Archives for : conhecimento

O que Aprendemos com a Mentira

O que aprendemos com a mentira?Desde quado eu assisti ao filme “O Primeiro Mentiroso” (ou “A invenção da Mentira”, The Invention of Lying, 2009) do comediante inglês Ricky Gervais pela primeira vez, tenho pensado bastante sobre a mentira. Não só nas consequências danosas que percebemos quando nos deparamos com uma mentira, mas sim os motivos que levam as pessoas a mentirem. Em outras palavras, por que as pessoas mentem? O mais legal é que a resposta não é a que a gente mais imagina.

Se perguntarmos por aí “Por que as pessoas mentem?” a maioria das respostas que vão nos dar é “porque as pessoas querem enganar” ou “querem ganhar vantagem” ou até mesmo “porque não gostam de você” ou “porque são pessoas más”. Mas isso não são os motivos que levam as pessoas a mentirem. Isso é o que elas ganham ao mentirem. O motivo é outro e é muito mais simples: as pessoas mentem porque foram ensinadas a mentir. Simples assim.

Continue Reading >>

PsicoLog Podcast 06 – Verdade e Conhecimento

PsicoLog 06 - Conhecimento e Verdade Depois de bastante tempo sem conseguir editar e lançar um episódio do meu podcast pessoal, estou de volta com uma conversa com o Leoardo Mitocôndria (@leonardo2099) sobre Conhecimento e Verdade. Esta conversa surgiu após uma longa gravação do podcast Papo Lendário sobre Conhecimento e Crença, que surgiu após longos anos sem editar uma gravação de outra conversa que tive com Leonardo para o PsicoLog sobre Conhecimento e Ciência. Neste episódio, conversamos sobre o conceito de “verdade” e questões relacionadas a isso, principalmente a conhecimentos que temos como “verdadeiros” simplesmente por não questioná-los, mas quando os questionamos, descobrimos novas coisas, novos caminhos e novas possibilidades. Por isso, sugiro que também ouçam os episódios do Papo Lendário que antecederam esta conversa, para situarem a discussão.

Duração: 59 minutos

 

Comentado neste episódio

 

Mandem E-mails

Mande e-mails e recados de voz para pablo@deassis.net.br com dúvidas, contribuições, elogios, críticas, perguntas, sugestões e qualquer outra coisa que você queira enviar. Toda mensagem será muito bem-vinda!

 

Assinem o feed

Se você quiser, você pode baixar este e todos os episódios do PsicoLog Podcast  assinando o nosso novo feed pelo seu agregador de feeds favorito, copiando o endereço http://pablo.deassis.net.br/category/podcasts/psicologpod/feed/. Caso você tenha o iTunes instalado e quer assinar diretamente no iTunes, basta clicar neste link: itpc://pablo.deassis.net.br/category/podcasts/psicologpod/feed/.

Assine o Feed do PsicoLog Podcast

Carl Jung, sobre Dogma e Ciência

Em tempos de questionamento da prática psicológica, temos que ter certeza em que pé estamos, se do lado do dogma ou do lado da ciência. Fico feliz em poder dizer que eu sempre tento questionar tudo da forma mais clara o possível, tentando manter-me sempre com um olhar científico. Dogmas são inquestionáveis e o conhecimento científico precisa sempre ser questionado.

Deixo aqui um breve recado de Carl Jung sobre o tema:

O dogma, ou seja, uma profissão de fé inquestionável, é estabelecido somente quando o objetivo é eliminar para sempre toda e qualquer dúvida. Mas isso já não tem a ver com os julgamentos de natureza científica, e sim com um desejo de poder.

Se dogmas são posições inquestionáveis que têm a ver com um desejo de poder, como confiar um conhecimento científico em posições que refletem desejos pessoais? É algo a se pensar quando queremos realmente esclarecer as dúvidas do mundo à nossa volta…

Mundo Artificial…

Vamos imaginar por um momento o nosso mundo. Seria ele natural ou artificial? Dizemos que algo é natural porque encontramos na natureza e algo é artificial quando não encontramos e somos nós quem produzimos… Mas e o nosso mundo, já está lá ou fomos nós quem o produzimos?

Artificial (artificialis) é aquilo que segue as regras da arte… Arte é o processo de encaixar, de dar forma (do indo-europeu ar-ti)… Mas dar forma ao quê? (já volto nisso)

A química usa essa diferenciação para denominar elementos naturais e elementos artificiais. Os naturais são aqueles que encontramos livremente na natureza e os artificiais são aqueles que, para existirem, precisam ser criados em laboratório… Geralmente os elementos artificiais são radioativos também…

E podemos ir além, quando falamos por exemplo de Luz natural e Luz artificial. A Luz é a mesma. Se um vagalume brilha, ele tem luz natural. Mas se reproduzimos essa luz de alguma forma, numa lanterna ou vela, ela é uma luz artificial. E por aí vai…

O que diferenciaria o natural do artificial é que o natural pode existir sem intervenção humana enquanto o artificial é uma criação ou algo que existe por intervenção humana… Seria então o humano a linha divisória entre o Natural e o Artificial?

Eu gosto de pensar no humano como o ponto de encontro de várias coisas, como o material e o espiritual, o possível e o impossível, a realidade e a fantasia, entre o céu e a terra (Anthropos em grego significa “aquele que olha para cima”… ou seja, nós humanos com o pé no chão, podemos olhar para o céu e tanto trazê-lo até nós, como irmos até ele. Unimos Céu e Terra)… Enfim…

Também gosto de pensar que tudo que o humano faz é Arte de alguma forma… E daí voltamos à definição etimológica de arte, que seria o ato de encaixar e dar forma… mas encaixar o que à quê? Dar forma ao quê? Talvez às idéias… Talvez Platão não estivesse tão errado assim ao postular um Mundo Ideal… E nós, através de nossas ações, através da Arte, damos forma a essas idéias que são em si incorpóreas. Quando damos forma aos nossos sonhos, fazemos arte… Quando encaixamos no mundo algo que não existe naturalmente mas existe enquanto possibilidade ideal, fazemos arte… Criamos algo artificial…

Nesse caso, a Arte seria algo entre o Real e o Ideal, um Amalgama dos dois… E o humano seria o artifice (aquele que faz a arte), que coloca na realidade algo que antes era pura idéia… Mas acho que o contrário também é possível! Quando colocamos em idéia algo que existe na realidade, fazemos arte também! Quando descrevemos um objeto, quando damos nome a algo, quando contamos sua história, quando narramos mitos sobre a criação do mundo ou sobre a origem dos animais, quando damos idéia a algo que em si não tem idéia (ou ao menos não percebemos ou sabemos que idéia é essa), fazemos arte também, criamos algo artificial!

Todo nosso conhecimento seria artificial, pois nada do que sabemos enquanto idéia de algo realmente “existe”. É tudo criação nossa! Todas as teorias, todas as explicações, toda a lógica, tudo o que falamos sobre o universo seria artificial, pois nada disso realmente “existe” sem a nossa intervenção!

Diante disso tudo, podemos dizer que toda a nossa realidade é artificial, até mesmo o que chamamos de Natural ou Ideal seria, em última análise, artificial. Uma pedra em si não nos diz nada, mas a partir do momento em que dizemos que essa pedra tem tantos anos e foi criada com tais substâncias, e serve para tais propósitos e tem tais propriedades, estamos fazendo Arte. Essa pedra tornou-se artificial. Da mesma forma, uma idéia completamente abstrata como o Amor (ah, o bom e velho amor de todos os exemplos de coisas abstratas), quando tentamos compreendê-lo, damos forma a ele, relacionamos com o coração, com sentimentos orgânicos, com outras idéias, com imagens e poemas, ou seja, o Amor para nós só existe enquanto compreensão nossa de algo que nós fazemso. O Amor só existe para nós enquanto Arte! O Amor seria artificial também…

Isso acontece também com os números, como o 15, que é em si uma idéia pura… mas para compreender um quinze, associamos esse número a grafias de algarismos, a quantidades de objetos, a desenhos e outras imagens… Novamente, o 15 se torna objeto de nossa arte, o número se torna artificial!

Não haveria nada no nosso universo que não fosse artificial! Pois tudo que “existe”, existe enquanto criação nossa, ou como um amalgama entre o real puro (sem intervenção nossa) e o ideal puro (novamente sem intervenção nossa)… E esse amalgama seria, em última análise, pelo menos uma Imagem…

Os latinos chamavam imagem de Imago, que se relaciona a retrato, efige, visão ou idéia de algo… uma representação de alguma coisa. Imaginar seria criar tal representação na mente… Já os gregos chamavam imagem de Eidolon, que deriva de eidos ou forma… Imaginar seria dar forma a algo… Quando eu crio uma pintura, eu dou forma a uma idéia, estou imaginando ela… Em grego, algo que foi criado por esse meio é chamado de poiema, através do processo criativo chamado de poiesis… Nossas criações seriam todas poemas e poesias!

Novamente, tudo o que fazemos tem em si algo de natural e de ideal, sempre usamos o que nos é fornecido pela natureza e pela idéias e com isso criamos um amalgama que é Arte! Nosso mundo é todo arte… E o humano está no meio de tudo, pois é ele que faz a relação entre o Real e o Ideal, entre o Material e o Espiritual, entre o Causal e o Casual, entre o Fato e a Fantasia, enfim, o humano é o amalgama de tudo isso que se encontra a nosso alcance… O amalgama do Real com o Ideal é o humano, que também é o amalgama entre o Material e o Espiritual, que também é o amalgama entre o Fato e a Ilusão… O humano é em si Arte e todo o universo humano é também arte pois também é um amalgama de tudo isso. A pedra também tem matéria e espírito, fato e fantasia, tanto quanto um 15!

Tudo é artificial… Tudo é Arte! E como todos somos feitos da matéria dos sonhos, e nosso sonhos também são arte (talvez eu possa falar mais sobre os sonhos uma outra hora), por associação, Tudo é Sonho! O nosso mundo inteiro é feito por nossos sonhos… talvez seja por isso que podemos tirar tudo de uma pessoa, menos os seus sonhos… pois se tirarmos os sonhos, tiramos o mundo e o seu lugar de existir…

Nosso mundo é feito de arte, nosso mundo é artificial. Nosso mundo é feito de sonhos. Nosso mundo é tudo o que temos e fomos nós mesmos quem o fizemos assim… Uma grande benção para todos! Ou uma enorme maldição, dependendo do ponto de vista… Eu prefiro acreditar que é uma benção… e vocês?

Texto original publicado em 30/05/07