Archives for : Psicologia

Uma breve reflexão sobre as cotas


CotasDeixe começar dizendo que eu era contra cotas raciais justamente por acreditar na meritocracia. Achava que a questão da faculdade deveria ser centrada na produção de conhecimento e apenas os melhores – independente da origem – deveriam participar. O mesmo deveria servir para o mercado de trabalho, que só deveria selecionar os melhores para cada cargo ou posição. Estudei em colégio americano minha vida toda e aprendi sobre o sistema de cotas dos EUA e achava estranho as ações afirmativas e não via evidências de que elas funcionavam. Inclusive, vi casos de universidades que usavam de ações afirmativas e deixaram de usar, justamente porque não serviam ao propósito desejado. Na maioria das vezes as ações afirmativas acabavam servindo basicamente como publicidade para grupos minoritários, mas isso não refletia na qualidade do ensino.

Eu era contra as cotas. Estudei na UFPR, passei no vestibular por mérito, junto com outros colegas meus. Alguns passaram melhor, outros, pior. Eu cheguei até a passar acima da média, sendo aprovado em 28º de 80 vagas. Mas uma vez dentro da universidade, eu realmente não conseguia perceber a diferença entre o 1º e o 80º colocado no vestibular. Durante minha graduação eu estudei com pouquíssimos colegas negros – e isso que na minha sala não tinha nenhum, somente alguns poucos pardos. Mas ainda assim eu achava que ali estavam os melhores dos melhores. Até ver o resultado disso.

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Uma breve reflexão sobre o Narciso Moderno


O Narciso ModernoO mito do Narciso é muitas vezes utilizado para ilustrar o que chamamos – graças à psicanálise – de Narcisismo. Comumente, relacionamos ao narcisismo o mesmo que egoismo ou então preocupar-se muito com a própria imagem. No mito grego, Narciso era um jovem que foi condenado, devido à sua arrogância, a apaixonar-se por sua própria imagem. Só que as pessoas só conhecem o lado de “Narciso era apaixonado por si mesmo” e usam isso para falar a respeito de pessoas que não conseguem ver além dos próprios umbigos, ou daqueles que se prendem muito em suas imagens virtuais nas Redes Sociais.

Só que o mito fala muito mais do que isso e o que o mito complementa sobre Narciso pode muito bem nos ajudar a compreender o Narciso Moderno.

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O Direito de Lutar pelo Direito do Outro, ou como falta empatia entre nós


minoriasNunca antes na história mundial, o problema dos direitos das minorias está tão em voga. Alguns dizem que é por conta das políticas sociais do atual governo. Outras, que é por conta da facilidade de comunicação nos tempos atuais, que permite maior visibilidade daqueles que antes estavam escondidos. Eu acredito mais nessa segunda alternativa, principalmente porque estamos tendo acesso aos dilemas de minorias de países que não possuem as mesmas políticas sociais que nós, como o problema dos refugiados na Europa.

O mais interessante é que ─ independente de qual minoria estamos falando ─ o debate sempre se polariza em dois lados: aqueles que são contra a minoria e aqueles que são à favor da minoria. Do lado dos que são contra, basicamente o argumento é sempre o mesmo: dar mais direitos para as minorias coloca em risco os direitos adquiridos da maioria. E do lado dos que são favoráveis, os argumentos sempre variam em torno do eixo humanitário, de ajuda daqueles que precisam ser ajudados. Mas esses dois lados quase sempre esquecem de perceber quais são as necessidades reais dessa minoria.

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Determinismo Biológico, Determinismo Social e o Poker


O poker será utilizado como metáfora, para compreendermos a relação entre biologia e sociedadeSemana passada participei de um Anticast sobre Determinismo Biológico X Determinismo Social onde conversei com um biólogo e um médico que defendiam o determinismo biológico e eu e uma arquiteta – junto com o host, um designer – que defendíamos o determinsimo social. Logo no começo da conversa eu disse que, para provocar mais, iria defender argumentos sobre o determinismo social, apesar de já ter defendido um ponto biológico sobre o comportamento humano logo no início. Devo dizer que meus argumentos não foram bem recebidos, talvez por não serem bem compreendidos. Mas também, para esclarecer, não concordo com a visão dicotomizada que apresentei – por mais que reconheça a necessidade de apreender esses argumentos para melhorarmos as nossas críticas.

A disputa entre essas duas visões é, de fato, complexa e controversa. Não existe nenhuma forma de determinarmos com clareza onde termina a influência da biologia e onde começa a da sociedade quando falamos sobre comportamento humano em suas mais variadas formas. Porém, já escrevi aqui a respeito do tema – ao falar sobre sexualidade – defendendo não um lado biológico ou cultural, mas sim uma perspectiva humana e subjetiva. Diante do debate feito no Anticast (que recomendo que ouçam, se possível), gostaria de retomar a discussão, mas desta vez, gostaria de fazê-lo através de uma metáfora, o poker. 

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Grupo de Estudos Virtual – a Psicologia do Inconsciente


Carl JungFaz algum tempo iniciei uma prática que há muito queria voltar a fazer: grupos de estudo com meus alunos. Iniciei a estudar assim na época da graduação em psicologia, quando reunia colegas interessados em estudar Psicologia Analítica e liamos juntos alguns textos. Na mesma época, estudava fora da faculdade em cursos direcionados por psicólogos junguianos. Foi nesses estudos que descobri o livro Psicologia do Inconsciente de Carl Jung.

A princípio, esse livro pareceu-me bastante completo, com conceitos pontuais e explicações bastante práticas sobre várias questões referentes à teoria junguiana. Acabei até utilizando várias de suas citações no corpo do meu TCC sobre o feminino sombrio. Mas o melhor desse livro não era nem a facilidade de compreensão de seu texto, mas sim algo que fui descobrir depois de algum tempo de estudar esse texto: ele ilustra claramente a forma de pensamento desse psicólogo suíço. E isso, talvez seja o mais importante a se estudar.

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A Culpa não é da Terceirização


Terceirização pode ser a solução e não o problema?E antes que me critiquem, já digo de quem é a culpa: das condições precárias de trabalho que temos – que independem de regime de contrato.

Temos problemas com a terceirização? Claro que sim. Mas temos problemas também com as contratações celetistas – com carteira assinada e todos os direitos garantidos por CLT e convenções sindicais. Mas, ultimamente, muito por conta do projeto de lei 4.330/204, a lei da terceirização, muitas críticas estão sendo feitas à terceirização em si, demonizando essa forma de contrato de trabalho – quando na verdade, o problema é que as condições de trabalho no Brasil e em boa parte do mundo não são as melhores possíveis.

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Grupo de Estudos Virtual: Introdução ao Pensamento Junguiano


o-GUSTAV-JUNG-hangoutJá faz algum tempo que quero organizar um grupo de estudos para lermos e estudarmos alguns textos de Carl G. Jung. Desde a época da faculdade ou estava participando ou organizando grupos de estudo, porém, nos últimos anos acabei encontrando algumas contingências que impossibilitaram a realização desses grupos.

Porém, acredito que encontrei uma forma de continuar os estudos e conseguir driblar essas dificuldades. A partir desta semana farei semanalmente – ou quinzenalmente, dependendo de como for este primeiro encontro – um Grupo de Estudos Virtual para discutirmos um pouco mais do pensamento e da obra desse psicólogo suíço.

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Cursos e Formações em Psicologia Analítica – Curitiba


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Extensão: Introdução à Psicologia Analítica e ao Pensamento Junguiano – 29/11/2014 e 06/12/2014

No mês de novembro irei ministrar um curso de extensão em Psicologia Analítica pelas Faculdades Dom Bosco no total de oito horas, em dois sábados. Este é um módulo inicial que chamo de “Introdução à Psicologia Analítica e ao Pensamento Junguiano” e foi desenhado para apresentar para quem se interesse quais são os fundamentos dessa teoria e um pouco do pensamento de Carl G. Jung de uma forma simples e descomplicada. A psicologia junguiana pode ser um pouco hermética e complicada para quem não conhece, tratando de temas como mitologia, religião, arquétipo e inconsciente coletivo. Porém, seu fundamento é mais simples do que isso e antecede esses conceitos. Esse é o foco que dou nesse curso que está em sua segunda edição agora em 2014. Pretendo reproduzir esse curso todos os semestres para todos os interessados e também a partir de 2015 quero fazer um módulo temático onde aprofundarei através da psicologia analítica e do pensamento junguiano algum tema de interesse.

INSCRIÇÕES: 17/10/2014 ATÉ 25/11/2014
PERÍODO: 29/11/2014 e 06/12/2014
CARGA HORÁRIA: 8horas – 4 horas em cada sábado
PÚBLICO ALVO/INVESTIMENTO (À VISTA):  ALUNO, COMUNIDADE, EGRESSO, PROFESSOR ( R$ 50,00 )

As inscrições podem ser realizadas diretamente pelo site do Dom Bosco acessando este link: Increva-se Aqui!

OBS: As datas no material de divulgação aqui estão erradas. As datas corretas estão acima.

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Extensão: Introdução à Psicologia Analítica e ao Pensamento Junguiano – 29/11/2014 e 06/12/2014

 

Pós-Graduação Presencial em psicologia Analítica - Teoria e Prática

Clique na imagem para ver os detalhes.

E aproveitando os cursos de Psicologia Analítica em Curitiba, quero também apresentar a oportunidade para a realização de um curso de pós-graduação em Psicologia Analítica presencial a ser realizada aqui na cidade. O curso é voltado para psicólogos, pois inclui ainda módulos de discussão da prática psicológica. Eu ministrarei módulos nesse curso, junto com outros colegas de renome na área.

PÚBLICO-ALVO: Psicólogos e estudantes de Psicologia.

PERÍODO: Acontecerá em Curitiba um final de semana por mês, sábado e domingo, das 8h às 18h, com início em 29 de novembro de 2014 e término em 24 de janeiro de 2016.
LOCAL DAS AULAS: Hotel Nacional Inn Curitiba R. Lourenço Pinto, 456 – Centro, Curitiba – PR.

CARGA HORÁRIA: 420 h/a

INVESTIMENTO:
Taxa de Adesão: R$ 200,00 com boleto para novembro de 2014
Mensalidades: 24x R$ 249,00 com boleto da primeira mensalidade para dezembro de 2014: (valor promocional com 20% de desconto até a data do vencimento. Valor sem desconto: R$ 299,00 mensais)

CORPO DOCENTE:


CERTIFICADORA: UNIFIA – CENTRO UNIVERSITÁRIO AMPARENSE – Mantenedora – UNISEPE – O Centro Universitário Amparense credenciado pela Portaria 195, de 23.01.2006, publicada à pág. 12 , Seção I do DOU nº 17, de 24.01.2006.

Vagas limitadas! Faça sua pré matrícula no link:
https://docs.google.com/forms/d/16FLQcRCH_TORwLtmF_PRnR0InI8RZMnH4cxaFNFGZE4/viewform

A Psicologia Analítica e o Tratamento da Drogadição


Como lidar com as drogas, seus usuários e o mundo a sua volta?Recebi um email de um ex-aluno me fazendo uma pergunta muito bacana que gostaria de compartilhar aqui no blog – não só pelo interesse acadêmico da questão, mas também para que os leitores possam perceber que existem várias alternativas aos tratamentos dos problemas psicossociais. Reproduzo abaixo o email, com algumas ligeiras alterações:

Olá, professor,

Sou um ex aluno seu e trabalho com dependentes químicos. Gostaria de saber qual  o olhar da Psicologia Analítica para o ser humano dependente químico, a estrategia terapêutica, etc. Por exemplo, a Psicologia Comportamental vai olhar  as contingencias do sujeito, fazendo um analise do seu comportamento operante, quais os reforçadores que mantêm ou estingue comportamentos, etc… Em relação ao  terapeuta junguiano, o que ele deve olhar, como seria sua estrategia terapêutica?

Aprendi muito com você em sala de aula, imagino q vai poder me ajudar nessa também…

Abraços!

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Viciados em Celulares


Selfie no Oscar 2014Celulares e Smartphones já fazem parte do cotidiano do brasileiro. Não sabia da profundidade dessa realidade até entrar em contato com o trabalho de uma professora durante meu mestrado em comunicação e linguagens que havia feito sua pesquisa de doutorado justamente sobre isso. A professora doutora Sandra Rubia da Silva escreveu a tese entitulada Estar no tempo, estar no mundo: a vida social dos telefones celulares em um grupo popular, onde ela explora o cotidiano de uma comunidade popular e sua relação com aparelhos de telefone celular.

Ela nos mostra uma realidade bem interessante que, mesmo uma comunidade onde seus habitantes não possuem tanto poder aquisitivo, o aparelho celular – geralmente os mais simples – já fazem parte de seu cotidiano. Os aparelhos mais modernos nos permitem realizar várias atividades complexas, comparáveis a muitos computadores pessoais, porém, mesmo os mais simples com recursos limitados como ligações e mensagens, conseguem integrar essa comunidade em várias dimensões, como as relações de gênero e e de gerações, na apresentação de si e até na participação religiosa da comunidade. Esse último, me recordo, os membros de uma igreja local compartilhavam diariamente por mensagens versículos a outros membros, como forma de expandir sua vivência religiosa.

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