Archives for : Filosofia e Epistemologia

O Valor de uma Psicoterapia: Teoria Vs. Prática – Resposta a Joustou


Qual seria a chave da compreensão da psicoterapia: a teoria ou a prática?Mais um comentário que traz um debate interessantíssimo e extremamente relevante para compreendermos as bases de uma prática psicoterapêutica. A final de contas, o que dá o valor a essa prática, sua base epistemológica ou seus resultados práticos? O leitor Joustou traz essa provocação no seguinte comentário:

Ao ler o post, mesmo sendo antigo, eu como estudante de psicologia tive um insight: a psicologia se importa mais com debates epistemológicos, isto é, uma posse do conhecimento sobre a subjetividade humana, do que nos seus resultados práticos. Se o terapeuta consegue auxiliar o indivíduo em seus problemas, o conduzir ao autoconhecimento e uma vida mental mais saudável, que diferença faz se o ser humano é determinado pelo ambiente, pelo inconsciente, pela cognição, se busca a autorrealização, se é produto de uma sociedade ou de um tempo histórico? A psicologia por ter como objeto de estudo a subjetividade humana, em suas discussões teóricas parecem mais com uma discussão filosófica, tal, como por exemplo, a natureza do ser, que é questionada desde os gregos, mas que de valor prático nada tem. Quando se pensa no valor prático da psicologia, seja na clinica, na empresa, seja na escola, as teorias devem tornar-se técnicas empregadas para o alcance de algum objetivo, e seja o seu teórico de referencia FREUD, JUNG, SKINNER, ROGERS, BECK, VIGOTSKY,PIAGET,o que importa sim é o resultado. São os resultados práticos que devem justificar a teoria explicativa, e não a teoria justificar o por que o seu emprego prático deve funcionar e as outras não.

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A Psicologia e os Modelos de Conhecimento: reflexões sobre depressão e farmacologia


Como será que diferentes pensamentos sobre psicologia podem conversar?Devo admitir que a repercusão de algumas ideias vai mais além do que imaginava, mas isso é algo bom! Algumas ideias realmente são difíceis de serem compreendidas e eu trabalho bastante com elas. Por muitas vezes meus alunos demonstram dificuldades em compreender algumas questões diferentes, justamente por partir de modelos de conhecimento que não estamos acostumados. E isso pode trazer vários problemas para a compreensão geral das discussões.

Trabalho com psicologia analítica, psicologia existencial e fenomenologia, além de estudos de fenomenologia da imaginação e estudos do imaginário, o que implicam em uma série de pensamentos e formas de pensar que diferem bastante das formas tradicionais de pensamento e de conhecimento. É isso que me refiro quando falo em um “modelo de conhecimento”. E existem vários modelos diferentes que pegamos de “empréstimo” para servir para a nossa forma de conhecer o mundo. 

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Um olhar psicológico sobre as discussões culturais e naturais sobre gênero e sociedade


Temos como negar o que está diante de nós?Estava no Facebook dias atrás quando vi o desabafo de uma amiga sobre uma questão pertinente aos estudos culturais de gênero que ela estuda no mestrado. Ela estava desabafando que existem pesquisadores que, de certa forma, levantam a bandeira do negacionismo biológico, colocando que tudo é uma construção cultural. No caso, ela estava explicando que existem pessoas que, para defenderem que as diferenças de gênero são questões socialmente construídas, atacam qualquer possibilidade de aceitar marcações biológicas para a definição de gênero. Ou seja, gênero deveria ser uma escolha ou construção pessoal, não uma imposição cultural, muito menos utilizando-se de argumentos biológicos.

Esse é um debate acalorado, com apoiadores de ambos os lados. Eu, particularmente, aceito a posição da minha amiga que, por mais que existam definições culturais na discussão sobre gêneros, não podemos esquecer que possuímos corpos biológicos e que esses corpos biológicos impõem de certa forma limitações como menstruações para as mulheres (por mais que muitas delas prefiram tomar remédios para evitar os desconfortos mensais) e a impossibilidade de gerar vida para os homens, por exemplo.

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Epistemologia Junguiana – Psicologia Analítica


Carl JungNa minha disciplina de Epistemologia da Psicologia, um dos grupos fez o trabalho sobre alguns valores e pressupostos epitemológicos da Psicologia Analítica. Como esse grupo fez em formato digital e me enviou para avaliação, resolvi disponibilizá-lo aqui para consulta, para quem se interessar pelo tema. Para quem não conhece, Epistemologia é a teoria do conhecimento, como construímos o conhecimento e como sabemos do conhecimento. Este trabalho ilustra um pouco disso na forma de um cartaz, mostrando alguns dos pontos estudados.

Se gostaram, deixem seus comentários abaixo!

Para melhor vizualização, sugiro acompanhar a apresentação em tela cheia!

Logoslogia


Uma rosa por outro nome ainda seria uma rosa?Uma das questões que mais me incomoda quando falamos sobre ciência é sobre a definição e origem dos diferentes nomes das ciências. Muitas pessoas acham que o nome é irrelevante, pois “uma rosa sob outro nome teria o mesmo perfume”, como disse Shakespeare em Romeu e Julieta. Essa inclusive é uma discussão no livro O Nome da Rosa, de Umberto Eco. Mas o nome é importante sim, principalmente para saber diferenciar e identificar as coisas.

Durante muito tempo, os nomes eram vistos como extensões da alma. Tanto é que atribuir um nome a algo era atribuir uma alma a isso. Não é à toa que no relato bíblico da criação do mundo Deus dá ao homem a tarefa de dar nome aos animais. Dessa forma, não só os animais poderiam ser identificados, mas também o homem seria como Deus, pois ele estaria atribuindo alma e sendo criador também. E, ao negligenciarmos os nomes, estamos negligenciado a alma das coisas, sua essência.

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