Tecnologias e a Educação do Futuro


Tecnologias sempre existiram e sempre existirão!Uma coisa que a gente precisa se lembrar é que tecnologias sempre existiram, pois desde um livro ou um quadro negro ou branco são tecnologias aplicadas à educação. E elas sempre estiveram presentes em sala de aula de uma forma ou de outra, aparecendo como retroprojetores, mimeógrafos, fotocopiadoras, projetores de slides, televisão, VHS e DVDs, filmadoras e, desde os anos 80, com computadores pessoais, mais tarde ligados à internet e eventualmente substituídos por notebooks, tablets e celulares.

Porém, a mera presença dessas tecnologias em sala de aula ou até mesmo na escola como um todo não garante construção de educação ou transformação dos processos de ensino e aprendizagem. A política pedagógica, infelizmente, ainda está presa a um modelo desenvolvido no século XIX, quando o mais importante era a formação do futuro trabalhador das indústrias em ascensão, onde os conteúdos mais importantes a serem ensinados e aprendidos eram relacionados ao trabalho das máquinas, ou seja, a língua local ou formal e matemática, essenciais para operar os maquinários e ler os manuais de instruções. Posteriormente foram incluídas outras disciplinas com conteúdos diferentes, também com o objetivo de preparar alunos para o mercado de trabalho. Inclusive, até hoje, disciplinas como artes ou filosofia ainda são consideradas menores por não oferecerem tantas ferramentas laborais quanto matemática ou ciências.

Desde então, as tecnologias aplicadas em sala de aula servem justamente para fortalecer esse modelo preparatório. Inclusive, acrescentar tais tecnolocias essenciais para o cotidiano nas escolas acaba sendo essencial para a formação do futuro trabalhador. Mas, novamente, nada disso garante nenhuma transformação na educação.

Tecnologias em sala de aulaO que está acontecendo mais recentemente é que as novas tecnologias de informação e comunicação ao entrarem nas escolas e salas de aula estão provocando disrupções nos processos de ensino e aprendizagem. Hoje em dia, se um professor fala algo errado ou utiliza um material de aula desatualizado, um aluno pode, usando seu celular, verificar a informação na Wikipedia ou pesquisar outros artigos sobre o tema que corroborem o que está sendo ensinado. Ao mesmo tempo, o uso de redes sociais facilitou a comunicação entre os atores educacionais mesmo fora da sala de aula, expandindo as possibilidades das práticas educativas. E a quantidade de vídeos disponíveis com materiais didáticos e com exemplos práticos filmados facilita não só o preparo das aulas dos professores como também o estudo e a compreensão dos alunos.

O modelo tradicional de ensino e aprendizagem baseia-se no seguinte modelo: O conteúdo a ser aprendido é selecionado pelo professor e passado ao aluno em sala de aula de forma coletiva; o aluno sozinho em sua casa dedica seu tempo para decorar e exercitar o conteúdo; finalmente em sala de aula o professor avalia se o aluno conseguiu decorar o conteúdo conforme avia passado. Porém, com a simples presença dessas novas tecnologias, todos esses processos são perturbados. O professor não precisa mais preparar o conteúdo de ante-mão, pois os alunos tem acesso através do Google a muito mais material e mais atualizado do que o professor é capaz de produzir; os alunos não precisam mais aprender sozinhos em casa pois as redes sociais colocam todos em contato a todo tempo; e as avaliações não precisam ser mais presenciais ou individuais, pois mesmo as produções de documentos formais que atestem o aprendizado podem ser não só construídos colaborativamente como publicados, discutidos e validados mundialmente através da internet.

Os próximos passos da educaçãoO que estamos falando quando o tema é a Educação ou a Escola do Futuro não implica necessariamente no uso de tecnologias em sala de aula em si, mas sim na transformação pedagógica que permita, através dessas tecnologias, transformar a forma como ensinamos e aprendemos. O professor deixa de ser o portador de conhecimento e experiência e passa a ser um guia do aprendizado dos alunos que deixam de ser meras esponjas passivas e passam a produzir e criar colaborativamente com os demais alunos conhecimentos que servirão não só para a transformação e aprendizado pessoal, como também para a inserção na sociedade e efetiva transformação da realidade. Em países onde isso já acontece, como na Finlândia ou na Noruega, conseguimos ver as consequências sociais dessas transformações em sala de aula.

Mas, mesmo que não utilizemos de novas tecnologias de informação e comunicação em sala de aula ou na escola, a correta adoção dessas novas práticas pedagógicas pode ser suficiente para promover tal transformação. Um aluno não precisa de acesso a um smartphone para aprender e trabalhar colaborativamente com seus colegas e um professor não precisa ter um computador para promover pesquisas e orientações de estudos e discussões – que podem ser feitas pelos alunos não só nas bibliotecas escolares e públicas como também fora da sala de aula, em conversas com seus pais e a comunidade escolar.

As tecnologias sempre existiram e sempre existirão. Cabe a nós aprender com elas e aproveitar as oportunidades de transformação que elas oferecem. Algo assim na história só foi possível com a invenção da prensa de Gutemberg que facilitou a democratização do acesso aos livros, algo que transformou tão fortemente nossa sociedade como a internet está fazendo hoje em dia.

Deixe um comentário