Archives for : Opinião Pessoal

Ainda um pouco mais sobre bullying


O problema do bullying nunca é só o bully...Bullying é um tema controverso, polêmico e atual, tanto é que fui convidado pelo pessoal do Papo de Gordo para gravar um podcast sobre bullying! A conversa foi muito bacana e foi muito bem recebida. Porém, como todo papo polêmico, teve bastantes controversas. Caso queira ouvir o cast original, sigam este link. E neste, vocês poderão acessar o episódio onde foi lido alguns comentários sobre o episódio de Bullying.

Como toda boa conversa, esse cast sobre bullying rendeu muita conversa e repercussão… Esperava que fossem repercussões positivas e criativas, mas infelizmente percebo que houve mais desinformação do que diversão. Só lembrando que, por mais que o tema do cast seja sério, a proposta sempre foi ver as coisas por um lado mais leve – ao menos a minha proposta ao participar do programa era mostrar que, por mais sério que seja um problema, podemos aprender a ver as coisas por outros ângulos.

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Resposta ao Dr. Hélio


Resposta a um comentário deixado no meu blogGeralmente não respondo os comentários deixados em meu blog – somente alguns que merecem minha atenção. Deixo os comentários abertos para que meus leitores discutam e não gosto de encerrá-los com minhas ideias: prefiro deixá-las aberta para o benefício e discussão de todos. Mas leio todos, inclusive uso-os para ter ideias de novos artigos.

Porém, hoje recebi um comentário em meu blog no artigo que mostrava os riscos da terapia cognitivo-comportamental que veio carregado por algumas acusações relativamente pesadas. Por isso, dou-me ao direito aqui de responder cada um dos pontos levantados, mas antes gostaria de levantar alguns pontos sobre o meu texto que acredito foram ignorados pela leitura de meu crítico, o Dr. Hélio.

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Esteróides e outras drogas


Qual a verdade dos esteróides e outras drogas?Recentemente me deparei com um documentário no Youtube sobre esteróides anabolizantes. De cara, o tema não me interessou, pois o universo dos anabolizantes não é próximo ao meu. Porém, percebi que o documentário na realidade se tratava da cultura dos Estados Unidos, que centrava em torno da força e do poder e que os anabolizantes eram somente um fator envolvido. Então resolvi assistir.

E de cara, me deparei com questionamentos não só sobre a supervalorização do corpo perfeito ou dos excessos, mas também sobre a hipocrisia do uso de modificadores ou otimizadores corporais, que eles chamam de “enhancers”. Basicamente, a cultura daquele país – que acaba moldando muito da cultura do nosso também – valoriza o uso de produtos químicos para melhorar ou otimizar o trabalho. Um deles são os anabolizantes. Outros incluem os psicofármacos. E aqui começa o meu verdadeiro interesse.

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Problemas Conceituais da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)


Qual o risco das psicoterapias cognitivo-comportamentais?Mais um tema polêmico, mas essa é uma questão que vem surgindo repetidas vezes com meus alunos. Não posso deixar passar. Quem já me ouviu falando sobre isso sabe que eu tenho uma opinião clara sobre isso e até agora não conheci argumentos que pudessem me convencer do contrário. Existem algumas psicoterapias baseadas em aglomerações de técnicas sem fundamento teórico-epistemológico que genericamente são chamadas de “Terapias cognitivo-comportamentias”, que acabam criando uma image distorcida das terapias e teorias cognitivas e comportamentais. Sou contra essa ecletização e aqui poderei expor por quê. Antes de começar a falar, já adianto que sei que haverão muitas críticas dos defensores dessa “pseudoabordagem”, mas já adianto que tentarei responder a essas críticas antes que elas sejam feitas aqui. Outra coisa que devo acrescentar antes de prosseguir é que meu fundamento para tal posicionamento está em questões epistemológicas, metodológicas e políticas relacionadas à psicologia e espero que, caso eu venha a ser criticado, que essas críticas sejam no mesmo nível. Não estou aqui menosprezando nenhum psicólogo específico, muito menos seus pacientes. Somente quero alertar meus leitores para os riscos dessa prática, riscos esses que poucos – ou quase ninguém – conhecem.

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Quem observa os observadores: as propagandas negativas


Campanha Paz sem voz é medoFaz um tempo tenho visto propagandas e principalmente campanhas que têm um enfoque negativo. E por enfoque negativo quero dizer que o foco da propaganda ou campanha não é o que deve ser feito, mas o que deve ser evitado. E, de um ponto de vista psicológico, fazer isso é apostar no fracasso, ou seja, não dá certo.

Não quero aqui falar do mérito dessas campanhas, mas sim da forma como elas são feitas. O pior é que sempre que vejo uma delas eu penso comigo mesmo, “mais um esforço disperdiçado e mais dinheiro jogado fora à toa”. Dois grandes exemplos disso são a campanha “Paz sem voz é medo” do grupo GRPCOM e a campanha “190 km/h é crime“, organizada após o acidente protagonizado pelo ex-deputado Fernando Ribas Carli Filho. Até hoje não sei qual foi a eficácia dessas campanhas, mas vou aqui descrever porque elas não dão certo e como poderiam ser para funcionarem.

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Como identificar um mau professor


Professores, entre outras coisas, servem pra ensinar. Existem muitos bons professores e muito mais maus professores.

O objetivo do professor é passar conteúdo para o aluno, “pro-fessar” um conhecimento. Um bom professor incentiva o aluno a ir atrás de novos conhecimentos, de construir novos conhecimentos. Um mau professor se preocupa unicamente com o seu próprio conhecimento e não reconhece que ideias não pertencem à ele e que outras pessoas podem – e devem – pensar diferente.

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Por que não comemoro o Dia Internacional da Mulher


O mundo todo fica todo florido hoje, dia 8 de março. Muitos votos de felicidade para as mulheres, pois a final, hoje é o Dia Internacional da Mulher! Mas eu não comemoro esse dia. Eu não desejo a nenhuma mulher nada pelo dia de hoje. Eu acho isso uma incrível e tremenda hipocrisia. Por quê? Bem, porque eu me perguntei há algum tempo, “por que se comemora o dia internacional da mulher”? E a resposta abriu meus olhos.

Tudo começou com a industrialização do mundo. O trabalho começa a migrar do campo e do artesanato pras fábricas e indústrias. Como tudo era muito novo, o foco dos industriários era o trabalho e a produção e pouco se pensava sobre o trabalhador. A final, o trabalhador já estava “acostumado” a ser mal tratado nos campos e nas produções artesanais onde era empregado (ou praticamente escravo com pouco pagamento).

Nessa época, final do século XIX, início do século XX, todos trabalhavam, homens, mulheres, jovens, velhos, crianças. As contas eram muitas e o pagamento era pouco. Se a pessoa tinha a mínima condição física de trabalhar, ela trabalhava. Crianças de 4 anos estavam nos chãos de fábrica e idosos com mais de 60 também. Homens e mulheres trabalhavam com certa igualdade, mas é claro que a mão-de-obra masculina ainda era mais valorizada, pelo simples motivo que o mundo era machista e entendia que o homem tinha mais força física, maior inteligência e mais resitência para aguentar o trabalho das fábricas. Mas mesmo assim as mulheres trabalhavam.

Nessa época começaram os primeiros movimentos feministas ou de valorização (e muitas vezes exagerado, temos que reconhecer, mas talvez necessário) do trabalho da mulher. Muitas mulheres protestavam nessa época tentando ter mais direitos enquanto trabalhadoras. Muitas morreram tentando isso em vários protestos. Reza a lenda que várias delas foram trancadas dentro de um prédio de uma malharia com início de incêndio e foram queimadas vivas. Muitas outras morreram pisoteadas nas manifestações ou nas mãos dos policiais que tentavam conter as coisas.

Esses grupos feministas, com o apoio dos partidos comunistas e socialistas do mundo todo, elegeram o dia 8 de março como o dia internacional da mulher devido a uma manifestação onde várias mulheres morreram, para reconhecermos nesse dia o valor da força da mulher no trabalho. E conseguiram. Em Copenhagen, em 1910, esses grupos feministas e socialistas organizaram uma conferência que declarou dia 8 de março como o dia internacional da mulher.

Esse dia foi comemorado nas décadas de 1910 e 1920, mas depois esfriou, até a década de 1960 quando, durante a guerra fria, ele voltou a ser comemorado. E 1975 a ONU declara como o Ano Internacional da Mulher e começa a patrocinar a comemoração do Dia Internacional da Mulher. E parece que deu certo. Nos anos ’80, o trabalho das mulheres começa a ser mais valorizado e muitas começam a ter lugares de privilégio nos trabalhos, gerência e até mesmo presidência.

Mas hoje em dia isso tudo só passa como desculpa para se vender flores e chocolates e batons e cosméticos. Virou comercial, como tudo. Hoje, o Dia Internacional da Mulher só significa que as lojas de produtos femininos vão vender um pouco mais, que as floriculturas também. Hoje, quando falamos do Dia Internacional da Mulher, não pensamos na luta pela valorização das mulheres. Além disso, estamos comemorando o martírio de várias delas com flores e chocolates. COMEMORAMOS o Martírio de Mulheres! Isso não é meio estranho para um dia que deveria ser de valorização?

E outra. Hoje em dia, sinceramente, isso parece estar meio datado. As mulheres já conseguiram o que queria e se igualaram aos homens. Já podem usar calças, não precisam mais ter filhos para serem alguém na sociedade e podem trabalhar o quanto quiserem, falar grosso e beber cerveja, como todas as outras pessoas. Era isso que as mulheres queriam, né? Se tornarem iguais aos homens. Tá, e agora que conseguiram, querem ter um dia para que os homens se lembrem disso. E enquanto os outros 364 dias? Bem, esses ficam para os homens, né? Já que só existe um dia internacional pra mulher, os outros dias são para os homens!

Acho uma tremenda hipocrisia isso. Se conseguimos valorizar as mulheres e idenficá-las como iguais, precisamos então diferenciá-las com um dia exclusivo? Pode parecer #mimimi de homem querendo também ter um dia de valorização do homem, mas não é. Sinceramente, não gosto dos homens e prefiro muito mais as mulheres, mas mesmo assim, enquanto psicólogo, sou forçado a reconhecer que o século XXI será das mulheres enquanto os homens entram em crise. Estamos vivendo uma crise da masculinidade apontada por vários pesquisadores hoje em dia.

Os homens já não sabem mais qual é o seu lugar na sociedade. Muitos, que foram criados para o trabalho, hoje cuidam das casas, dos filhos, enquanto as mulheres trabalham. Os homens, que eram proibidos de brincarem de casinha, hoje fazem isso de verdade. E frente a isso se sentem impotentes para fazer qualquer outra coisa, impotentes para dizerem não às mulheres e com isso se tornam impotentes diante das mulheres. E não respondem como os homens são supostamente esperados a responder na cama (ou em qualquer outro lugar). As mulheres então correm atrás de outros homens e os homens atrás de outras mulheres que não os precionem tanto. Casamentos acabam devido a isso. Famílias são destruídas por causa disso. Homens que não se sentem homens buscam isso na violência, no alcoolismo, nas drogas, nas brigas, batendo nas mulheres e nos filhos. Homens só precisam bater nos outros  para diminuir o outro e se sentir maior. Violência familiar acontece principalmente porque os homens não sabem mais qual é o seu lugar e procuram isso através da única forma que sabem: violência, a mais primitiva busca pelo poder.

É claro que a crise da masculinidade não tem nada a ver com o Dia Internacional da Mulher. Mas, sinceramente, diante desse mundo onde vivemos, e diante de tudo isso, vale a pena comemorar o Dia Internacional da Mulher? Será quem em pleno Século XXI vale a pena comemorar o massacre e o martírio de mulheres no início do século XX com flores e chocolates e tiras cor-de-rosa? Vale a pena trazer a feminilidade à tona, a delicadeza das mulheres, a beleza e a sutileza do “sexo frágil” sendo que elas hoje em dia estão muito mais fortes do que os homens? Será que temos que ser hipócritas o suficiente para dar um dia para as mulheres, darmos os parabéns por elas não terem pênis e sangrarem todos os meses com direito a cólicas e dores de cabeça, só para que o resto do ano a gente possa ter a desculpa pra não fazer isso?

Me desculpem as mulheres, mas de mim vocês não vão ouvir hoje nenhum voto de parabéns ou felicidades. Mas saibam que de mim vocês vão ter durante os 365,25 dias do ano todo o respeito e valorização que vocês merecem. Não preciso de um decreto de um dia internacional pra reconhecer o quanto adoro as mulheres e o quanto eu quero sempre tê-las comigo.

Um pequeno paraíso…


Estava ontem conversando com uma amiga sobre o amor… e me vieram muitas idéias, muitas coisas, várias experiências, mas somente uma certeza: amor é uma escolha.

Somos todos livres para amar e podemos amar quem quisermos. Amor não é atração. Posso amar uma criança, um velho, meus pais, meus irmãos, um amigo ou amiga, sem me sentir atraído por eles. Mas eu os amo porque escolhi amá-los… Amor é doação, é entrega e abandono de si pelo outro. Essa escolha eu faço pelo outro e não por mim.

Não existe essa estória de amor condicional e incondicional. Amor é amor e ponto. Dele, não se fala, somente se vive… Dizer que amo de formas diferentes, que amei de um jeito e agora amo de outro é falar de algo sobre o qual não se tem nada a falar… Quando amo, amo e ponto. Quando escolho amar é porque (ou para que) aceitei me responsabilizar por essa pessoa, aceitei viver junto com essa pessoa, não importa onde ela esteja… A distância não influencia no amor, nem o tempo, pois o amor está além do tempo e do espaço. Nossas escolhas são nossas, e que elas também sejam escolhas da humanidade toda.

Amo sim. “Amor, verbo intransitivo”, já ouvi isso antes. Amo e ponto, sem objeto e sem sujeito, pois o amor dissolve essas barreiras. Quem ama pertence a uma relação de troca, uma relação que transcende limites. Quem ama, ama e ponto. Amor não dito, que é vivido, torna-se quem ama. Quem ama, quando vive, torna-se amor.

E é justamente por isso que quando amamos precisamos escolher amar. Amar é viver e viver é uma eterna escolha. Quando escolhemos somos responsáveis por essa escolha, e quando amamos, nos tornamos eternamente responsáveis por aqueles que cativamos…

Texto original publicado em 05/07/07

Uma vez eu sonhei…


Engraçado tudo isso… Acho que é mania de psicólogo.

Mas hoje eu sonhei que estava analisando meus próprios sonhos! Tudo bem que faz tempo que não faço isso, com qualquer sonho… mas sonhar que analisava sonhos? Poxa… vai ser mais direto assim lá longe!

Essa é uma coisa dos sonhos: eles são sempre muito mais diretos do que a gente imagina. O grande problema é que eles tentam falar tudonumacoisasó e daí pode ficar confuso. Tipo, o que é que tem de direto num sonho onde você tem uma barragem virtual na pia da sua cozinha e dentro dessa pia você também tem restos de um carangueijo cozido que é confundido por um frango frito e que precisa ser dedetizado?

O sonho aqui está tentando mostrar muita coisa junta, usando imagens que a gente viu ou pensou recentemente (para facilitar nossa compreensão), mas numa organização própria do sonho… Essa imagem eu realmente tive nesse sonho de hoje. E é engraçado que em um momento essa barragem virtual começou a vazar por pontos equidistantes um do outro, fazendo aquele efeito cascata onde um fio de água vai mais longe do que o outro. Só que normalmente, o fio mais de baixo vai mais longe, só que nessa barragem não! O fio mais próximo à superfície era o que ia mais longe e o mais perto do fundo era o que ficava mais perto…

As leis da física não se aplicam aos sonhos. Eu consigo constantemente (se me lembro disso, é claro), voar nos meus sonhos, é só eu querer… E respirar debaixo d’água também… São coisas que aprendi nos meus sonhos… Mas é a primeira vez que vejo um carangueijo cozido sendo mantido dentro da minha pia da cozinha! Me lembra de uma vez que tirei uma foto de um carangueijo segurando uma coxinha de galinha na casa do meu padrinho… Um carangueijo sendo confundido por um frango frito… E o cara que iria dedetizar a pia desse carangueigo/frango era o motorista da van que nos levou para e nos trouxe de São Paulo para o show dos Engenheiros do Hawaii… Eu fiz uma aposta com ele que se aquilo não fosse frango frito que ele iria deixá-lo lá, mas ele não honrou com a aposta e mesmo assim dedetizou o carangueijo…

Mas por que eu queria esse carangueijo, se eu nem gosto dessas coisas?!

São coisas dos sonhos… são coisas que preciso entender e assimilar, mas que no momento não consigo… alguém tem alguma pista pra me ajudar?

Originalmente publicado em:  01/06/07