Archives for : História e Epistemologia

O Senso Comum e a História do Inconsciente


Doodle homenageando Sigmund Freud, mostrando seu rosto como se fosse a superfície de um iceberg.Hoje é o aniversário de Sigmund Freud. Há 160 anos – no dia 6 de maio de 1856 – nascia o homem que seria conhecido como sendo o pai da Psicanálise. Não só sua teoria, mas ele também são conhecidos por muitas ideias e muitos conceitos e, principalmente, muitas descobertas e invenções. A importância de Freud é tanta que até o Google o homenageou no dia de hoje, com o Doodle.

Freud é conhecido não só pela teoria psicanalítica, mas também pela prática psicoterapêutica associada com a psicanálise. Alguns dos conceitos que ele desenvolveu incluem o Narcisimo, o Complexo de Édipo, Recalque, a importância da sexualidade na vida do sujeito, Pulsões de Vida e de Morte, Id, Ego e Superego – conhecida como a segunda tópica – e até pela organização psíquica nas estruturas do Consciente, Pré-consciente e Inconsciente. Mas uma coisa que ele não fez foi sugerir o que chamamos de “Metáfora do Iceberg”, que compara o inconsciente à parte submersa de um iceberg. Quem fez isso foi Gustav Theodor Fechner.

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Um olhar psicológico sobre as discussões culturais e naturais sobre gênero e sociedade


Temos como negar o que está diante de nós?Estava no Facebook dias atrás quando vi o desabafo de uma amiga sobre uma questão pertinente aos estudos culturais de gênero que ela estuda no mestrado. Ela estava desabafando que existem pesquisadores que, de certa forma, levantam a bandeira do negacionismo biológico, colocando que tudo é uma construção cultural. No caso, ela estava explicando que existem pessoas que, para defenderem que as diferenças de gênero são questões socialmente construídas, atacam qualquer possibilidade de aceitar marcações biológicas para a definição de gênero. Ou seja, gênero deveria ser uma escolha ou construção pessoal, não uma imposição cultural, muito menos utilizando-se de argumentos biológicos.

Esse é um debate acalorado, com apoiadores de ambos os lados. Eu, particularmente, aceito a posição da minha amiga que, por mais que existam definições culturais na discussão sobre gêneros, não podemos esquecer que possuímos corpos biológicos e que esses corpos biológicos impõem de certa forma limitações como menstruações para as mulheres (por mais que muitas delas prefiram tomar remédios para evitar os desconfortos mensais) e a impossibilidade de gerar vida para os homens, por exemplo.

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Resumo Essencial: História da Psicologia


Vamos relembrar um pouco da história da psicologia!Estamos chegando no final do ano letivo e preparei para meus alunos de História da Psicologia uma aula de revisão que resume essencialmente todo o conteúdo estudado no semestre. Para deixar as coisas mais dinâmicas e inclusive possibilitar que eles estudem depois para a prova – sem precisar ficar copiando cada linha de texto que passo – resolvi utilizar o Prezi e socializar a aula que preparei. Se existe algum outro aluno de História da Psicologia que queira revisar os principais fatos e nomes dessa ciência, convido-os a visitar esse slide.

Nele, incluí algumas reflexões sobre a história das ideias psicológicas (toda aquelas ideias que fazem referência à psicologia antes de seu nascimento como ciência), a história da psicologia científica e seus principais pensadores, um pouco de contextualização histórico-cultural, a história da psicologia no Brasil e um pouco de como se encontra a Psicologia na atualidade.

Vale lembrar que estou chamando de “Resumo Essencial” porque é justamente isso: um grande resumo com as informações essenciais. Percebi depois que finalizei tudo que não incluí as datas – no máximo, os períodos históricos. Mas, isso reflete um pouco a discussão de que a história vai além de conhecer datas e nomes: ela implica no reconhecimento dos fatos, evidências, contextos culturais e o reconhecimento das personalidades que foram importantes para a história – neste caso, para a história da Psicologia.

E também convido a quem encontrar qualquer problema na apresentação que comente abaixo. Assim posso sempre corrigir e melhorar essa mesma apresentação e deixá-la sempre atualizada para as futuras turmas e para os curiosos em história da Psicologia!

O Anacronismo das Ciências Humanas


O tempo passa, mas os pensamentos continuam os mesmos...Estudo e leciono história e epistemologia há alguns anos. E sinceramente, estou ficando cansado das teorias baseadas em pensamentos do século XIX regendo as práticas cotidianas, sociais e políticas do século XXI. Já progredimos e evoluímos muito desde essa época do início da revolução industrial, mas nossa filosofia, sociologia, psicologia e ciências humanas de forma geral ainda se baseiam em pensamentos dessa época. Muita coisa já mudou nas nossas organizações pessoais, já passamos por muitas crises e tivemos muitos experimentos para saber que esses modelos de ciências humanas também precisam passar pelos mesmos processos.

As ciências naturais conseguiram evoluir com suas pesquisas. A física de hoje já não é a mesma do século XIX. A biologia talvez seja a ciência que melhor conseguiu evoluir – talvez por usar a evolução como um dos mais importantes pressupostos. A química o tempo todo está fazendo novas descobertas e mudando até mesmo a forma de compreendermos a sociedade. E por que ainda queremos usar, para embasar as ciências humanas, as ideias do século XIX?

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