Archives for : Jung e psicologia analítica

Um pouco mais sobre a psicologia


Seguindo ainda a onda do Dia do Psicólogo, vale a pena colocara aqui um pouco da minha visão do que é a psicologia. Talvez uma das pessoas que melhor traduziu isso em palavras foi Carl Jung. Toda sua obra é uma ode à psicologia, mas como não tenho como colocá-la aqui, selecionei um breve trecho que ilustra o que quero dizer:

Existem coisas que ainda não são verdade, ou que hoje ainda não podem ser aceitas como verdade, mas amanhã talvez possam sê-lo. (…) O que singulariza o caminho aqui descrito é em grande parte a certeza de não podermos continuar recorrendo unicamente ao ponto de vista científico-intelectual, mas de que o nosso compromisso também compreende todo o lado do sentimento, isto é, a totalidade das realidades contidas na alma — já que lidamos com uma psicologia fundada na vida real e que age sobre a vida real. Nesta psicologia prática, não se trata da alma humana universal, mas de homens e mulheres individualizados, cada qual com uma variedade de problemas que os aflige diretamente. Uma psicologia que satisfaz somente ao intelecto por si só nunca será capaz de abranger a totalidade da alma. Quer queiramos, quer não, mais cedo ou mais tarde o fator cosmovisão terá que ser levado em conta, porque a alma está em busca de sua totalidade.

Eu vejo a psicologia como uma ciência, mas ela vai além. Ela precisa ir além do ponto de vista científico-intelecutal, pois esse possui limites, mas a vivência humana não. E a psicologia precisa compreender essa vivência por completo sem reduzi-la às suas teorias científicas. Elas são extremamente importantes, sem dúvida, e essenciais para uma boa prática e conhecimentos psicológicos. Mas a psicologia vai além e precisa ir além disso. Ela precisa reconhecer a totalidade das experiências humanas – que chamamos de alma, por isso psicologia – e possibilitar sua compreensão e vivência plenas. Como diz Jung, “quer queiramos, quer não, mais cedo ou mais tarde, o fator cosmovisão terá que ser levado em conta, porque a alma esta’em busca de sua totalidade”…

Carl Jung, sobre a totalidade da psicologia...

Esta frase foi retirada do livro Psicologia do Inconsciente, de Carl Jung.

Há 138 anos nascia Jung…


Carl Jung na revista TimeHá 138 anos, nascia o jovem Carl Gustav Jung, em 26 de julho de 1875, na cidade suiça de Kesswil, no cantão da Basiléia. De lá para cá, muita coisa mudou na história da psicologia e na história do mundo e muitas dessas mudanças foram graças a esse homem. Taxado como místico por muitos, ele buscou um pensamento científico diferente, olhando para as excessões mais do que para as regras, buscando integrar todas as experiências humanas, inclusive a espiritualidade e a arte.

Por muito tempo, a ciência se fechou para diversos fenômenos – ditos ocultos – e preferiu olhar para uma realidade mais material, paupável. Jung, ao contrário, reconhecia que existe uma dimensão metafísica da experiência humana e que até a materialidade do mundo é metafísica, pois a única natureza de experiência direta é a experiência da psique humana, de sua alma. Tanto a matéria quando o espírito nos são experiências mediadas e não imediatas. A matéria conhemos através das impressões dos cinco sentidos, enquanto o espírito só podemos conceber através da nossa razão. Ignorar um lado em detrimento do outro sempre pareceu para Jung como reduzir a experiência humana. E isso era algo que ele não concebia.

O mais interessante é que, para poder dar conta desses dois lados, Jung percebeu que a psique humana se utiliza das imagens e de processos criativos e espontâneos – os mesmos processos utilizados por artistas. Dessa forma, gosto de dizer que Jung – mais do que um cientísta – foi um grande artista da psique humana, sem nunca abrir mão de sua postura crítica, analítica e – principalmente – empírica.

Por conta de seu aniversário, encontrei este vídeo que resume bem os principais pontos de sua vida e sua obra. E quero compartilhá-lo aqui! Espero que assim consigamos aprender um pouco mais sobre esse pensador e sobre suas ideias…

Qualquer comentário, sintam-se à vontade para colocarem abaixo.

Carl Jung, sobre Dogma e Ciência


Em tempos de questionamento da prática psicológica, temos que ter certeza em que pé estamos, se do lado do dogma ou do lado da ciência. Fico feliz em poder dizer que eu sempre tento questionar tudo da forma mais clara o possível, tentando manter-me sempre com um olhar científico. Dogmas são inquestionáveis e o conhecimento científico precisa sempre ser questionado.

Deixo aqui um breve recado de Carl Jung sobre o tema:

O dogma, ou seja, uma profissão de fé inquestionável, é estabelecido somente quando o objetivo é eliminar para sempre toda e qualquer dúvida. Mas isso já não tem a ver com os julgamentos de natureza científica, e sim com um desejo de poder.

Se dogmas são posições inquestionáveis que têm a ver com um desejo de poder, como confiar um conhecimento científico em posições que refletem desejos pessoais? É algo a se pensar quando queremos realmente esclarecer as dúvidas do mundo à nossa volta…

Anestesia ou Hiperestesia social com relação aos homossexuais?


Vivemos anestesiados socialmenteParece estranho esses termos médicos sendo utilizados para tratar de questões sociais, principalmente por alguém que critica a medicalização da sociedade. Mas os termos anestesia e hiperestesia, antes de serem da medicina – relacionando a efeitos de fármacos ou sintomas clínicos – são conceitos da estética.

Estética é o ramo da filosofia que trata das impressões dos sentidos, da percepção, da beleza e da arte. Durante muitos séculos, a filosofia vem tratando de questões estéticas, até mesmo questionando se a beleza é algo exterior, objetivo ou é interior e depende do observador. É claro que não chegamos a um consenso e existem defesas para os dois lados. Mas a questão aqui entra não nos padrões objetivos/subjetivos da estética, mas sim na sua falta ou em seu exagero.

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O Outro Lado da Violência


Violência sempre atrai mais violênciaPercebi que tenho escrito vários artigos aqui com o tema da violência, mesmo que de forma indireta. E são justamente esses artigos que têm recebido mais comentários! Coincidentemente – ou não -, meus alunos estão trabalhando com o tema da violência, em seus diversos aspectos. Por isso, preparei um material para passar para eles e acho interessante também passá-lo aqui.

Para começar, gostaria de dizer que o que falarei aqui sobre violência cabe muito bem para falarmos sobre o Bullying e sobre a Homofobia, dois temas amplamente discutidos aqui. Espero também que este artigo sirva para sanar algumas das dúvidas levantadas pelos meus comentadores em alguns desses posts. Infelizmente, não tenho como tratar de todos os pontos individualmente, mas imagino que no decorrer do texto tratarei da maioria deles.

Para começar, gostaria de explicar o título do artigo. “O Outro Lado da Violência” faz referência não só à violência, mas também – e principalmente – ao que está do outro lado: a não-violência. É interessante termos esse olhar, pois geralmente trata-se a violência com mais violência.

Quando trato desse tema, gosto muito de uma frase do célebre Bertolt Brecht que uma vez disse:

Muitos dizem violentas as águas que tudo arrastam, mas não dizem violentas as margens que as reprimem

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Resposta ao Dr. Hélio


Resposta a um comentário deixado no meu blogGeralmente não respondo os comentários deixados em meu blog – somente alguns que merecem minha atenção. Deixo os comentários abertos para que meus leitores discutam e não gosto de encerrá-los com minhas ideias: prefiro deixá-las aberta para o benefício e discussão de todos. Mas leio todos, inclusive uso-os para ter ideias de novos artigos.

Porém, hoje recebi um comentário em meu blog no artigo que mostrava os riscos da terapia cognitivo-comportamental que veio carregado por algumas acusações relativamente pesadas. Por isso, dou-me ao direito aqui de responder cada um dos pontos levantados, mas antes gostaria de levantar alguns pontos sobre o meu texto que acredito foram ignorados pela leitura de meu crítico, o Dr. Hélio.

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PsicoLog #05 – Psicologia Analítica e Comunicação


PsicoLog Podcast #05 - Psicologia Analítica e ComunicaçãoEm nosso quinto episódio do PsicoLog Podcast, eu disponibilizo a gravação de uma palestra que proferi para as turmas de Comunicação Social das Faculdades OPET de Curitiba da professora Carla Rizzotto, minha colega do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Linguagem. Ela, em sua disciplina de Psicologia e Comunicação, pediu que falasse sobre Psicologia Analítica. Então preparei essa fala sobre alguns conceitos dessa abordagem teórica e como podemos aplicá-la à comunicação. Mas independente de área, aqui podemos ver como podemos aplicar esse conhecimento psicológico em outras áreas do conhecimento.

Duração: 57 minutos

Mandem E-mails

Mande e-mails e recados de voz para [email protected] com dúvidas, contribuições, elogios, críticas, perguntas, sugestões e qualquer outra coisa que você queira enviar. Toda mensagem será muito bem-vinda!

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Se você quiser, você pode baixar este e todos os episódios do PsicoLog Podcast  assinando o nosso novo feed pelo seu agregador de feeds favorito, copiando o endereço http://pablo.deassis.net.br/category/podcasts/psicologpod/feed/. Caso você tenha o iTunes instalado e quer assinar diretamente no iTunes, basta clicar neste link: itpc://pablo.deassis.net.br/category/podcasts/psicologpod/feed/.

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Documentário sobre Carl Jung e Psicologia Analítica


Documentário sobre Carl JungDepois de te postado a entrevista com Carl Jung, posto aqui um breve documentário em duas partes sobre Carl Jung e a psicologia analítica. Este documentário trata um pouco mais sobre alguns conceitos teóricos, além de falar um pouco mais sobre a história de Carl Jung. Vale a pena assistir às duas partes!

O documentário fala sobre conceitos diferentes muitas vezes citados aqui no blog e pouco explorado, como arquétipo e complexo, além de explicações sobre os tipos psicológicos. Particularmente pretendo tratar desses assuntos em futuros posts, mas até lá, contento-me em deixar esse documentário explicar por mim!

E caso queiram comentar, fiquem à vontade aqui no post…

Parte 1

Parte 2

A Mitologia dos Contos de Fadas


A mitologia dos contos de fadasPara aqueles que conhecem a psicologia analítica sabem que os contos de fadas e os mitos são temas recorrentes e muito utilizados pelos psicólogos. Mas de onde eles vem? O que são os contos de fadas de fato? O que já de relacionado com tudo isso?

Este é o primeiro post de uma série de postagens sobre contos de fadas. Todos eles serão linkados aqui:

Essas postagens serão lançadas durante a próxima semana e, uma vez prontos, ficarão aqui para consulta. Mas antes de ouvirmos sobre a Chapeuzinho Vermelho ou sobre As Roupas Novas do Imperador, vamos começar com o básico!

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Face a Face com Carl G. Jung


Face a face com Carl JungFoi pesquisando para preparar uma aula que encontrei este documentário sobre Jung. Na realidade, é uma entrevista feita com Carl Gustav Jung no final da década de 50 (como podem verificar pela qualidade das imagens). Nela, o entrevistador faz todo tipo de pergunta, tanto sobre sua vida quanto sobre sua obra. Então, se você sempre teve curiosidade em saber quem foi o psicólogo e psiquiatra suiço Carl Gustav Jung, aqui está sua chance de ouvir diretamente dele! E para aqueles que não sabem inglês, o vídeo está legendado. Em alguns momentos, o vídeo treme e a resolução é baixa, mas nada que atrapalhe nem a compreensão nem a leitura das legendas.

O vídeo foi editado em quatro partes, e deixo todas elas aqui, uma abaixo da outra.

Parte 1

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