Psicofármacos, Terapia e o Efeito Placebo


Muito do sucesso da terapia depende de como acreditamos nelaNunca imaginei que um artigo antigo ainda iria retomar tanta discussão. Mas, uma coisa boa daquilo que já foi dito é a possibilidade de revisá-lo e de construir novas ideias e novos argumentos. Tive vários comentários, mas o mais recente me chamou a atenção para outros pontos sobre a relação entre psicofarmacoterapia e psicoterapia que ainda não havia tocado.

O comentário foi da Luciana, que relatou sua história com a depressão e relação com ambos remédio e psicanálise. Ao final, ela conclui que ambos os caminhos são válidos, ao contrário do que defendo – que somente a psicoterapia é suficiente. Seus argumentos são bastante válidos e baseados em sua experiência e, sobre isso, só tenho a dizer que, se funcionou para ela, se esse foi o seu caminho, então ótimo! É difícil encontrarmos o nosso caminho. Mas, lamento informar que isso pouco teve a ver com os remédios tomados e mais a ver com os encontros vividos. Explico. 

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Quem observa os observadores: os rolezinhos e o medo das massas


Encontro de Blogueiros de Curitiba acontecia regularmente em Shopping, com dezenas de pessoas.

Fonte: Jonny Ken Itaya http://www.flickr.com/photos/jonnyken/2435699977/in/photostream/

Organizar encontros no shopping através da internet e de forma periódica: blogueiros de Curitiba já faziam isso em 2009, inclusive com o apoio do shopping em questão que chegou a ampliar o acesso ao Wifi por conta disso, como mostra esta matéria aqui do próprio estabelecimento. E, desde essa época, o mesmo Shopping recebe a visita organizada de grupos vindo da periferia da cidade ouvindo suas músicas preferidas e vestindo suas calças no joelho e pantufas no pé sem muito preconceito… Até hoje é assim, sem grande separação, sem tantos conflitos (só um pouco e só de vez em quando).

Na mesma época inaugurou na cidade um outro shopping que dizia ser o maior centro comercial do sul do Brasil, só que lá, pela proximidade a um grande terminal de ônibus que facilitava a chegada de gente “diferenciada” de mais longe, eles tiveram esse tipo de problema de barrar a entrada desses grupos. A resposta foi uma investigação do Ministério Público que percebeu que vários shoppings faziam algo parecido, por mais que fosse velado.

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Um olhar psicológico sobre as discussões culturais e naturais sobre gênero e sociedade


Temos como negar o que está diante de nós?Estava no Facebook dias atrás quando vi o desabafo de uma amiga sobre uma questão pertinente aos estudos culturais de gênero que ela estuda no mestrado. Ela estava desabafando que existem pesquisadores que, de certa forma, levantam a bandeira do negacionismo biológico, colocando que tudo é uma construção cultural. No caso, ela estava explicando que existem pessoas que, para defenderem que as diferenças de gênero são questões socialmente construídas, atacam qualquer possibilidade de aceitar marcações biológicas para a definição de gênero. Ou seja, gênero deveria ser uma escolha ou construção pessoal, não uma imposição cultural, muito menos utilizando-se de argumentos biológicos.

Esse é um debate acalorado, com apoiadores de ambos os lados. Eu, particularmente, aceito a posição da minha amiga que, por mais que existam definições culturais na discussão sobre gêneros, não podemos esquecer que possuímos corpos biológicos e que esses corpos biológicos impõem de certa forma limitações como menstruações para as mulheres (por mais que muitas delas prefiram tomar remédios para evitar os desconfortos mensais) e a impossibilidade de gerar vida para os homens, por exemplo.

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O Caminho dos Heróis e o Trabalho em Equipe


Já conhecem a história de Jasão e os Argonautas?Todos já ouviram falar do grande herói mítico Hércules, mas poucos sabem que ele já fez parte de uma grande equipe de heróis míticos chamada Os Argonautas, porque eles navegavam no grande navio Argo. Seu líder era Jasão, que estava em uma missão para recuperar o trono que fora usurpado por seu tio Pélias. Jasão contava com a ajuda de vários heróis além de Hércules, cada um com sua habilidade que o destacava dos demais. Hércules, é claro, trazia sua enorme força. Orfeu tinha um dom incrível de cantar e graças a ele, que cantou mais bonito que as sereias, ele sobreviveram. Jasão também encontrou no caminho a feiticeira Medéia que o ajudou com sua magia.

A mensagem que a história de Jasão e os Argonautas deixa para nós é que uma equipe pode se beneficiar com os talentos individuais de cada integrante, ao invés de procurar uma equipe uniforme. Se cada um desses talentos for valorizado, no momento apropriado cada um poderá contribuir da melhor forma possível.

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Uma breve reflexão sobre a dor e o sofrimento


Será que a dor é inevitável e o sofrimento, opcional?Como se trata de uma breve reflexão sobre a dor e o sofrimento, não vou entrar em grandes detalhes. Caso alguém tenha alguma questão ou pergunta que queira fazer, faça nos comentários que tentarei responder da melhor forma possível!

A diferença entre a dor física e a dor psicológica é gritante. Na dor física, o corpo emite uma série de neurotransmissores responsáveis por aliviar os impulsos nervosos da dor – que tem o objetivo de avisar que algo está errado naquele local e impede que você faça algo pior com ele. Assim, se seu pé doi por conta de uma torção, a dor física fará com que você use menos o pé, permitindo que ele se cure naturalmente, enquanto seu cérebro lança neurotransmissores para aliviar essa sensação. Dependendo da intensidade e frequência da dor física, ela até pode ser prazerosa (por conta desses mesmos neurotransmissores), como o prazer da dor do exercício, por exemplo, ou de uma massagem…

Já a dor psicológica provém de sentimentos profundos, de base não física. Sentimos essa dor também no corpo por conta de processos psicológicos como a memória que nos faz relembrar outros momentos onde sentimos dor e nos faz revivier essa dor. A dor psicológica não está associada a nenhum neurotransmissor de prazer, muito pelo contrário: ela está associada a uma diminuição considerável desses neurotransmissores (tanto é que a diminuição crônica deles é considerado critério diagnóstico de depressão).

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Processo de Individuação – Resposta a Julio Ito


Como compreender quem nós verdadeiramente somos?Recentemente resolvi comentar os comentários de meus leitores e tenho visto alguma discussão surgindo nos posts. Mas, de vez em quanto, um comentário fica muito grande, a ponto de eu achar melhor colocá-lo como um post independente. Desta vez, o leitor Julio Ito fez uma pergunta deveras interessante em um post recente, sobre uma questão teórica da psicologia junguiana – ao contrário de outros comentários que não são tão agradáveis assim. Como eu acho que esse assunto é por demais sério para se responder brevemente, resolvi escrever um artigo relatando minha posição.

Julio pergunta sobre o Processo de Individuação e qual literatura eu recomendaria para quem quer saber mais sobre isso. Só que antes que eu possa indicar livros, preciso esclarecer algumas questões – que são resultado das minhas várias leituras sobre o tema. Porque a teoria do Processo de Individuação, a meu ver, é A teoria central da psicologia junguiana, é o ponto principal por onde todos os outros conceitos teóricos orbitam. Então, não adianta simplesmente indicar um ou dois livros, pois, é necessário se ter uma visão do todo para se compreender o que esses livros falam também.

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Epistemologia Junguiana – Psicologia Analítica


Carl JungNa minha disciplina de Epistemologia da Psicologia, um dos grupos fez o trabalho sobre alguns valores e pressupostos epitemológicos da Psicologia Analítica. Como esse grupo fez em formato digital e me enviou para avaliação, resolvi disponibilizá-lo aqui para consulta, para quem se interessar pelo tema. Para quem não conhece, Epistemologia é a teoria do conhecimento, como construímos o conhecimento e como sabemos do conhecimento. Este trabalho ilustra um pouco disso na forma de um cartaz, mostrando alguns dos pontos estudados.

Se gostaram, deixem seus comentários abaixo!

Para melhor vizualização, sugiro acompanhar a apresentação em tela cheia!

Day of the Doctor: As Viagens do Tempo na Mente


Salvem o dia! Dia 23 foi o Day of the Doctor!O último dia 23 de novembro foi o Day of the Doctor, o Dia do Doctor Who. Nesse dia, além da comemoração de 50 anos do seriado de ficção científica mais longo da história, passou no mundo todo e visto por milhões de espectadores na televisão e nos cinemas um episódio especial com a participação de vários dos personagens mais queridos da série.

Nesse mesmo dia, aqui em Curitiba, o grupo de fãs de Doctor Who fez um evento nas Livrarias Cultura do Shopping Curitiba um evento em comemoração ao Day of the Doctor, com palestras, debates e concursos de cosplay. Eu fui um dos palestrantes, com uma palestra muito bem frequentada entitulada As Viagens do Tempo na Mente: Os paradoxos temporais e as implicações para os viajantes. Minha motivação nessa palestra é mostrar um outro ponto de vista – mais psicológico – sobre as viagens no tempo.

Basicamente eu mostrei como o conceitos de Paradoxo Temporal – muito utilizado nas histórias de viagens temporais – acaba sendo carregado de conceitos mentais e subjetivos, mais do que impossibilidades físicas e objetivas. Concluo, com exemplos do Doctor Who, como os problemas de paradoxos de viagens no tempo – diante de todas as hipóteses e teorias – tem mais a ver com a nossa compreensão consciente de tempo e realidade do que com as limitações físicas do universo.

É claro que as viagens temporais físicas serão limitadas pela nossa tecnologia e ciência materiais. Mas, sempre quando nos lembramos de uma experiência antiga, ou quando fazemos projetos para nossa vida, estamos de certa forma viajando no tempo, na nossa memória do passado e no nosso planejamento do futuro! E é sobre essa experiência que falamos quando lemos e experienciamos na ficção as viagens temporais. Os paradoxos são simplesmente os problemas de compreensão das alterações ou de revisitações desses espaços que são – de certa forma – pontos fixos no tempo (para utilizar uma expressão da série inglesa).

Para quem não conhece a série e gosta de ficção científica, recomendo fortemente que assista. Na verdade, nem precisa gostar de ficção científica! A série teve sua estréia na Inglaterra em 1963 e já passou por várias reformulações e até um filme em 1996. Quem quer começar a assistir agora, recomendo pegar o reboot de 2005. E se achar esse começo chato, recomento tentar passar pelos primeiros episódios, até a série realmente engrenar. Depois, fica viciante!

E, para aqueles que não puderam ver minha palestra, ou para aqueles que assistiram mas querem pegar as referências, deixo aqui minha apresentação feita no Prezi.

E para quem conhece inglês, vale a pena assistir a esta animação, para ter um gostinho do que é Doctor Who:

Resumo Essencial: História da Psicologia


Vamos relembrar um pouco da história da psicologia!Estamos chegando no final do ano letivo e preparei para meus alunos de História da Psicologia uma aula de revisão que resume essencialmente todo o conteúdo estudado no semestre. Para deixar as coisas mais dinâmicas e inclusive possibilitar que eles estudem depois para a prova – sem precisar ficar copiando cada linha de texto que passo – resolvi utilizar o Prezi e socializar a aula que preparei. Se existe algum outro aluno de História da Psicologia que queira revisar os principais fatos e nomes dessa ciência, convido-os a visitar esse slide.

Nele, incluí algumas reflexões sobre a história das ideias psicológicas (toda aquelas ideias que fazem referência à psicologia antes de seu nascimento como ciência), a história da psicologia científica e seus principais pensadores, um pouco de contextualização histórico-cultural, a história da psicologia no Brasil e um pouco de como se encontra a Psicologia na atualidade.

Vale lembrar que estou chamando de “Resumo Essencial” porque é justamente isso: um grande resumo com as informações essenciais. Percebi depois que finalizei tudo que não incluí as datas – no máximo, os períodos históricos. Mas, isso reflete um pouco a discussão de que a história vai além de conhecer datas e nomes: ela implica no reconhecimento dos fatos, evidências, contextos culturais e o reconhecimento das personalidades que foram importantes para a história – neste caso, para a história da Psicologia.

E também convido a quem encontrar qualquer problema na apresentação que comente abaixo. Assim posso sempre corrigir e melhorar essa mesma apresentação e deixá-la sempre atualizada para as futuras turmas e para os curiosos em história da Psicologia!

O Ponto de Encontro entre Trabalho, Educação, Tecnologia e Psicologia.


Seminários Epistemológicos UnicentroNo último dia 05 de novembro fiz uma palestra na UniCentro, em Irati, a convite do meu amigo César Rey Xavier em seu primeiro evento Seminários Epistemológicos Unicentro. O objetivo era falar sobre interdisciplinaridade e epistemologia, então preparei uma fala de 40 minutos sobre o tema, amarrando com os pontos que atualmente estou trabalhando: o mundo do trabalho, a educação, a tecnologia e a psicologia.  Para quem é leitor do meu blog, já deve saber mais ou menos o teor dessa conversa. Para quem ainda não conhece, coloco aqui o Prezi que utilizei na apresentação. Adoraria ter gravado ao menos o áudio para disponibilizá-lo aqui, mas estava sem esses recursos tecnológicos na hora. Mas ao menos as ideias estão compreensíveis na apresentação.

O ponto principal que estava defendendo é que não dá mais para percebermos esses campos como sendo isolados, mas sim que sejam híbridos, um misto de todos os campos que apresentam características novas. A interdisciplinaridade pode ser vista a partir das diferentes disciplinas ou então a partir do novo campo criado que é necessariamente híbrido.