Archives for : Respostas a Leitores

A Psicologia Analítica e o Tratamento da Drogadição


Como lidar com as drogas, seus usuários e o mundo a sua volta?Recebi um email de um ex-aluno me fazendo uma pergunta muito bacana que gostaria de compartilhar aqui no blog – não só pelo interesse acadêmico da questão, mas também para que os leitores possam perceber que existem várias alternativas aos tratamentos dos problemas psicossociais. Reproduzo abaixo o email, com algumas ligeiras alterações:

Olá, professor,

Sou um ex aluno seu e trabalho com dependentes químicos. Gostaria de saber qual  o olhar da Psicologia Analítica para o ser humano dependente químico, a estrategia terapêutica, etc. Por exemplo, a Psicologia Comportamental vai olhar  as contingencias do sujeito, fazendo um analise do seu comportamento operante, quais os reforçadores que mantêm ou estingue comportamentos, etc… Em relação ao  terapeuta junguiano, o que ele deve olhar, como seria sua estrategia terapêutica?

Aprendi muito com você em sala de aula, imagino q vai poder me ajudar nessa também…

Abraços!

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O Valor de uma Psicoterapia: Teoria Vs. Prática – Resposta a Joustou


Qual seria a chave da compreensão da psicoterapia: a teoria ou a prática?Mais um comentário que traz um debate interessantíssimo e extremamente relevante para compreendermos as bases de uma prática psicoterapêutica. A final de contas, o que dá o valor a essa prática, sua base epistemológica ou seus resultados práticos? O leitor Joustou traz essa provocação no seguinte comentário:

Ao ler o post, mesmo sendo antigo, eu como estudante de psicologia tive um insight: a psicologia se importa mais com debates epistemológicos, isto é, uma posse do conhecimento sobre a subjetividade humana, do que nos seus resultados práticos. Se o terapeuta consegue auxiliar o indivíduo em seus problemas, o conduzir ao autoconhecimento e uma vida mental mais saudável, que diferença faz se o ser humano é determinado pelo ambiente, pelo inconsciente, pela cognição, se busca a autorrealização, se é produto de uma sociedade ou de um tempo histórico? A psicologia por ter como objeto de estudo a subjetividade humana, em suas discussões teóricas parecem mais com uma discussão filosófica, tal, como por exemplo, a natureza do ser, que é questionada desde os gregos, mas que de valor prático nada tem. Quando se pensa no valor prático da psicologia, seja na clinica, na empresa, seja na escola, as teorias devem tornar-se técnicas empregadas para o alcance de algum objetivo, e seja o seu teórico de referencia FREUD, JUNG, SKINNER, ROGERS, BECK, VIGOTSKY,PIAGET,o que importa sim é o resultado. São os resultados práticos que devem justificar a teoria explicativa, e não a teoria justificar o por que o seu emprego prático deve funcionar e as outras não.

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A Psicologia e os Modelos de Conhecimento: reflexões sobre depressão e farmacologia


Como será que diferentes pensamentos sobre psicologia podem conversar?Devo admitir que a repercusão de algumas ideias vai mais além do que imaginava, mas isso é algo bom! Algumas ideias realmente são difíceis de serem compreendidas e eu trabalho bastante com elas. Por muitas vezes meus alunos demonstram dificuldades em compreender algumas questões diferentes, justamente por partir de modelos de conhecimento que não estamos acostumados. E isso pode trazer vários problemas para a compreensão geral das discussões.

Trabalho com psicologia analítica, psicologia existencial e fenomenologia, além de estudos de fenomenologia da imaginação e estudos do imaginário, o que implicam em uma série de pensamentos e formas de pensar que diferem bastante das formas tradicionais de pensamento e de conhecimento. É isso que me refiro quando falo em um “modelo de conhecimento”. E existem vários modelos diferentes que pegamos de “empréstimo” para servir para a nossa forma de conhecer o mundo. 

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Psicofármacos, Terapia e o Efeito Placebo


Muito do sucesso da terapia depende de como acreditamos nelaNunca imaginei que um artigo antigo ainda iria retomar tanta discussão. Mas, uma coisa boa daquilo que já foi dito é a possibilidade de revisá-lo e de construir novas ideias e novos argumentos. Tive vários comentários, mas o mais recente me chamou a atenção para outros pontos sobre a relação entre psicofarmacoterapia e psicoterapia que ainda não havia tocado.

O comentário foi da Luciana, que relatou sua história com a depressão e relação com ambos remédio e psicanálise. Ao final, ela conclui que ambos os caminhos são válidos, ao contrário do que defendo – que somente a psicoterapia é suficiente. Seus argumentos são bastante válidos e baseados em sua experiência e, sobre isso, só tenho a dizer que, se funcionou para ela, se esse foi o seu caminho, então ótimo! É difícil encontrarmos o nosso caminho. Mas, lamento informar que isso pouco teve a ver com os remédios tomados e mais a ver com os encontros vividos. Explico. 

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