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		<title>Pablo de Assis &#187; Comportamento</title>
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		<title>Minha opinião sobre leis contra homofobia</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Jul 2011 17:18:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pablo de Assis</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Desnecessário. Essa é a minha opinião. Curta e direta. Agora, para poder compreendê-la, já é necessário de mais tempo de reflexão&#8230; Primeiro, precisamos compreender o que é &#8220;homofobia&#8221;. A definição de homofobia é a raiva ou repulsa por homossexuais. Existe aí um pequeno erro por parte de algumas pessoas que associal o sufixo -fobia a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/lei-anti-homofobia.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-653" title="Lei anti-homofobia reforça homofobia?" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/lei-anti-homofobia.jpg" alt="Lei anti-homofobia reforça homofobia?" width="244" height="308" /></a>Desnecessário. Essa é a minha opinião. Curta e direta. Agora, para poder compreendê-la, já é necessário de mais tempo de reflexão&#8230;</p>
<p>Primeiro, precisamos compreender o que é &#8220;homofobia&#8221;. A definição de homofobia é a raiva ou repulsa por <a title="Homossexual… idade… ismo… o que é mesmo o sexo?" href="http://pablo.deassis.net.br/2011/07/homossexual-idade-ismo-o-que-e-mesmo-o-sexo/">homossexuais</a>. Existe aí um pequeno erro por parte de algumas pessoas que associal o sufixo -fobia a medo, então seria medo de homossexuais. Mas não estamos aqui nos referindo ao medo em sim, mas sim à repulsa e principalmente à raiva sentida contra os homossexuais. Essa repulsa e raiva podem ser também resumidas ao preconceito contra homossexuais.</p>
<p>Esse preconceito é real e tão real quanto o preconceito aos afro-decendentes (para utilizar o termo politicamente correto) e até ao preconceito contra as mulheres (que ao meu ver é o mais grave de todos). Esse preconceito basicamente diz que os homossexuais são diferentes dos heterossexuais e, por isso, são inferiores ao heterossexuais e devem se manter distantes pois, devido a essa inferioridade ou diferença, trazer problemas aos heterossexuais, como por exemplo, promiscuidade, doenças venéreas, perversidade e <a title="Homossexuais e a ciência" href="http://pablo.deassis.net.br/2011/07/homossexuais-e-a-ciencia/">outros argumentos pseudo-científicos</a>. Essa é a ideia por trás da homofobia.</p>
<p><span id="more-649"></span><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/homossexuais-e-religiao.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-654" title="Qual é a verdadeira verdade sobre a homossexualidade e a homofobia?" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/homossexuais-e-religiao.jpg" alt="Qual é a verdadeira verdade sobre a homossexualidade e a homofobia?" width="200" height="190" /></a>A seriedade disso se dá porque muitas pessoas levam isso ao extremo, ao ponto de quererem fazer, em pleno século XI, as mesmas coisas com os homossexuais que os nazistas faziam com os mesmos homossexuais e com os judeus e ciganos e com praticamente qualquer pessoa que não fosse ariana: um holocausto ou uma &#8220;limpeza étnica&#8221;. Temos &#8220;pessoas&#8221; (me recuso a acreditar que quem faça algo assim seja uma pessoa, mas tudo bem) que realmente preferem ver homossexuais mortos a vê-los pelas ruas ou convivendo com nossos filhos. E justificam essa raiva com discursos como &#8220;é anti-natural&#8221;, &#8220;é contra a lei de Deus&#8221;, e outras baboseiras preconceituosas. E praticam essa raiva diretamente sobre pessoas do mesmo sexo que demostram ser homossexuais. Inclusive, essas agreções acontecem contra pessoas que meramente demonstram homoafetividade mas não são, como aconteceu com <a title="Pai e filho são confundidos com casal gay e são agredidos. Leia mais aqui." href="http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2011/07/18/pai-filho-sao-confundidos-com-casal-gay-agredidos-por-grupo-em-sao-joao-da-boa-vista-sp-924936932.asp">um pai que estava abraçado a seu filho e foram agredidos por acharem que eram um casal gay</a>.</p>
<p>Diante dessas e outras barbaridades, querem empurrar no congresso uma lei contra a homofobia, ou melhor, que exista punição por atos preconceituosos contra homossexuais. Oras, diante dessa realidade, é óbvio que nossa sociedade e nosso governo deve agir fortemente contra isso. Porém, e é aqui que entra a minha opinião, não acho que precisemos de uma nova lei, somente saber aplicar as que já temos.</p>
<p>Para começar, a lei exigiria punição. E como já falei <a title="Leia mais sobre a minha opinião sobre a punição." href="http://pablo.deassis.net.br/2010/07/punicao-serve-para-absolutamente-nada/">aqui no blog, punição não funciona e não serve para nada</a>. Uma lei punitiva seria mais um desperdício de recursos públicos, pois ela não diz como deve ser feito, somente o que não deve acontecer. Ao invés disso, sou a favor da educação sexual e inclusiva.</p>
<p><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/bandeira.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-657" title="As leis são para todos, homossexuais ou não." src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/bandeira.jpg" alt="As leis são para todos, homossexuais ou não." width="220" height="177" /></a>Outro ponto é que a nossa constituição já pressupõe alguns pontos simples que garantem isso. Ela diz no artigo 5º:</p>
<blockquote><p>XLI &#8211; a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais;</p></blockquote>
<p>Já começamos com isso. Existe um recurso na constituição que diz que haverão leis contra qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais. Além disso, esse mesmo artigo assegura que:</p>
<blockquote><p>X &#8211; são invioláveis a intimidade, a vida privada, a  honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo  dano material ou moral decorrente de sua violação;</p></blockquote>
<p>Ou seja, o que uma pessoa faz na privacidade de seu lar ou de sua família, é problema da pessoa. Os homossexuais &#8211; e os heterossexuais também &#8211; têm esse direito de ter sua vida sexual e íntima da forma como quiser. A constituição garante isso. E existe também o que se chama de princípio da dignidade da pessoa humana. A lei não faz distinção de gênero, raça ou orientação sexual e essa dignidade é protegida. Por exemplo, no mesmo artigo quinto, a constituição diz:</p>
<blockquote><p>III &#8211; ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;</p></blockquote>
<p>Pelo que sei de lei, esse &#8220;ninguém&#8221; está incluindo também os homossexuais, que não podem ser torturados ou terem tratamentos desumanos ou degradantes, como serem vítimas de ataques, surras, linchamentos públicos ou até mesmo de serem ofendidos em rede pública de televisão. E junto a esse ponto, existe outro:</p>
<blockquote><p>XLIII &#8211; a lei considerará crimes inafiançáveis e  insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico  ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos  como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e  os que, podendo evitá-los, se omitirem;</p></blockquote>
<p><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/morte_aos_gays_e_sapatao_homofobia_igreja_fortaleza.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-656" title="Homofobia É terrorismo" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/morte_aos_gays_e_sapatao_homofobia_igreja_fortaleza.jpg" alt="Homofobia É terrorismo" width="267" height="200" /></a>Ou seja, já existe uma disposição legal para coibir a tortura e o terrorismo que fazem contra qualquer pessoa, inclusive aos homossexuais! Então me pergunto: pra que mais uma lei que tem como única função apontar o preconceito e fortalecer a diferença? Por que, ao invés disso, não nos preocupamos em nos educar para perceber que todos somos iguais, diante da lei e diante da vida? Ninguém pode ser linxado, perseguido, surrado, torturado, aterrorizado e nenhuma morte é justificada contra nenhuma pessoa, seja ela hetero, homo ou bissexual ou qualquer que seja sua orientação. Então, pra que mais uma lei?</p>
<p>Essa lei é homofóbica por princípio, pois ela aponta que existe diferença entre um homossexual apanhar por ser homossexual de um torcedor de futebol apanhar por torcer por um determinado time. Se existe diferença, é discriminiação. Se é discriminação de homossexual, é homofobia. Quem defende as leis contra a homofobia, indiretamente está defendendo a própria homofobia!</p>
<p><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/homofobia-cidadania.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-655" title="Homofobia não combina com cidadania" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/homofobia-cidadania.jpg" alt="Homofobia não combina com cidadania" width="294" height="440" /></a>Não existe nem deveria existir diferença de tratamento para ninugém, logo, não deve haver diferença no tratamento de nenhuma pessoa por orientação sexual. Essas diferenças existem por falta de conhecimento, por ignorância mesmo. Outro dia ouvi uma pessoa criticando a adoção de crianças por casais homossexuais porque não conhecemos os efeitos de uma educação homossexual: é puro desconhecimento e ignorância! E não vai ser uma lei proibitiva que vai resolver isso: resolve-se isso com educação, principalmente, com educação sexual. Mas aí, temos outro problema que é a forma como iremos educar. Mas isso é assunto para outro artigo&#8230;</p>
<p>Ao invés de tentar proibir ataques aos homossexuais devemos nos focar em duas coisas. Primeiro, devemos perceber que homossexuais são pessoas e ao invés de sermos contra essa agressão devem ser contra <em>todo tipo de agressão e violência, independente de sexualidade</em>. Segundo, temos que perceber que punição não funciona e impunidade é irrelevante, logo, novas leis não vão funcionar também: ao invés disso temos que nos preocupar em educar nossos filhos, irmãos e amigos, pesquisar e conhecer ao invés de ignorar e quere que os outros sejam como nós somos.</p>
<p>Por enquanto só fica aqui a minha opinião que devemos nos focar no que nos aproxima, nas nossas igualdades e não nas nossas diferenças. Devemos perceber que, se tratarmos todos como iguais, não haverá necessidade de leis que reforcem as diferenças. Por isso acho essas leis desnecessárias. O importante, como sempre, é a<a title="Educação não se faz só na Escola" href="http://pablo.deassis.net.br/2011/03/educacao-nao-se-faz-so-na-escola/"> educação, e não a proibição</a>.</p>
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		<title>Homossexuais e a ciência</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Jul 2011 19:20:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pablo de Assis</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O tema da homossexualidade ainda é uma questão controversa. Nossa sociedade ainda não compreende o tema, muito menos a ciência e a religião conseguem chegar a um consenso. O que se sabe é que a ciência tenta compreender, enquanto a religião tenta encaixar dentro de seus conceitos e dogmas. Novamente, não pretendo chegar aqui a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/genetica2.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-640" title="Questões científicas relativas à homossexualidade" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/genetica2.jpg" alt="Questões científicas relativas à homossexualidade" width="250" height="350" /></a>O tema da <a title="Leia um pouco mais sobre o tema aqui!" href="http://pablo.deassis.net.br/2011/07/homossexual-idade-ismo-o-que-e-mesmo-o-sexo/">homossexualidade</a> ainda é uma questão controversa. Nossa sociedade ainda não compreende o tema, muito menos a ciência e a religião conseguem chegar a um consenso. O que se sabe é que a ciência tenta compreender, enquanto a religião tenta encaixar dentro de seus conceitos e dogmas. Novamente, não pretendo chegar aqui a nenhuma conclusão sobre o tema, apenas quer apresentar mais dois pontos de vista, o da ciência e o da religião.</p>
<p>Se eu fosse apresentar sozinho cada um desses, daria cada um uma tese. São várias concepções científicas e várias concepções religiosas. Aqui, porém, irei apresentar as questões científicas. As religiosas deixarei para outro post.</p>
<p><strong>As questões Científicas</strong></p>
<p>A ciência nunca chega a nenhuma conclusão e se alguém disser que algum ponto de vista científico é definitivo, então isso não é ciência. Tendo dito isto, quero aqui apresentar algumas questões polêmicas que a ciência traz e que muitos defensores dos direitos dos homossexuais utilizam como defesa, mas que eu pessoalmente questiono:</p>
<p><span id="more-637"></span>1) <em>Homossexualidade não é escolha</em>: Essa é a grande questão. Se for escolha, então podemos tentar convercer quem quer que seja a escolher diferente, como se escolhe um partido político ou um time de futebol. Se for escolha, escolher gostar de alguém do mesmo sexo seria igual a escolher torcer pro Flamengo ou pro Palmeiras e, nesse caso, se a sociedade disser que é errado ser homossexual, ele poderia ser &#8220;convertido&#8221; ou &#8220;virar a casaca&#8221; e passar a ser heterossexual. A grande questão é que se percebeu que não se escolhe ser homossexual: a pessoa se descobre homossexual. Mas daí vem outra grande questão: como a pessoa passou a ser homossexual, será que ela nasce assim ou se torna assim depois de nascer?</p>
<p><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/asgay02.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-641" title="Será que se pode desligar a homossexualidade?" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/asgay02.jpg" alt="Será que se pode desligar a homossexualidade?" width="250" height="270" /></a>2) <em>O que causa a homossexualidade?</em> Essa é outra questão que muita gente metida a cientista tenta responder, mas eu digo já de antemão que ela não tem resposta. Mas antes de dizer por que não tem resposta, queria analizar a pergunta. Geralmente as pessoas perguntam a causa da homossexualidade com um único propósito: se conheço a causa, posso tentar evitá-la para mudar a consequência. Por exemplo, se digo que a homossexualidade tem causa genética, ou seja, é um gene que te faz ser homossexual, eu posso, com esse conhecimento, usar de engenharia genética e evitar que futuros bebês sejam homossexuais. Ou ainda, se eu digo que é uma questão da gestação, por um problema qualquer da mãe, então eu posso dar remédios para combater isso e evitar mais um bebê homossexual. Novamente, perguntar a causa traz em si a ideia de prevenção. Na real, essa é a única utilidade de se saber o que causa a homossexualidade. Então, essa pergunta é 100% homofóbica! Ao se tentar utilizá-la para provar que a homossexualidade não é escolha, mas sim inata, cai-se no erro de dar margem pra prevenção à homossexualidade e, tenho certeza, nenhum homossexual compreende sua condição como algo que possa ser prevenido. Diante disso, já digo que não vale a pena tentar encontrar a resposa a essa pergunta, por isso ela não tem resposta. É melhor admitir que ela não tem resposta, para não se cair em problemas futuros. Além disso, ninguém pesquisa o que &#8220;causa a heterossexualidade&#8221;, certo? Então, novamente, não vale a pena se pensar nisso.</p>
<p><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/Quando-se-manifesta-a-homossexualidade1.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-642" title="Quando se manifesta a homossexualidade, no nascimento?" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/Quando-se-manifesta-a-homossexualidade1.jpg" alt="Quando se manifesta a homossexualidade, no nascimento?" width="318" height="209" /></a>3) <em>A pessoa já nasce homossexual</em>. Essa é uma questão que beira a causalidade, mas é uma forma de fugir do paradigma da escolha sem tentar explicar a causa. Simplesmente aceita-se que a pessoa já nasce pré-disposta a ser homossexual ou a ser heterossexual. Mas, daí, levando outra questão: como saber isso se as primeiras manifestações de desejo sexual por outra pessoa se dá muitos anos depois do nascimento? Aí entra uma velha batalha científico-filosófica: qual tem maior influência, o inato ou o aprendido? Alguns defendem que o ináto, ou o genético, tem mais força. Outros dizem que tudo depende do ambiente e do que se aprende. Eu sou mais moderado e acho que depende de uma relação entre o inato e o aprendido, entre o genético e o ambiental. Então eu defendo que a pessoa não nasce homossexual. No máximo, ela pode nascer pré-disposta, mas vai depender de fatores ambientais também. Um exemplo disso são algumas pessoas que escolheram a castidade (e nisso não digo só padres, mas freiras também ou pessoas de outras religiões que praticam a castidade ritual): essas pessoas não possuem, ao menos não manifestamente, uma opção sexual por nenhum genero. Eu diria até que para essas pessoas existiria uma pré-disposição ao celibato ou uma assexualidade, mas que necessitaria do ambiente para se manifestar. E nisso, temos outra questão também: homossexual é um nome que damos a uma pessoa que tem determinada prática sexual. Em outra cultura com outros valores e práticas sexuais, ele não recebe esse nome, portanto, dizer que alguém &#8220;nasce&#8221; homossexual é delicado.</p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/rivello/262600861/"><img class="alignleft size-full wp-image-643" title="Homossexuais são sempre homossexuais?" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/lesbos.jpg" alt="Homossexuais são sempre homossexuais?" width="280" height="186" /></a>4) <em>Não existe ex-homossexual</em>. Talvez esse seja correto, da mesma forma como não existe ex-heterossexual. Porém, gostos podem mudar. Teoricamente, podemos mudar de gostos ou aprender a aprecidar outras coisas, se nos permitirmos. Existe um filme do Kevin Smith chamado <a href="http://www.imdb.com/title/tt0118842/">Chasing Amy</a> que mostra justamente isso. A personagem Alyssa Jones disse que preferia mulheres porque em determinado momento de sua vida, ela percebe que gostar só de homens limita as opções para ela encontrar o amor e se ela gostasse de mulheres também, teria duas vezes mais chances. Pode parecer uma escolha, mas de certa forma, muita coisa em nossa vida é. Da mesma forma como é escolha ter atração por um genero e viver como se tivesse atração por outro. Isso vai ao nosso quinto e último ponto:</p>
<p>5) <em>Homofóbicos são homossexuais enrustidos</em>. Esse é o meu favorito. Eu sempre defendo que aquilo que eu mais odeio no outro é o que eu não quero aceitar em mim mesmo. Por exemplo, se eu critio o outro por ser preguiçoso por ele não querer me ajudar a fazer um trabalho que eu já deveria ter feito, estou falando que eu não quero aceitar que eu mesmo sou preguiçoso. O mesmo serve para os homofóbicos. Não quero aqui dizer que TODOS são, mas existe uma grande tendência. É claro que existem os casos de homofobia e preconceito aprendido, mas que no fundo não é tão alimentado. Mas os casos mais fortes, você pode ter certeza que sim, existem tendências homoafetivas. O mais legal é que fizeram estudos científicos sobre isso e este clip abaixo mostra justamente os resultados.</p>
<p style="text-align: center;"><object width="480" height="390"><param name="movie" value="https://www.youtube.com/v/qVb8KtlMgmE?version=3&amp;hl=en_US" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="390" src="https://www.youtube.com/v/qVb8KtlMgmE?version=3&amp;hl=en_US" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=qVb8KtlMgmE"> Assista ao vídeo no Youtube, caso encontre problemas para assistir aqui no blog.</a></p>
<p>Eu fico aqui com essas posições. Vale lembrar que, diferente das religiões, ciência é algo em constante construção. Eu deixo aqui as minhas reflexões sobre o tema. Posso estar errado e, com certeza, amanhã irão provar que estou. Mas até lá, tentaremos construir o nosso conhecimento sobre o tema.</p>
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		<title>Homossexual&#8230; idade&#8230; ismo&#8230; o que é mesmo o sexo?</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Jul 2011 18:58:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pablo de Assis</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ouvindo e lendo pela internet várias opiniões sobre homoafetividade ou homoerotismo, me deparo com vários conceitos e desconceitos sobre o tema. Queria tentar abordar uma dessas questões sob o ponto de vista histórico e psicológico. É claro que não conseguirei esclarecer todas as dúvidas ou abordar todos os pontos sobre o assunto, mas tentarei ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/Homossexual.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-625" title="Homossexual... idade... ismo... o que é mesmo o sexo?" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/Homossexual.jpg" alt="Homossexual... idade... ismo... o que é mesmo o sexo?" width="260" height="172" /></a>Ouvindo e lendo pela internet várias opiniões sobre homoafetividade ou homoerotismo, me deparo com vários conceitos e desconceitos sobre o tema. Queria tentar abordar uma dessas questões sob o ponto de vista histórico e psicológico. É claro que não conseguirei esclarecer todas as dúvidas ou abordar todos os pontos sobre o assunto, mas tentarei ao menos esclarecer algumas questões. O que quero tratar é justamente é justamente a história por trás da homossexualidade e dos nomes que usamos para designar esse comportamento.</p>
<p><strong>Homossexualidade ou Homossexualismo?</strong></p>
<p>A primeira questão aqui é sobre o nome que damos para essa condição. Alguns dizem que o correto é falar &#8220;homossexualidade&#8221; porque &#8220;homossexualismo&#8221; seria doença. Outros não estão nem aí para isso, pois se assim fosse, cristianismo, espiritismo, capitalismo, marxismo, tudo isso também seria doença. Antes de dizermos o que é o correto, temos que compreender de onde vieram esses nomes?</p>
<p><span id="more-624"></span>Para começo de conversa, o termo &#8220;homossexual&#8221; é relativamente recente e data de meados do século XVIII, quando ele foi descrito como uma doença ou condição discriminante. Antes disso, a palavra não existia e não era usada! Então fica complicado dizer que qualquer pessoa antes disso era homossexual ou não. O que aconteciam eram comportamentos que os pesquisadores atuais chamam de homoafetivos ou homoeróticos. Mas todos esses comportamentos tinham o seu contexto cultural.</p>
<p><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/Grécia-antiga.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-626" title="Relação sexual na Grécia antiga" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/Grécia-antiga.jpg" alt="Relação sexual na Grécia antiga" width="150" height="306" /></a>Se voltarmos ao maior exemplo de comportamento homoafetivo, a Atenas clássica, podemos perceber como isso acontece. Muitos dizem que a Grécia como um todo era homossexual, o que é uma mentira. Para começar, ninguém antes do século XVIII era homossexual. Segundo, se assim fosse, não haveriam nascimentos na Grécia. Temos que compreender o comportamento sexual da época para perceber como era isso. Para começar, já vou dizendo que essa prática era mais comum em Atenas que em outras cidades, como Esparta ou Corinto.</p>
<p>Acontece que em Atenas era muito comum a democracia. A democracia, ao contrário do que acham, não é o &#8220;governo do povo&#8221;, mas sim o governo do <em>cidadão</em>. Um cidadão ateniense era um homem adulto livre nascido na cidade, ou seja, mulheres, escravos, servos, crianças e estrangeiros não eram considerados cidadãos. A política da cidade era feita pelos cidadãos e as ações dos cidadãos eram feitas entre os cidadãos. Eles, além de política, filosofavam e discutiam e se diveritam e faziam tudo entre si. Inclusive a prática da sexualidade por prazer também era feita entre cidadãos. É claro que eles conheciam o conceito de sexo por reprodução e até mesmo muitos cidadãos eram casados e tinham filhos, mas o prazer e a diversão não era feita com mulheres, pois elas eram vistas como objetos ou propriedades. Mulheres eram simples parideiras &#8211; inclusive a palavra grega para mulher <em>gyneko</em>, significa literalmente &#8220;parideira&#8221;.</p>
<p>Então, em Atenas, mais do que uma valorização do comportamento homossexual, existia uma desvalorização da mulher em todos os sentidos. Sobrava então ao homem o comportamento homoerótico ou buscar prazer sexual com outro homem. Os jovens, inclusive, eram iniciados socialmente, também, através de práticas sexuais com outros homens. Não havia necessariamente penetração, mas sim estimulação genital. Eles, então, não eram homossexuais, porque essa prática sexual ateniense não se compara em nada com a prática sexual que temos home em dia.</p>
<p>Diante disso, podemos compreender que as práticas sexuais são culturais e cada cultura possui seus limites e organizações. Lembro-me até de ver uma entrevista no Jô Soares há muito tempo onde um índio de uma tribo do Amazonas dizia que em sua tribo não haviam homossexuais e que isso não era uma questão de preconceito, mas sim que em sua cultura o papel do homem e da mulher e do sexo estão tão definidos que não haveria espaço para essas outras manifestações. Isso, em si, já daria um outro estudo enorme sobre sexualidade!</p>
<p><strong><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/cantadahomossexual.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-627" title="As várias formas de se amar foram classificadas" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/cantadahomossexual.jpg" alt="As várias formas de se amar foram classificadas" width="304" height="397" /></a>Mas então, e a questão do nome?</strong></p>
<p>No século XVIII, com o Iluminismo na Europa e a valorização do pensamento científico, houve uma necessidade de classificar tudo, inclusive o comportamento sexual. Por mais científica que a sociedade fosse, o pensamento religioso ainda imperava. E aqui temos que fazer outra pausa para refletir sobre a influência da religião sobre a sexualidade&#8230;</p>
<p>Podemos dizer que a religião &#8220;oficial&#8221; do ocidente é o cristianismo, ou ao menos a grande maioria dos países ocidentais tem como maioria representativa o cristianismo. Isso quer dizer que pensamos sobre o cristianismo como algo natural, cultural e geralmente não questionamos seus valores.</p>
<p>Porém, antes do cristianismo, existiram várias outras religiões que iam além do judaísmo. E muitas dessas religiões inclusive se utilizavam de práticas sexuais. Os seguidores romanos do deus Baco, tinham as bacanais, conhecidas hoje em dia como &#8220;orgias religiosas&#8221;, onde a prática do sexo e da intoxiacação por álcool era norma. Ao mesmo tempo, os seguidores da deusa Vesta, conhecidas como vestais, praticavam a castidade ritual. O sexo era uma função importante para a religiosidade antiga, seja pela prática ou pela castidade.</p>
<p>Foi com o advento do cristianismo que a sexualidade perdeu espaço. E era necessário que isso acontecesse! Se a sexualidade permanecesse, as práticas das antigas religiões também iriam continuar. O judaísmo, que serviu de base para o cristianismo, conseguiu sobreviver tanto tempo justamente pela imposição da castidade, pois assim haveria uma pureza do sangue e uma asseguração da continuidade da cultura que não se perderia no meio das outras. O cristianismo trouxe o mesmo pensamento.</p>
<p><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/sexocistao.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-628" title="O sexo para o cristianismo deveria ser unicamente no casamento" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/sexocistao.jpg" alt="O sexo para o cristianismo deveria ser unicamente no casamento" width="262" height="196" /></a>O sexo, para o cristianismo, deveria servir unicamente para a procriação. Dessa forma, garantiria-se a perpetuação da cultura cristã, sem se misturar ou perder diante das outras que pregavam a sexualidade como caminho religioso. Passaram-se então séculos com essa cultura, onde o sexo só poderia servir para a reprodução. Houve então a valorização do amor romântico e o casamento por amor &#8211; isso na idade média ainda, por influência árabe. O casamento na sociedade ocidental passou a ser o único local onde a prática sexual era permitida, e somente para fins de reprodução, para santificar a criação divina.</p>
<p>E, voltando ao iluminismo, eles precisavam classificar tudo. Ao se falar de sexualidade, definiram o padrão cultural do casamento cristão como o correto e o chamaram de heterossexual, por se tratar de um encontro sexual entre diferente (um homem e uma mulher) e todo o resto era errado, como o homossexual, o que se encontrava sexualmente com um igual (homem com homem ou mulher com mulher). Mas essa não era a única prática sexual abominada pela sociedade: tínhamos também a poligamia, onde um homem casava-se com mais de uma mulher (como ainda acontece entre alguns povos árabes) e a menos conhecida poliandria, onde uma mulher casa-se com mais de um homem, o que acontece em poucas tribos espalhadas pelo mundo. Nada disso era aceito e era visto como desvio ou até mesmo doença.</p>
<p><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/Como-é-tratado-o-relacionamento-entre-homossexuais.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-629" title="Como é tratado o relacionamento entre homossexuais" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/Como-é-tratado-o-relacionamento-entre-homossexuais.jpg" alt="Como é tratado o relacionamento entre homossexuais" width="302" height="200" /></a>A noção de doença ganhou força com o crescimento da medicina. O homossexualismo, ou condição de ser homossexual, era sinônimo de doença e que deveria ou poderia ser curado, justamente por ir contra os padrões ditos naturais de procriacão. Isso ganhou força por dois séculos, até meados do século XX, na década de 70, com a dita &#8220;Revolução Sexual&#8221;, onde o sexo voltou a ganhar importância e vista como meio de se ter prazer, além de procriar. As mulheres também passaram a ser mais valorizadas e seus desejos reconhecidos. Foi nessa época também que se propós deixar de tratar o homossexualismo como doença.</p>
<p>Para isso, disseram algo como, &#8220;se mudarmos o nome, o estiga some!&#8221; e então passaram a chamar de &#8220;homossexualidade&#8221;, ou qualidade de quem é homossexual. Mudou-se o nome, mas o estigma continua. Hoje, ser homossexual pode não ser visto como doença, mas ainda é carregado de preconceito, independentemente de como o chamem. Na prática, não importa como se classifica, pois, ao se classificar, já se coloca o estigma do diferente. O mais engraçado é que essa classificação não tem mais do que 200 anos e antes disso, nem se era pensado!</p>
<p><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/Viseu_Manif-223x300.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-630" title="Ama-se quem se quer" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/Viseu_Manif-223x300.jpg" alt="Ama-se quem se quer" width="223" height="300" /></a>Pessoalmente, como pesquisador, prefiro chamar a condição do homossexual de homossexualismo, da mesma forma que falo de cristianismo ou marxismo ou capitalismo ou romatismo ou cientificismo &#8211; como um grupo de ideias e conceitos que posso utilizar para classificar alguma realidade. E utilizo o termo homossexualidade para me referir à questão cultural do homossexual hoje em dia. Ser homossexual não é só gostar de pessoas do mesmo sexo, mas se comportar segundo uma cultura própria, com práticas e até mesmo linguajares próprios.</p>
<p>O mais engraçado é que essa mesma cultura, ao se tentar diferenciar da cultura machista e heterossexual dominante, acaba reafirmando-a, dizendo que o homossexual precisa ser diferente do &#8220;normal&#8221;. Criamos então pré-conceitos de diferença e até mesmo o homossexual acaba sendo preconceituoso ao querer se afirmar como diferente, ao se portar como diferente só para marcar presença. Ele afirma, com sua postura, que a sociedade dominante, ao ser errada em não aceitá-lo, está certa ao manter esses padrões para homens e para mulheres. Se é homem, você gosta de mulher e se você gosta de homem, você é mulher: por isso homossexuais homens se portam como mulheres, como resposta direta não à liberação homossexual, mais sim ao heterossexismo, ou o padrão da diferença.</p>
<p><strong>E o que fazer então com o pré-conceito</strong></p>
<p>Pessoalmente, eu vejo que para acabar com o preconceito é necessário acabar com as diferenças e as separações. Não precisamos de rótulos, de títulos, não precisamos de nomes como gays, lesbicas, bissexuais, heterossexuais, transexuais, transgêneros, etcs. Só precisamos aceitar uma coisa: somos todos pessoas, todos amamos e todos sentimos prazer. Se uma pessoa prefere homens, ótimo pra ela. Se prefere mulheres, ótimo também! Se quer os dois, melhor ainda! É como um homem preferir loiras, ou mulheres com seios siliconados ou as gordinhas ou mulheres preferirem homens carecas ou com barriga: é preferência do que mais gosta. E nem por isso chamamos de loirossexuais ou siliconossexuais ou carecossexuais! Não precisamos classificar nossos gostos ou desgostos sexuais, muito menos tentar descobrir de onde veio ou pra onde vai: só precisamos nos permitir amar e gostar e ter prazer com o outro, e sermos amados e gostados e que tenham prazer conosco também. Não somos intrinsica ou naturalmente hetero ou homo ou bi ou pansexuais: somos simplesmente seres sexuais. Se aprendermos a aceitar isso, não iremos ter problemas com preconceito, homofobia, heterofobia ou qualquer outra cosia assim. Mas será que conseguiremos abrir mãos dos rótulos? Na real, acho mais difícil abrirmos mãos dos rótulos e da necessidade de rotular do que do preconceito ao homossexual&#8230;<a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/homofobia.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-631" title="Devemos respeitar todas as formas de amor" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/homofobia.jpg" alt="Devemos respeitar todas as formas de amor" width="400" height="194" /></a></p>
<p>Se quiserem ouvir o papo que me inspirou a escrever sobre isso, ele está <a title="Piratacast #27 - Os Gays e a Polêmica da União Homoafetiva" href="http://www.baupirata.com/2011/07/10/podcast/piratacast/piratacast-27.html">aqui, no Piratacast, do pessoal do Baú Pirata</a>. E também irei publicar <a href="http://pablo.deassis.net.br/2011/07/homossexuais-e-a-ciencia/">outros textos sobre o assunto</a>, então fiquem ligados aqui!</p>
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		<title>Sobre a Morte e o Viver&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Jan 2011 03:55:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pablo de Assis</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Este é um tema delicado pra se tratar, principalmente nesse período de final e começo de ano. Mas, a morte vem muitas vezes sem aviso e sem data marcada. Final de ano é um período simbólico de morte de um período e nascimento de outro. Mas não é dessa morte que quero falar. Quero realmente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/Anonymous-Tree-Sunset-232184.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-568" title="Anonymous-Tree-Sunset-232184" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/Anonymous-Tree-Sunset-232184.jpg" alt="" width="290" height="219" /></a>Este é um tema delicado pra se tratar, principalmente nesse período de final e começo de ano. Mas, a morte vem muitas vezes sem aviso e sem data marcada.</p>
<p>Final de ano é um período simbólico de morte de um período e nascimento de outro. Mas não é dessa morte que quero falar. Quero realmente falar sobre o fato de termos que lidar com a partida definitiva de pessoas que gostamos.</p>
<p>Nunca é fácil aceitar a morte de alguém e nossa cultura se construiu em cima do pressuposto básico da &#8220;Vida a cima de tudo&#8221; e nós aprendemos que devemos fazer de tudo e mais um pouco para deixar as pessoas vivas e que nunca devemos desejar ou contribuir para a morte de alguém.<span id="more-550"></span></p>
<p><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/cancer-mama1.jpg"><img class="size-full wp-image-569 alignleft" title="Símbolo da concientização sobre Câncer de Mama" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/cancer-mama1.jpg" alt="Símbolo da concientização sobre Câncer de Mama" width="189" height="267" /></a>Sem querer entrar em questões religiosas, mas temos na lei e na medicina nossos principais representantes dessa premissa. A legislação diz que não devemos matar nem contribuir direta ou indiretamente para a morte de qualquer pessoa, sob pena de prisão. A medicina tenta desenvolver técnicas das mais variadas possíveis para prolongar ao máximo a vida das pessoas &#8211; sem ao menos discutir o que é essa vida e que qualidade se dá a ela.</p>
<p>Uma coisa que me chama a atenção é que a medicina &#8211; e a sociedade em geral que compra o discurso médico para si &#8211; sempre busca últimas alternativas para prolongar a vida da pessoa quantitativamente. Um exemplo, em um caso de câncer: faz-se quimioterapia e radioterapia na tentativa de eliminar as células defeituosas, mesmo sabendo que isso também eliminará células saudáveis: para quê? Para prolongar a vida ao custo do sofrimento do tratamento. Em vários casos, isso basta. Em vários outros, isso não é o bastante.</p>
<p>Quando chega-se em casos extremos, dependendo do câncer, pode-se pensar em um transplante, como é o caso da leucemia. Pode-se fazer um transplante de medula óssea e com isso prolonga-se em alguns anos a vida do paciente. Isso é visto como uma grande conquista!<a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/Morte.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-570" title="Temos medo da Morte" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/Morte.jpg" alt="Temos medo da Morte" width="286" height="215" /></a></p>
<p>Mas uma coisa que me questiono: por que não nos preocupamos em tentar compreender o valor da vida, suas qualidades e trabalhar para melhorar isso, ao invés de só tentar prolongar a quantidade dela?</p>
<p>Minha única resposta a essa questão é: Porque temos medo da morte.</p>
<p>E o que seria esse medo da morte? Ou melhor: o que seria a Morte? E por que devemos nos perguntar isso?</p>
<p><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/vida_e_morte1.png"><img class="alignleft size-full wp-image-571" title="Vida e Morte andam juntas" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/vida_e_morte1.png" alt="Vida e Morte andam juntas" width="173" height="212" /></a>Saber sobre a morte é saber sobre a vida. Diferente do que tentam nos empurrar, a morte não é o oposto da vida, porque a vida não existe sem a morte e vice-versa. Para algo morrer, é preciso que ele esteja vivo. Da mesma forma, para que algo possa viver, ele tem que poder morrer também. Uma é a <a href="http://pablo.deassis.net.br/2010/06/nossa-amiga-a-sombra/">sombra</a> da outra e uma é tão necessária quanto a outra. Compreender isso e aceitar isso já é o primeiro passo.</p>
<p>O título desse post é inspirado no livro <em>Sobre a Morte e o Morrer</em> de Elizabeth Kübler-Ross onde ela trata de sua experiência com pacientes terminais, especialmente de câncer. Ela percebeu que esses pacientes, ao receberem o diagnóstico terminal enfrentam todos cinco estágios básicos do luto, onde enfrentamento da morte:</p>
<p>1) <strong>Negação</strong> &#8211; Essa é a primeira reação da pessoa com a morte. <em>Isso não pode estar acontecendo. Esse tipo de coisa não acontece comigo. O diagnóstico está errado, logo eu melhoro.</em> É uma reação natural ao se deparar com uma notícia que não se espera: negá-la. Infelizmente, muita gente, enquanto não precisa enfrentar todo o resto do processo do morrer, se prende na negação e não aceita a possibilidade da morte.</p>
<p>2) <strong>Raiva</strong> &#8211; Depois que a negação passa, quando se percebe que realmente se está morrendo, vem o período da raiva. Aprendemos a lidar com as coisas que não aceitamos com raiva, ódio, agressividade. E lidamos assim com a morte também. <em>Isso tudo é culpa do maldito cigarro. Que droga de doença, por que tinha que ser justo eu? De todas as pessoas que podiam morrer, não pode ser eu que tenho família e toda uma vida pela frente.</em> A raiva e a revolta são posturas justas diante principalmente da razão absurda da morte. Como ela vem sem sentido, sem razão e mostra que nada na vida faz sentido, nos revoltamos e agimos &#8211; naturalmente &#8211; com raiva.</p>
<p>3) <strong>Barganha</strong> &#8211; Não adianta ficar com raiva ou revoltar-se porque essas ações, por mais naturais que sejam e eficazes em vários momentos da vida, aqui de nada vão ajudar. Então tenta-se a barganha, tenta-se pedir por mais tempo de vida diante da certeza da morte. <em>Será que consigo ver meus filhos se casarem? Eu tenho dinheiro e posso pagar os tratamentos mais caros se for preciso.</em> Neste momento a pessoa já percebeu que está se encaminhando para a morte, mas ainda não percebeu sua situação inevitável.</p>
<p>4) <strong>Depressão</strong> &#8211; Com a inevitabilidade da morte chega também a depressão e a realização de que não há nada a se fazer. A impotência acaba se tornando a única certeza e com ela vem a sensação de tristeza, desamparo e desespero. <em>De que adianta lutar, se vou morrer mesmo. Se vou morrer é porque eu não mereço viver.</em> Por pior que isso possa parecer, a depressão é um período necessário para poder compreender a própria situação da vida e também para se livrar, através da catarse do choro, de muita energia reprimida durante a vida.</p>
<p>5) <strong>Aceitação</strong> &#8211; O último passo é justamente a aceitação. Depois de negar a morte, negar o absurdo da vida, negar a inevitabilidade e enfrentar a impotência, o último passo é justamente perceber e aceitar tudo isso e tentar desfrutar o pouco de vida que lhe resta. <em>Já que vou morrer, vou aproveitar o que tenho. Depois que eu me for, as coisas vão continuar bem.</em></p>
<p><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/A-costa-da-Morte.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-574" title="A costa da Morte" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/A-costa-da-Morte.jpg" alt="A costa da Morte" width="279" height="209" /></a>Uma coisa que a autora percebeu também é que esse mesmo processo de lidar com a morte é passado por quem acompanha os pacientes terminais. Ou seja, lidar com a morte não é só lidar com a própria morte, mas sim com a situação de mortalidade, independente se é a sua ou de outra pessoa. Lidar com a morte não é facil, mas acredito que isso acontece porque não queremos aceitá-la.</p>
<p>Mas uma coisa que tenho percebido é que a forma como lidamos com a morte é a mesma forma que lidamos com a vida. Quem tem medo de morrer, tem medo de viver. Isso é claro com pessoas que arriscam a vida: quanto mais perto da morte, mais intensa é a vida. Isso acontece com esportes radicais e até com uso de drogas. É só perceber que as pessoas que têm medo de morrer acabam deixando de viver. A vida é caminhar em direção à morte e isso é inevitável.</p>
<p><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/dia-de-los-muertos.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-575" title="dia de los muertos" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/dia-de-los-muertos.jpg" alt="" width="180" height="272" /></a>Eu disse tudo isso justamente para tentar trazer uma reflexão diferente pra algo que precisamos viver mas nos recusamos a fazê-lo. Eu vejo muita gente lutando contra a morte como se ela fosse nossa maoir inimiga, mas ela não é. Ela é algo inevitável e deve ser encarada como algo tão natural quanto respirar ou comer.</p>
<p>Morte não escolhe idade, gênero, raça, condição social. A morte nos mostra que somos todos humanos, todos fazemos parte da mesma condição mortal. A morte é a grande socializadora e equalizadora da vida. E é na morte que percebemos não só nossos limites, mas nossos potenciais. <em>Até que a morte nos separe. É um caso de vida ou morte. Nem morto faço isso</em>.</p>
<p>A morte não é ruim. Ela traz coisas que não queremos, como impotência, revolta, saudades, mas ela é tão importante quanto a vida. Se soubermos aceitar isso, com certeza a vida ganhará muito.</p>
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		<title>A culpa é da culpa</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Sep 2010 22:30:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pablo de Assis</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
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		<description><![CDATA[Culpa não existe. Culpa é um sistema criado para manipulação das massas. Se você sente culpa por alguma coisa, qualquer coisa, parabéns, você faz parte de uma massa manipulada por alguém! E enquanto isso, você se distancia de ser alguém de verdade e continua sendo mais um peão nesse jogo. Mas eu sinto culpa e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Culpa não existe. Culpa é um sistema criado para manipulação das massas. Se você sente culpa por alguma coisa, <em>qualquer coisa</em>, parabéns, você faz parte de uma massa manipulada por alguém! E enquanto isso, você se distancia de ser alguém de verdade e continua sendo mais um peão nesse jogo.</p>
<p><em><strong>Mas eu sinto culpa e esse sentimento é real! Não é uma invenção, uma manipulação.</strong><br />
</em></p>
<p><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/culpa-blog.jpg"><img class="size-full wp-image-435 alignright" title="A culpa é sua!" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/culpa-blog.jpg" alt="A culpa é sua!" width="240" height="168" /></a>É sim. O que prova que você foi tão manipulado que não consegue pensar diferente. Mas se a culpa é um sentimento real e manipulado ao mesmo tempo, só existe uma explicação: sentimos <em>algo</em> que aprendemos a chamar de culpa, que não é culpa. É engraçado que existem sistemas e teorias inteiras baseadas no conceito de culpa, que só servem para propagar essa enganação. O sistema legal é uma delas, por exemplo. A teoria psicanalítica utiliza de conceitos de moralidade e culpa também. E quem as ouve e acredita nisso só está se enterrando mais nesse pântano.</p>
<p><strong><em><span id="more-429"></span>Mas o que é isso que eu sinto então?</em></strong></p>
<p><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/0culpa77.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-438" title="Carregamos o peso da responsabilidade das costas" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/0culpa77.jpg" alt="Carregamos o peso da responsabilidade das costas" width="250" height="250" /></a>Todos nos seres vivos e existentes nesta terra somos fadados a fazer escolhas e sermos livres. &#8220;<em>Somos todos condenados à liberdade</em>&#8220;. Essa talvez seja a única coisa da qual não temos escolha: a liberdade. Na real, podemos escolher não termos escolha e vivermos de má-fé, nos enganando o tempo todo (é isso que faz a maioria das pessoas). Mas, para chegarmos nesse ponto, tivemos que fazer uma escolha e escolhemos constantemente nos manter nesse estado.</p>
<p>Por sermos seres livres, temos que fazer escolhas. Escolher por escolher é simples: o problema é que toda escolha tem sua consequência e é aí que vem o &#8220;X&#8221; da questão.</p>
<p>Quando nos deparamos com o desconhecido, nosso organismo ativa um sistema de auto-defesa que nos avisa que algo está errado. É um alerta, uma sensação desagradável que basicamente nos faz ficar atentos ao perigo e termos a reação ou de lutar ou de fugir (<em>fight or flight</em>) para nos protegermos. Quando a ameaça é real, está na nossa frente ou é algo que podemos fazer, como um animal prestes a nos atacar ou uma casa pegando fogo, fica fácil saber qual a nossa reação. Mas, quando essa ameaça vem de algo desconhecido e que não temos controle nenhum, como o nosso futuro ou a consequência indireta das nossas ações?</p>
<p><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/culpas.jpeg"><img class="size-full wp-image-436  alignright" title="Esse sentimento é  real: é a angústia..." src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/culpas.jpeg" alt="Esse sentimento é real: é a angústia..." width="260" height="194" /></a>Isso faz com que sintamos algo que chamamos de &#8220;angústia&#8221;. Essa angústia é o que nos move para fazermos algo da nossa vida e nos faz tomarmos decisões melhores. Quando escolhemos algo que não nos agrada, essa angústia toma conta de nós e, para evitar esse sentimento, da próxima vez que isso acontece, escolhemos diferente, até acertarmos. É isso que chamaos de responsabilidade: quando, além de escolhermos, escolhemos também as consequências das nossas escolhas.</p>
<p>A experiência e os bons projetos de vida são a melhor forma de não vivermos constantemente angustiados. Mas existe uma forma mais fácil de fazer isso: a culpa.</p>
<p><strong><em>A culpa é minha e eu faço com ela o que eu quiser!</em></strong></p>
<p>Quando os primeiros grupos humanos descobriu que todos nós vivemos a partir desse princípio da angústia e da responsabilidade sobre nossas escolhas, eles descobriram que poderiam manipular esse sentimento para controlar as massas. Eles criaram a culpa.</p>
<p><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/culpaHJS.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-437" title="&quot;A culpa é minha e eu coloco ela em quem eu quiser!&quot;" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/culpaHJS.jpg" alt="&quot;A culpa é minha e eu coloco ela em quem eu quiser!&quot;" width="450" height="231" /></a>Uma coisa que precisamos entender sobre as escolhas e a responsabilidade: TODA escolha que tomamos sempre envolve pelo menos duas pessoas, ou seja, está em uma relação. Não precisa ser uma pessoa necessariamente, mas sim algo com o qual nos relacionamos. Porém, essa responsabilidade sempre é compartilhada com a outra parte, pois as decisões nunca são feitas sozinhas. Por exemplo, se um casal faz sexo e a mulher engravida, tanto o homem quanto a mulher são responsáveis pelo bebê, ou seja, precisam aceitar as consequências da gravidez.</p>
<p>O mesmo acontece com um caso de estupro: não só o estuprador é responsável pelo ato de violência, mas a mulher estuprada também, pois ela precisa aceitar e conviver as consequências desse ato, sejam elas DSTs, uma gravidez indesejada ou trauma emocional. Em nenhum caso as partes envolvidas em qualquer ação podem ficar omissas de suas responsabilidades, ou seja, das consequências dessas ações. Por isso, ambas as partes convivem com a angústia.</p>
<p><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/bush-a-culpa.jpg"><img class="alignleft  size-full wp-image-439" title="De quem é a culpa?" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/bush-a-culpa.jpg" alt="De quem é a culpa?" width="250" height="349" /></a><strong><em>A não ser que se encontre um culpado&#8230;</em></strong></p>
<p>Na relação de culpa, pega-se a relação responsável, e coloca-se toda a responsabilidade que deveria ser compartilhada somente em cima de uma pessoa. Essa pessoa é então culpada e o sentimento de culpa que ela sente é o de angústia da responsabilidade pela ação. A outra parte, por não ser responsável pelas consequências de seus atos, não sente mais angústia! E qual a vantagem disso? É que a parte <em>culpada </em>pode ser <strong>des</strong><em>culpada</em> pela parte não culpada. E assim, ninguém vive mais com angústia!</p>
<p><strong><em>Se ninguém vive mais angustiado, qual o problema? Isso não é bom?</em></strong></p>
<p>O problema é que a angústia nos leva a sermos responsáveis. Se não temos mais angústia, não temos porque nos responsabilizar por nossas ações. Podemos escolher sem medo das consequências, porque se fizermos algo errado, podemos ser desculpados depois. Tudo bem eu quebrar o copo por não prestar atenção às coisas à minha volta: vão me perdoar e não terei que fazer mais nada a respeito disso.</p>
<p>A vida sem angústia é uma vida irresponsável, é uma vida que não nos pertence, pois não temos mais responsabilidade sobre a consequência das nossas escolhas. Tudo pode acontecer e nada mais é nosso. Se cometemos um erro, ele não nos pertence. Mas se cometemos um acerto, nós o queremos para compensar a falta de experiência alcançada com nossos erros.</p>
<p><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/maniqueismo.jpeg"><img class="size-full wp-image-440 alignright" title="A vida é só sim ou não?" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/maniqueismo.jpeg" alt="A vida é só sim ou não?" width="250" height="201" /></a>Erros e acertos fazem parte da vida e todas as experiências são válidas. Viver de culpas e desculpas é somente aceitar os acertos e dispensar os erros. Sem erros, temos menos experiências e para preencher essa lacuna procuramos sempre mais acertos! Então sempre queremos mais e mais. Só ficamos satisfeitos com a perfeição. O mundo então passa a ser monocromático, onde só o bom e o certo é aceitável. O mau e o errado é ignorado, desculpado e deixado de lado.</p>
<p>A vida perde sua cor. E de quem é a culpa? Da culpa. Ou seja, graças a esse mecanismo de culpa-desculpa que vivemos, deixamos de nos responsabilizar por nossos atos, deixamos de aprender com nossos erros, deixamos de mudar e sermos pessoas melhores graças às nossas experiências.</p>
<p><strong><em>Me sinto culpado agora. Qual é a solução pra isso?</em></strong></p>
<p>Pra começar, deixar de se sentir culpado. Como? Reconheça a situação que promoveu esse sentimento. Reconheça as partes envolvidas e aceite a sua responsabilidade sobre o ocorrido. Não queira aceitar a responsabilidade pelos outros já que isso é tornar o outro irresponsável, o que o torna irresponsável também. Não queira abraçar o mundo e reconheça suas limitações. Aprenda que o erro também é válido e necessário para chegarmos onde queremos chegar. Faça projetos responsáveis e faça escolhas responsáveis. Perceba que essas ações são próprias da sua vida e retome ela para você e não deixe que <em>ninguém </em>escolha por você.</p>
<p><strong>&#8220;<em>Pedras no caminho? Coleciono todas, pois com elas irei construir o meu castelo</em>&#8220;.</strong></p>
<p><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/castelo.jpg"><img class="alignleft size-full  wp-image-441" title="Com as  pedras no caminho faço o meu castelo..." src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/castelo.jpg" alt="Com as pedras no caminho faço o meu castelo..." width="250" height="335" /></a>Viver sem culpa é viver responsável por suas ações, é não aceitar desculpas e fazer as coisas para que as consequências das nossas escolhas sejam sempre as melhores possíveis, dentro daquilo que queremos, planejamos e projetamos para a nossa vida e daqueles com os quais nos relacionamos. &#8220;<em>Devo fazer minha escolha como se ela fosse a escolha da humanidade toda</em>&#8220;, já dizia Sartre, grande inspirador deste texto. Mas isso não quer dizer que devemos escolher por todos, somente que a minha escolha deve levar em consideração as outras pessoas: quais? Todas.</p>
<p>Talvez assim possamos recobrar as cores da nossa vida criada pelas nuances das nossas escolhas. Tentem! Se der certo, me avisem aqui. Sei que dá certo pra mim e queria compartilhar esse sentimento com vocês.</p>
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		<title>Punição serve para absolutamente NADA!</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Jul 2010 03:46:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pablo de Assis</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[behaviorismo]]></category>
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		<description><![CDATA[Um título incisivo para um tema importante. Não canso de ouvir que a impunidade é o grande problema, que o sistema judicial é lento e devia punir mais, que com mais punição haveriam menos crimes. Entendo a ansiedade popular, mas não adianta pedir por punição ou reclamar da impunidade porque nada disso vai resolver os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/justica.jpg"><img class="size-full wp-image-373 alignright" title="Justiça" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/justica.jpg" alt="Justiça" width="230" height="305" /></a>Um título incisivo para um tema importante.</p>
<p>Não canso de ouvir que a impunidade é o grande problema, que o sistema judicial é lento e devia punir mais, que com mais punição haveriam menos crimes. Entendo a ansiedade popular, mas não adianta pedir por punição ou reclamar da impunidade porque nada disso vai resolver os problemas.</p>
<p>Punição é utilizada para evitar que uma pessoa emita um comportamento ou faça alguma coisa, muito utilizada como forma de educação &#8211; infelizmente. Existem duas formas de se fazer isso: uma é retirando algo prazeroso para a pessoa, como em um castigo; a outra é colocando algo que a pessoa não gosta, como em uma palmada. Podemos também entender a punição simplesmente como algo desagradável que ocorre que nos faz deixar de fazer alguma coisa, como uma mordida de cachorro que nos faz desgostar dos bichos. Primeiro, gostaria de mostrar por que punição não serve para nada e depois vou mostrar quais são as melhores alternativas e por quê.</p>
<p><span id="more-371"></span>Desde o começo do século passado, estudiosos em psicologia e ciência do comportamento pesquisam o que faz com que pessoas façam ou deixem de fazer ou emitir comportamentos. Um desses estudiosos &#8211; e talvez o mais conhecido e importante da área &#8211; é <em>Burrhus Frederich Skinner</em>, que desenvolveu a filosofia conhecida como <em>behaviorismo radical</em>.</p>
<p>Um de seus estudos é sobre a punição e seus mecanismos. Ele identificou que a punição em si só vai funcionar em exatamente uma condição: se ela é aplicada imediatamente após o ato que se deseja eliminar. Por exemplo, se você pega uma crinça fazendo algo errado e ela é punida enquanto ela faz isso, essa punição serve para algo. Se a punição é dada em qualquer outro momento, ela não vai funcionar.<a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/palmada.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-374" title="palmada" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/palmada.jpg" alt="palmada" width="330" height="264" /></a></p>
<p>E por que não vai funcionar? Basicamente por três motivos:</p>
<p>1) A punição pode ter efeito generalizador: ou seja, dependendo de como a punição é feita, a pessoa punida pode generalizar e temer qualquer ato ou comportamento relativo ao comportamento punido. Por exemplo, uma pessoa que é punida severamente por dirigir em alta velocidade pode passar a dirigir muito devagar, até mesmo em rodovias e estradas onde a velocidade máxima é muito maior do que a da cidade. Isso pode parecer bom, mas em alguns casos pode ser ruim, como em um trauma ou medo, como o medo de todos os tipos de bichos de estimação (cachorros ou gatos) por ter sido mordido por um cachorro.</p>
<p>2) A punição não tem efeito duradouro: A pessoa punida pode deixar de emitir o comportamento punido, mas depois de um tempo, ela pode voltar a emitir o comportamento. Isso é o que mais acontece, por exemplo, por quem é punido pela justiça e é preso. Por incrível que possa parecer, o maior número de pessoas presas no Brasil já estiveram presas antes, ou seja, são reincidentes. Em outras palavras, a punição não serviu para elas, porque elas voltaram a cometer crimes após terem sido punidas.</p>
<p>3) A punição só vai funcionar na presença do agente punitivo: A pessoa que é punida só vai evitar o comportamento quando quem o puniu estiver presente. Isso é muito claro no trânsito quando as pessoas desaceleram somente perto de postos policiais, viaturas ou radares eletrônicos. Quando não existe forma de a pessoa receber uma multa, ela acelera e quebra todas as leis de trânsito, mostrando que a punição utilizada na tentativa de educar não deu certo.</p>
<p>Mas nada disso é tão complicado quanto o fato de a punição somente retirar o comportamento: ela não fala o que a pessoa deve fazer ao invés disso! A punição em si não educa, não conserta, não melhora, ela só tenta evitar, sem muito sucesso.</p>
<p><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/algemas.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-375" title="algemas" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/algemas.jpg" alt="" width="330" height="247" /></a>A fantasia popular diz que se o governo ou a justiça punir mais, ou seja, se houver menos impunidade, as pessoas aprenderão através do exemplo, pois verão que serão punidas e cometerão menos crimes. E a fantasia popular também diz que as pessoas cometem crime ou fazem coisas erradas justamente porque sabem que há impunidade, ou seja, não serão punidas. O que podemos concluir dessa fantasia popular é que a punição é a única ou a melhor forma de se educar socialmente. Vamos analisar esses fatos da fantasia popular sobre punição e  impunidade&#8230;</p>
<p>O primeiro ponto é com relação à aprendizagem através do exemplo. Sabemos que isso funciona, porque muito do que aprendemos o fazemos vendo os outros. Aprendemos a falar assim, e aprendemos a fazer muita coisa &#8211; ou a não fazer tantas outras &#8211; porque vemos as consequências desses atos sem necessariamente ter que fazê-los. Então faz sentido aprender que se cometermos um crime seremos punidos e então não iremos cometer o crime para evitar a punição porque vemos outras pessoas sendo punidas. Mas, na prática não funciona assim.</p>
<p>Um exemplo claro é um comportamento simples cuja punição não depende de execução da justiça ou governo: sexo seguro. Todos sabemos (ou deveríamos saber) que transar sem camisinha aumenta o risco de transmissão de DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) e de uma gravidez indesejada. Mas mesmo assim muita gente arrisca sexo não seguro porque acredita que essas coisas &#8220;só acontecem com os outros&#8221;. DSTs ou gravidez indesejada pode ser vista como punição justamente porque são coisas que acontecem e não desejamos. Mas mesmo sabendo disso, mesmo sendo mostrado diariamente na mídia, as pessoas continuam fazendo isso. E esse é um tipo de punição imediata, sem possibilidade de recorrer, de dar um jeitinho ou de subornar para evitar. Novamente, a punição mostra-se ineficaz.</p>
<p><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/ladrão.gif"><img class="alignright size-full wp-image-376" title="ladrão" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/ladrão.gif" alt="ladrão" width="292" height="280" /></a>O segundo ponto a ser analisado sobre a fantasia popular é o fato de as pessoas cometerem crimes por saberem que há impunidade, ou seja, &#8220;vamos fazer algo errado porque não vamos ser punidos&#8221;. Isso coloca na ação intensional a vontade de fazer algo errado e parte do pré-suposto que as pessoas &#8211; ou sua maioria &#8211; são intrinsicamente ruins e propensas a fazer coisas erradas. Bom, se isso for verdade, ela irá fazer algo errado mesmo correndo o risco de ser punida! Então de nada adianta punir. Outro problema disso é que ignoramos os valores pessoais ou qualquer outra forma de se aprender e pensamos que aprendemos somente pela punição.</p>
<p>Não adianta colocar todo o peso da educação sobre a punição, porque, como já vimos, ela não vai funcionar. Então, ao invés de pensarmos que é a punição ou a falta de impunidade que irá garantir a ausência de crimes, devemos nos concentrar em passar melhores valores ao público, em mostrar pelo exemplo não o que não se faz mas sim o que se deve fazer.</p>
<p>Uma coisa a fantasia popular está certa: aprendemos melhor através do exemplo. Mas uma coisa a fantasia popular não percebe: <a title="Veja exemplos de propagandas positivas e negativas." href="http://pablo.deassis.net.br/2011/08/quem-observa-os-observadores-as-propagandas-negativas/">é muito mais eficar o exemplo positivo</a>, daquilo que se faz, do que o exemplo negativo, daquilo que não se faz. Por exemplo: pessoas dirigem rápido porque assim chegam antes nos lugares desejados. Adianta multá-los? Não, porque isso não vai evitar que corram, só que diminuam perto dos radares e da polícia. Então o valor não deve estar no não correr. Por quê? Porque a pessoa não vai saber o que fazer se não correr! Ao invés de focar no não corra, a mensagem deve ser: saia mais cedo de casa e dirija com mais calma. Assim, a pessoa vai saber o que fazer.</p>
<p><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/droga_Ziraldo.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-378" title="Drogas, by Ziraldo" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/droga_Ziraldo.jpg" alt="Drogas, by Ziraldo" width="248" height="353" /></a>O mesmo está nas campanhas de: não use drogas. Pois bem, se o usuário não usar drogas, o que ele vai fazer consigo mesmo ao invés disso? Ele sabe que sempre pode recorrer às drogras e simplesmente não usá-las não vai adiantar. Ao invés disso a mensagem deve ser: pratique esportes e cuide da saúde. Assim, a pessoa vai saber o que fazer ao invés de usar drogas.</p>
<p>Chegamos então à solução do problema da punição: a educação positiva. Não adianta educar a não fazer por dois motivos: ao se falar que a pessoa não pode fazer tal ato, como dirigir acima do limite de velocidade, estamos ao mesmo tempo falando que é possível fazer isso e também ao fazer isso não estamos falando o que a pessoa deve fazer ou como deve se comportar, só como ela não deve se comportar. Então: o que ela irá fazer? Se vc só fala &#8220;não corra&#8221; e não fala mais nada, a pessoa não sabe como ela deverá chegar, ela só sabe que é possível correr, então  &#8211; mesmo que proibido &#8211; ela irá correr!</p>
<p>É o que acontece no nosso sistema penal. A pessoa é presa por cometer um crime. Ela então é punida e aprende que não deve cometer o crime. Mas ao sair da cadeia, o que ela irá fazer ao invés de cometer o crime? Nosso sistema é penal, ou seja, aplica penas, punições e não se pretende corrigir os problemas, como no sistema correcional dos Estados Unidos. O criminoso entra criminoso e não aprende o que fazer para substituir o comportamento criminoso! O criminoso continuará criminoso, mesmo sendo punido e todas as pessoas que verem isso não irão sofrer nada com sua punição e continuarão fazendo coisas erradas.</p>
<p><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/valores.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-377" title="Quais são os seus valores?" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/valores.jpg" alt="Quais são os seus valores?" width="317" height="254" /></a>A mudança deve começar com cada pessoa. Ao invés de eu querer que o outro seja punido por seu erro, eu devo começar a corrigir os meus pequenos erros e minhas falhas. De nada adianta falar que o cara que dirigia a 190Km/h e matou duas pessoas num acidente deve ser preso se nós atravessamos a rua fora da faixa de pedetres ou atravessamos o sinal vermelho &#8211; que também são crimes segundo o mesmo código de trânsito. Não adianta falar que o assassino da namorada deve ser preso e condenado se nós não nos preocupamos com as milhares de pessoas que estão morrendo de fome ou de frio na nossa cidade e nós não fazemos nada para ajudar, mesmo podendo fazer qualquer coisa para salvar vidas.</p>
<p>Nossos valores estão trocados e errados. Temos que refletir em nós mesmos e nos preocuparmos com a nossa vida ao invés de querer que os outros sejam punidos. Sejamos sinceros: o que ganhamos com a punição do outro? Absolutamente NADA! O que o outro punido ganha? NADA! Então, pra que continuar querendo punição? Não seria melhor lutarmos por educação, melhores valores ou uma melhor qualidade de vida?</p>
<p>Quais são os seus valores?</p>
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		<title>Quem observa os observadores: Mídia e Psicopatologia</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Jul 2010 19:40:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pablo de Assis</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
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		<description><![CDATA[Faz um tempo tenho observado algumas propagandas e como elas vendem seus produtos. É claro que é objetivo do publicitário ao produzir essas campanhas de vender a imagem do produto, mas acredito que muitas vezes eles pegam um pouco pesado. Eles acabam vendendo algo que não precisaria vender e criam necessidades desnecessárias. O que mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/watchmen-smiley.png"><img class="alignright size-full wp-image-355" title="watchmen-smiley" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/watchmen-smiley.png" alt="Quem observa os observadores?" width="150" height="150" /></a>Faz um tempo tenho observado algumas propagandas e como elas vendem seus produtos. É claro que é objetivo do publicitário ao produzir essas campanhas de vender a imagem do produto, mas acredito que muitas vezes eles pegam um pouco pesado. Eles acabam vendendo algo que não precisaria vender e criam necessidades desnecessárias.</p>
<p>O que mais me chama a atenção é o excesso de propagandas que vendem a felicidade. Sejamos sinceros: ninguém consegue vender felicidade porque, como diz o <span style="text-decoration: line-through;">clichê</span> ditado pupoplar, dinheiro não compra felicidade! Isso porque felicidade é um sentimento que temos ao alcançarmos objetivos de vida, sejam eles simples ou complexos. A felicidade que temos ao comprar vem do fato de a compra ser um objetivo que alcançamos. Mas felicidade mesmo não pode ser comprada ou vendida ou mensurada ou feito nada com ela além de ser sentida e vivida.</p>
<p><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/watchmen-smiley-sad.gif"><span id="more-351"></span><img class="size-thumbnail wp-image-356 alignleft" title="watchmen-smiley-sad" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/watchmen-smiley-sad-150x150.gif" alt="Alguém já parou pra perceber isso?" width="150" height="150" /></a>Acontece que quando estamos felizes &#8211; e isso é algo que a mídia de forma geral tenta nos convencer que precisamos &#8211; acabamos comprando mais e alimentamos mais o sistema. Na nossa sociedade acabou que é praticamente proibido ser triste, ficar deprimido, pois quando fazemos isso, não trabalhamos, não produzimos, não ganhamos dinheiro e consequentemente não gastamos. Mas não pense que isso é culpa do capitalismo, já que em um sistema comunista ou socialista ficar deprimido significa não contribuir para o bem social. Isso é um problema da nossa sociedade moderna que olha mais para fora do que para dentro.</p>
<p>A depressão  &#8211; por incrível que pareça &#8211; é algo necessário, pois com ela podemos refletir sobre nossas escolhas, sobre nosso caminho e sobre nossa vida. É tão necessário que os antigos gregos já reconheciam duas artes do teatro, a comédia que falava sobre as felicidades e eventos cômicos da vida, e a tragédia que falava das nossas tristezas e servia de cano de escape para os nossos sofrimentos.</p>
<p>É claro que ninguém quer ser triste ou sofrer, mas não podemos negar o valor e a necessidade disso. Infelizmente, não é isso que querem as empresas, o comércio e o mercado. Não há lugar para tristeza nesses meios, já que a prerrogativa deles é vender, comprar e consumir. Como exemplo, deixo aqui a propaganda de uma loja de departamentos conhecida. Seu slogan é &#8220;Vem ser feliz&#8221; e em vários momentos nessa peça podemos ver pessoas felizes, correndo e os funcionários da loja dizendo que eles querem fazer as outras pessoas felizes.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="580" height="465" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/YsUzTzx5GuA&amp;hl=en_US&amp;fs=1?color1=0x006699&amp;color2=0x54abd6&amp;border=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="580" height="465" src="http://www.youtube.com/v/YsUzTzx5GuA&amp;hl=en_US&amp;fs=1?color1=0x006699&amp;color2=0x54abd6&amp;border=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Nada contra a felicidade, mas quando ela é tratada como mercadoria, começamos a ter um grande problema, principalmente porque cada vez mais as pessoas irão comprar para poderem ser felizes. O mercado adora isso! Mas não as pessoas, já que elas não sabem o que é ser feliz.</p>
<p>Um outro caso que me chamou muito a atenção é de uma marca de sabonete que vende literalmente a proteção a doenças que podem matar pessoas. É essa a imagem ao menos que acabamos tendo com a propaganda que passa na televisão. Vemos frazes do tipo: &#8220;Há bactérias em tudo que tocamos, que podem te deixar doente&#8221; ou &#8220;Previna-se contra doenças&#8221; ou ainda &#8220;você deve lavar as mãos várias vezes&#8221;, impondo o consumo excessivo do sabonete.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="580" height="465" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/y-2pc-rUOSg&amp;hl=en_US&amp;fs=1?color1=0x006699&amp;color2=0x54abd6&amp;border=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="580" height="465" src="http://www.youtube.com/v/y-2pc-rUOSg&amp;hl=en_US&amp;fs=1?color1=0x006699&amp;color2=0x54abd6&amp;border=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Posso pensar aí em dois grandes problemas psicopatológicos: o Transtorno  Obsessivo Compulsivo e a Paranóia, ou Transtorno Delirante.</p>
<p>O Transtorno Obsessivo Compulsivo se caracteriza por atos compulsivos utilizados para livrar a ansiedade de um pensamento obsessivo. Se esse pensamento for que tudo à nossa volta está contaminado (&#8220;<em>Há bactérias em tudo que tocamos, que podem te deixar doente</em>&#8220;), um ato compulsivo relacionado a isso pode ser o de lavar as mão várias e várias vezes para livrar-nos da contaminação (&#8220;<em>Você deve lavar as mãos várias vezes</em>&#8221; e &#8220;<em>Previna-se contra doenças</em>&#8220;).</p>
<p>Já o Transtorno Delirante é caracterizado pela presença de delírios, ou seja, de crenças irracionais sem fundamento. Acreditar que existem bactérias em tudo o que tocamos e que elas podem provocar doenças não é um delírio, já que isso é um fato. O delírio começa a acontecer quando acreditamos que essas bactérias podem estar atrás de nós e se nós não utilizarmos o tal sabonete para nos prevenir de doenças, vamos morrer. Isso já é delírio e beira a paranóia, que é o delírio de perseguição. Para mais detalhes sobre esses quadros, leiam este post: <a href="http://pablo.deassis.net.br/2010/02/uma-breve-historia-das-doencas-mentais/">Uma breve história das doenças mentais</a>.</p>
<div id="attachment_357" class="wp-caption aligncenter" style="width: 449px"><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/bacteriaDonSmith.jpg"><img class="size-full wp-image-357" title="bacteriaDonSmith" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/bacteriaDonSmith.jpg" alt="Cuidado com as bactérias?" width="439" height="325" /></a><p class="wp-caption-text">Cuidado com as bactérias?</p></div>
<p>A grande questão que deixo agora é: a gente para pra pensar sobre os anuncios que vemos todos os dias na televisão e sobre a imagem que eles estão vendendo? Essas duas propagandas aqui são só dois exemplos de propagandas que criam necessidades desnecessárias, um de comprar felicidade e outro de superproteção à doenças mortais. Mas existem tantas outras, certo? Cada uma ou alimenta esses padrões de mercado ou  colocam objetivos irreais para pessoas reais. Só para citar mais UM exemplo (que depois irei comentar), a imagem de belexa anoréxica de vários comerciais de roupa íntima feminina.</p>
<p>Muitas vezes ficamos passivos diante de tudo isso, sendo somente observados como gado que consome o que nos empurram. Mas devemos perceber que também podemos observar tudo isso e sim podemos dizer não ao que nos vendem as propagandas. Podemos querer ser felizes, mas para isso basta colocar pequenos objetivos diários a serem alcançados e não precisar comprar qualquer coisa para isso. Podemos querer não ficar doentes, mas bactérias também fazem bem à saúde. O que precisamos é ficar atentos ao que nos é vendido, é tornarmos observadores ao invés de simples observados.</p>
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		<title>Primeiro dia de Campus Party e amizades virturreais</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jan 2010 05:23:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pablo de Assis</dc:creator>
				<category><![CDATA[Campus Party]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[amizade]]></category>
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		<description><![CDATA[Depois de muito tempo sem tocar no meu blog pessoal, finalmente estou de volta. E retorno em grande estilo: estou direto de São Paulo na Campus Party Brasil 2010, a maior festa de tecnologia, criatividade e inovação do mundo! Sim, segundo conversas de corredor fontes extra-oficiais, esta edição da Campus Party já é a maior [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de muito tempo sem tocar no meu blog pessoal, finalmente estou de volta. E retorno em grande estilo: estou direto de São Paulo na Campus Party Brasil 2010, a maior festa de tecnologia, criatividade e inovação do mundo! Sim, segundo <span style="text-decoration: line-through;">conversas de corredor</span> fontes extra-oficiais, esta edição da Campus Party já é a maior do mundo, com mais inscritos do que qualquer outra versão.</p>
<p>E esta é uma ótima oportunidade para reencontrar velhos amigos podcasters e novos amigos podcasters. Novos em termos, porque muitos desses &#8220;novos&#8221; eu já conhecia online. E isso é a parte engraçada disso tudo. Você conhece a pessoa online, conversa com ela, conhece um pouco de seus hábitos e de repente a reconhece na sua frente.</p>
<p>Ou outra situação, muito comum com podcasts. Você ouve um podcaster, ele ouve você no seu, vocês se conhecem mas nunca efetivamente conversaram. E então se encontram pessoalmente nesta grande festa.</p>
<p>Realmente é uma experiência diferente. Na verdade, é um grande incentivo para que as pessoas tornem reais as amizades virtuais. Quebrar a barreira da distância virtual dos dados é muito bom. Um abraço, um aperto de mão ou algo do gênero vale muito mais do que emoticons nos chats do MSN ou Skype.</p>
<p>E para vocês terem uma ideia do que já aconteceu por aqui neste primeiro dia de Campus Party, vejam o que já fiz:</p>
<ul>
<li><a href="http://campus.metacast.info/2010/01/25/segunda-feira-na-campus-party-2010/">Segunda-Feira na Campus Party 2010</a></li>
<li><a href="http://campus.metacast.info/2010/01/26/drops-primeiras-impressoes-da-campus-party/">[Drops] Primeiras Impressões da Campus Party</a> (Podcast)</li>
</ul>
<p>E estes são alguns dos amigos virtuais que tive o prazer de conhecer pessoalmente!</p>
<p style="text-align: center;">
<div id="attachment_264" class="wp-caption aligncenter" style="width: 649px"><a href="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/2010/01/podcasters-segunda.jpg"><img class="size-full wp-image-264    " title="Podcasters na Campus Party" src="http://pablo.deassis.net.br/wp-content/uploads/2010/01/podcasters-segunda.jpg" alt="Podcasters na Campus Party" width="639" height="426" /></a><p class="wp-caption-text">Podcasters na Campus Party</p></div>
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