Archives for : Psicologia

O Valor de uma Psicoterapia: Teoria Vs. Prática – Resposta a Joustou


Qual seria a chave da compreensão da psicoterapia: a teoria ou a prática?Mais um comentário que traz um debate interessantíssimo e extremamente relevante para compreendermos as bases de uma prática psicoterapêutica. A final de contas, o que dá o valor a essa prática, sua base epistemológica ou seus resultados práticos? O leitor Joustou traz essa provocação no seguinte comentário:

Ao ler o post, mesmo sendo antigo, eu como estudante de psicologia tive um insight: a psicologia se importa mais com debates epistemológicos, isto é, uma posse do conhecimento sobre a subjetividade humana, do que nos seus resultados práticos. Se o terapeuta consegue auxiliar o indivíduo em seus problemas, o conduzir ao autoconhecimento e uma vida mental mais saudável, que diferença faz se o ser humano é determinado pelo ambiente, pelo inconsciente, pela cognição, se busca a autorrealização, se é produto de uma sociedade ou de um tempo histórico? A psicologia por ter como objeto de estudo a subjetividade humana, em suas discussões teóricas parecem mais com uma discussão filosófica, tal, como por exemplo, a natureza do ser, que é questionada desde os gregos, mas que de valor prático nada tem. Quando se pensa no valor prático da psicologia, seja na clinica, na empresa, seja na escola, as teorias devem tornar-se técnicas empregadas para o alcance de algum objetivo, e seja o seu teórico de referencia FREUD, JUNG, SKINNER, ROGERS, BECK, VIGOTSKY,PIAGET,o que importa sim é o resultado. São os resultados práticos que devem justificar a teoria explicativa, e não a teoria justificar o por que o seu emprego prático deve funcionar e as outras não.

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Direitos Iguais e a Transformação da Família


Direitos matrimoniais iguais é um movimento de escala mundial.Recentemente li um argumento bem interessante sobre o problema do casamento gay ou da “igualdade de direitos” para os homossexuais que realmente me fez pensar que ele é de fato um risco para a família tradicional. Infelizmente, não me lembro a fonte, mas tentarei reproduzir aqui as minhas reflexões a respeito desse argumento.

Durante muito tempo construímos uma imagem de sociedade tal que inclui não somente a visão da “família nuclear” pai-mãe-filho, mas também papéis sociais para pais e mães e filhos. Cada um tem sua responsabilidade não só na família, mas também na sociedade. Quando homossexuais exigem direito de casamento, eles exigem poder participar desses papéis sociais permitidos para as famílias heterossexuais. O problema é que eles não se encaixam. Se a família nuclear é pai-mãe-filho, quando dois homens se casam, teremos o que, pai-pai-filho, teremos uma família sem mãe? O mesmo quando duas mulheres se casam, teremos uma família com duas mães e sem pai? Ou será que uma dessas pessoas assumirá o papel oposto? 

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A Psicologia e os Modelos de Conhecimento: reflexões sobre depressão e farmacologia


Como será que diferentes pensamentos sobre psicologia podem conversar?Devo admitir que a repercusão de algumas ideias vai mais além do que imaginava, mas isso é algo bom! Algumas ideias realmente são difíceis de serem compreendidas e eu trabalho bastante com elas. Por muitas vezes meus alunos demonstram dificuldades em compreender algumas questões diferentes, justamente por partir de modelos de conhecimento que não estamos acostumados. E isso pode trazer vários problemas para a compreensão geral das discussões.

Trabalho com psicologia analítica, psicologia existencial e fenomenologia, além de estudos de fenomenologia da imaginação e estudos do imaginário, o que implicam em uma série de pensamentos e formas de pensar que diferem bastante das formas tradicionais de pensamento e de conhecimento. É isso que me refiro quando falo em um “modelo de conhecimento”. E existem vários modelos diferentes que pegamos de “empréstimo” para servir para a nossa forma de conhecer o mundo. 

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Psicofármacos, Terapia e o Efeito Placebo


Muito do sucesso da terapia depende de como acreditamos nelaNunca imaginei que um artigo antigo ainda iria retomar tanta discussão. Mas, uma coisa boa daquilo que já foi dito é a possibilidade de revisá-lo e de construir novas ideias e novos argumentos. Tive vários comentários, mas o mais recente me chamou a atenção para outros pontos sobre a relação entre psicofarmacoterapia e psicoterapia que ainda não havia tocado.

O comentário foi da Luciana, que relatou sua história com a depressão e relação com ambos remédio e psicanálise. Ao final, ela conclui que ambos os caminhos são válidos, ao contrário do que defendo – que somente a psicoterapia é suficiente. Seus argumentos são bastante válidos e baseados em sua experiência e, sobre isso, só tenho a dizer que, se funcionou para ela, se esse foi o seu caminho, então ótimo! É difícil encontrarmos o nosso caminho. Mas, lamento informar que isso pouco teve a ver com os remédios tomados e mais a ver com os encontros vividos. Explico. 

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Quem observa os observadores: os rolezinhos e o medo das massas


Encontro de Blogueiros de Curitiba acontecia regularmente em Shopping, com dezenas de pessoas.

Fonte: Jonny Ken Itaya http://www.flickr.com/photos/jonnyken/2435699977/in/photostream/

Organizar encontros no shopping através da internet e de forma periódica: blogueiros de Curitiba já faziam isso em 2009, inclusive com o apoio do shopping em questão que chegou a ampliar o acesso ao Wifi por conta disso, como mostra esta matéria aqui do próprio estabelecimento. E, desde essa época, o mesmo Shopping recebe a visita organizada de grupos vindo da periferia da cidade ouvindo suas músicas preferidas e vestindo suas calças no joelho e pantufas no pé sem muito preconceito… Até hoje é assim, sem grande separação, sem tantos conflitos (só um pouco e só de vez em quando).

Na mesma época inaugurou na cidade um outro shopping que dizia ser o maior centro comercial do sul do Brasil, só que lá, pela proximidade a um grande terminal de ônibus que facilitava a chegada de gente “diferenciada” de mais longe, eles tiveram esse tipo de problema de barrar a entrada desses grupos. A resposta foi uma investigação do Ministério Público que percebeu que vários shoppings faziam algo parecido, por mais que fosse velado.

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Um olhar psicológico sobre as discussões culturais e naturais sobre gênero e sociedade


Temos como negar o que está diante de nós?Estava no Facebook dias atrás quando vi o desabafo de uma amiga sobre uma questão pertinente aos estudos culturais de gênero que ela estuda no mestrado. Ela estava desabafando que existem pesquisadores que, de certa forma, levantam a bandeira do negacionismo biológico, colocando que tudo é uma construção cultural. No caso, ela estava explicando que existem pessoas que, para defenderem que as diferenças de gênero são questões socialmente construídas, atacam qualquer possibilidade de aceitar marcações biológicas para a definição de gênero. Ou seja, gênero deveria ser uma escolha ou construção pessoal, não uma imposição cultural, muito menos utilizando-se de argumentos biológicos.

Esse é um debate acalorado, com apoiadores de ambos os lados. Eu, particularmente, aceito a posição da minha amiga que, por mais que existam definições culturais na discussão sobre gêneros, não podemos esquecer que possuímos corpos biológicos e que esses corpos biológicos impõem de certa forma limitações como menstruações para as mulheres (por mais que muitas delas prefiram tomar remédios para evitar os desconfortos mensais) e a impossibilidade de gerar vida para os homens, por exemplo.

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O Caminho dos Heróis e o Trabalho em Equipe


Já conhecem a história de Jasão e os Argonautas?Todos já ouviram falar do grande herói mítico Hércules, mas poucos sabem que ele já fez parte de uma grande equipe de heróis míticos chamada Os Argonautas, porque eles navegavam no grande navio Argo. Seu líder era Jasão, que estava em uma missão para recuperar o trono que fora usurpado por seu tio Pélias. Jasão contava com a ajuda de vários heróis além de Hércules, cada um com sua habilidade que o destacava dos demais. Hércules, é claro, trazia sua enorme força. Orfeu tinha um dom incrível de cantar e graças a ele, que cantou mais bonito que as sereias, ele sobreviveram. Jasão também encontrou no caminho a feiticeira Medéia que o ajudou com sua magia.

A mensagem que a história de Jasão e os Argonautas deixa para nós é que uma equipe pode se beneficiar com os talentos individuais de cada integrante, ao invés de procurar uma equipe uniforme. Se cada um desses talentos for valorizado, no momento apropriado cada um poderá contribuir da melhor forma possível.

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Uma breve reflexão sobre a dor e o sofrimento


Será que a dor é inevitável e o sofrimento, opcional?Como se trata de uma breve reflexão sobre a dor e o sofrimento, não vou entrar em grandes detalhes. Caso alguém tenha alguma questão ou pergunta que queira fazer, faça nos comentários que tentarei responder da melhor forma possível!

A diferença entre a dor física e a dor psicológica é gritante. Na dor física, o corpo emite uma série de neurotransmissores responsáveis por aliviar os impulsos nervosos da dor – que tem o objetivo de avisar que algo está errado naquele local e impede que você faça algo pior com ele. Assim, se seu pé doi por conta de uma torção, a dor física fará com que você use menos o pé, permitindo que ele se cure naturalmente, enquanto seu cérebro lança neurotransmissores para aliviar essa sensação. Dependendo da intensidade e frequência da dor física, ela até pode ser prazerosa (por conta desses mesmos neurotransmissores), como o prazer da dor do exercício, por exemplo, ou de uma massagem…

Já a dor psicológica provém de sentimentos profundos, de base não física. Sentimos essa dor também no corpo por conta de processos psicológicos como a memória que nos faz relembrar outros momentos onde sentimos dor e nos faz revivier essa dor. A dor psicológica não está associada a nenhum neurotransmissor de prazer, muito pelo contrário: ela está associada a uma diminuição considerável desses neurotransmissores (tanto é que a diminuição crônica deles é considerado critério diagnóstico de depressão).

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Processo de Individuação – Resposta a Julio Ito


Como compreender quem nós verdadeiramente somos?Recentemente resolvi comentar os comentários de meus leitores e tenho visto alguma discussão surgindo nos posts. Mas, de vez em quanto, um comentário fica muito grande, a ponto de eu achar melhor colocá-lo como um post independente. Desta vez, o leitor Julio Ito fez uma pergunta deveras interessante em um post recente, sobre uma questão teórica da psicologia junguiana – ao contrário de outros comentários que não são tão agradáveis assim. Como eu acho que esse assunto é por demais sério para se responder brevemente, resolvi escrever um artigo relatando minha posição.

Julio pergunta sobre o Processo de Individuação e qual literatura eu recomendaria para quem quer saber mais sobre isso. Só que antes que eu possa indicar livros, preciso esclarecer algumas questões – que são resultado das minhas várias leituras sobre o tema. Porque a teoria do Processo de Individuação, a meu ver, é A teoria central da psicologia junguiana, é o ponto principal por onde todos os outros conceitos teóricos orbitam. Então, não adianta simplesmente indicar um ou dois livros, pois, é necessário se ter uma visão do todo para se compreender o que esses livros falam também.

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Epistemologia Junguiana – Psicologia Analítica


Carl JungNa minha disciplina de Epistemologia da Psicologia, um dos grupos fez o trabalho sobre alguns valores e pressupostos epitemológicos da Psicologia Analítica. Como esse grupo fez em formato digital e me enviou para avaliação, resolvi disponibilizá-lo aqui para consulta, para quem se interessar pelo tema. Para quem não conhece, Epistemologia é a teoria do conhecimento, como construímos o conhecimento e como sabemos do conhecimento. Este trabalho ilustra um pouco disso na forma de um cartaz, mostrando alguns dos pontos estudados.

Se gostaram, deixem seus comentários abaixo!

Para melhor vizualização, sugiro acompanhar a apresentação em tela cheia!