas lutas, é dizer para as minorias que eu, como maioria, sei qual é o problema e que racionalmente sei qual é a solução ─ promovendo ações integrativas, não inclusivas. O máximo que posso fazer é ter empatia e não roubar deles o espaço que eles tanto sofreram para conseguir. E junto a isso, posso modificar o meu ambiente para ter certeza que estou abrindo mão dos meus direitos exclusivos e privilégios adquiridos para ser mais acessível e inclusivo a todas as pessoas.

diferencaE fazer isso não é deixar o movimento isolado, só porque a maioria não está lutando junto. Fazer isso não implica em separar os grupos e que cada um lute por seus direitos. Fazer isso é reconhecer que cada um sabe o que é melhor para si e se eu não posso ajudar, que ao menos não atrapalhe; se não sou parte da solução, que também não seja parte do problema. A maioria já criou um espaço que é no máximo integrado ─ mas que, por isso mesmo ainda percebe as diferenças. Se as minorias precisam lutar por seus direitos é porque nós, como maioria, criamos essa necessidade. E não vai ser de fora pra dentro que isso irá mudar. O trabalho precisa ser conjunto: a minoria precisa ter mais espaço para trazer as suas necessidades e a maioria precisa ceder esse espaço e apoiar a transformação social que a minoria precisa.

É só isso. Ter empatia e respeitar o protagonismo e a representatividade. Será que isso é muito mesmo a se pedir?

 

Comments (7)

  1. Pablo,

    Deixo o comentário aqui para agradecer a referência que fez ao Podcast Fronteiras no Tempo como material complementar do post sobre o surgimento da Psicologia Científica no século XIX.

    Me deixou muito feliz pela menção e, sobretudo, como forma de dialogo com o excelente material disponibilizado. Leciono em um curso de Psicologia, sendo responsável por duas disciplinas: Antropologia e Sociologia.

    Tenha certeza que indicarei seu site a todos os meus alunos e alunas do curso, pois produz um site com muita qualidade.

    Parabéns pelo trabalho e novamente obrigado pela indicação.

    Um grande abraço

    Cesar Agenor, “C. A.”

    • Ps.: Acabei de fazer o download dos episódios 07 e 06 do Psicologo. Ouvirei com bastante atenção e lhe darei um feedback.

      Sobre o post em questão, acredito que esse seja o maior desafio para as sociedades contemporâneas. Aceitar o outro, respeitar as autonomias e compreender que dar direitos as minorias não é retirar direito das maiorias, pelo contrário, é justamente permitir o alargamento das possibilidades individuais, como tanto insistiu Foucault.

      Excelente texto!

  2. […] Texto do Pablo de Assis: O Direito de Lutar pelo Direito do Outro […]

  3. Luciano Sales

    Achei muito bom o tema e a maneira como foi abordado.
    Se couber ainda alguma corroboração, dada a importância do assunto,
    Penso que a falta de empatia demonstrada cotidianamente pela maioria
    de nós, tornando-nos quando não intolerantes, no mínimo indiferentes a
    todas as diferenças que nos rodeiam, evidenciam uma sociedade egoista
    e extremamente solitária.
    Egoista por não entender que cada ato individual que se faça, como
    consequência produz uma reação que poderá atingir tanto o que a gerou,
    como os demais ao redor. E, solitária, exatamente por revelar que a
    escassez de empatia, deve-se não somente a um egoismo eminente na
    sociedade, mas principalmente pelo fato que a maioria dos indivíduos
    não sabem ser empáticos com sigo mesmos e o autoconvívio é algo
    extremamente difícil e doloroso de se praticar.
    Talvez isso explique nossa dificuldade enquanto sociedadde, de olhar e
    empatizar com o outro. “Se o olhar que tenho sobre mim é voltado não
    para o que sou, mas para a imagem menos deformada que criei, afim de
    me poupar de conhecer todas as minhas deficiências e imperfeições,
    logo, meu olhar quando direcionado ao coletivo, buscará também o que
    mais me agrade ou pareça mais familiar a imagem que criei. Para tanto,
    torna-se indispensável a rejeição, desprezo ou indiferença ao próximo.

  4. Esley Henrique da Silva

    Obrigado por compartilhar esse texto, Pablo. Trabalho em uma consultoria de design e falamos constantemente sobre empatia. Atualmente penso muito sobre quando ser empático não basta, é preciso dar voz às pessoas.

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