Archives for : doença mental

Psicofármacos, Terapia e o Efeito Placebo

Muito do sucesso da terapia depende de como acreditamos nelaNunca imaginei que um artigo antigo ainda iria retomar tanta discussão. Mas, uma coisa boa daquilo que já foi dito é a possibilidade de revisá-lo e de construir novas ideias e novos argumentos. Tive vários comentários, mas o mais recente me chamou a atenção para outros pontos sobre a relação entre psicofarmacoterapia e psicoterapia que ainda não havia tocado.

O comentário foi da Luciana, que relatou sua história com a depressão e relação com ambos remédio e psicanálise. Ao final, ela conclui que ambos os caminhos são válidos, ao contrário do que defendo – que somente a psicoterapia é suficiente. Seus argumentos são bastante válidos e baseados em sua experiência e, sobre isso, só tenho a dizer que, se funcionou para ela, se esse foi o seu caminho, então ótimo! É difícil encontrarmos o nosso caminho. Mas, lamento informar que isso pouco teve a ver com os remédios tomados e mais a ver com os encontros vividos. Explico. 

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Uma nova rodada para a “Cura Gay”

Como aconteceria a Cura Gay?Diante da notícia do arquivamento do projeto da “Cura Gay”, vemos que as manifestações populares conseguem mostrar para os deputados qual é o desejo do povo e não só de uma minoria. Pela notícia, parece que o Dep. João Campos resolveu arquivar o projeto, mesmo ainda acreditando nele. Mesmo assim, tem muita gente ainda falando sobre isso, principalmente por conta da desinformação. E quem mais está desinformado é o próprio legislativo! Um dia após o arquivamento pelo autor original, o Deputado Anderson Ferreira, do PR-PE – também da bancada evangélica do congresso – reapresentou o mesmo projeto, sem alterações, pois ele sente que isso ainda precisa ser discutido…

Pois bem, vamos discutí-lo! Um pouco tempo depois de eu ter escrito meu artigo sobre o que há por trás da cura gay, é lançado um vídeo do deputado Marco Feliciano onde ele se propõe a falar “tudo da cura gay”. Até aí, acho ótimo ele também esclarecer os pontos que ao público ficaram vagos. E, de fato, ele começa esclarecendo vários deles!

Mas, ao mesmo tempo, ele nos chama a atenção a respeito da “desonestidade intelectual” que a mídia supostamente faz ao manipular a opinião do público a respeito desse projeto de decreto legislativo. Segundo suas palavras, “desonestidade intelectual: quando querem destruir a imagem de alguém e quando querem que as pessoas pensem uma coisa, quando na verdade é outra”. O mais interessante e tudo isso é que quem foi desonesto intelectualmente não foi a mídia – que no máximo pode-se dizer ignorante dos detalhes. Quem foi desonesto intelectual foi o próprio pastor que manipulou a verdade para “destruir a imagem” da mídia e dos psicólogos a respeito da cura gay. Então, vamos por partes…

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A Psicofobia e o Diagnóstico em Saúde Mental

Como devemos tratar quem sofre?Quem me conhece e conhece meu blog sabe que eu defendo encontrarmos alternativas aos tratamentos medicamentosos dos transtornos mentais. Isso porque não acredito na eficácia dos remédios para tratar transtornos mentais. Mas isso acabou trazendo um problema anexo: a psicofobia.

Psicofobia é o medo, preconceito ou repulsa a pessoas que foram diagnosticadas com transtornos mentais. Em outras palavras, se eu mostro indiferença a uma pessoa dita “bipolar” ou à sua condição posso ser chamado de psicofóbico, de não reconhecer seu sofrimento. Mas aqui existe uma diferença entre a condição e seu tratamento ou diagnóstico e infelizmente temos essa grande confusão.

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Problemas Conceituais da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)

Qual o risco das psicoterapias cognitivo-comportamentais?Mais um tema polêmico, mas essa é uma questão que vem surgindo repetidas vezes com meus alunos. Não posso deixar passar. Quem já me ouviu falando sobre isso sabe que eu tenho uma opinião clara sobre isso e até agora não conheci argumentos que pudessem me convencer do contrário. Existem algumas psicoterapias baseadas em aglomerações de técnicas sem fundamento teórico-epistemológico que genericamente são chamadas de “Terapias cognitivo-comportamentias”, que acabam criando uma image distorcida das terapias e teorias cognitivas e comportamentais. Sou contra essa ecletização e aqui poderei expor por quê. Antes de começar a falar, já adianto que sei que haverão muitas críticas dos defensores dessa “pseudoabordagem”, mas já adianto que tentarei responder a essas críticas antes que elas sejam feitas aqui. Outra coisa que devo acrescentar antes de prosseguir é que meu fundamento para tal posicionamento está em questões epistemológicas, metodológicas e políticas relacionadas à psicologia e espero que, caso eu venha a ser criticado, que essas críticas sejam no mesmo nível. Não estou aqui menosprezando nenhum psicólogo específico, muito menos seus pacientes. Somente quero alertar meus leitores para os riscos dessa prática, riscos esses que poucos – ou quase ninguém – conhecem.

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Uma breve história das doenças mentais*

Os transtornos mentais sempre acompanharam a humanidade.Desde que as pessoas se reconhecem enquanto pessoas, existe a percepção de comportamento normal, padrão e comportamento desviante. Em diferentes momentos da história, esses comportamentos desviantes receberam vários nomes e classificações.

Para os antigos, alguns desses comportamentos eram vistos como sinais de deuses, tanto positivos quanto negativos. Alguns casos de esquizofrenia, por exemplo eram vistos como sinais de profetas.

Com a influência do cristianismo na cultura ocidental, esses mesmos comportamentos passaram a ser vistos como sendo negativos e influenciados por demônios. A depressão, por exemplo, dizia-se que era influenciada pelo demônio do meio-dia. Como a Igreja tinha bastante influência na sociedade, essas pessoas eram ou abandonadas por estarem possuídas ou eram levadas a igrejas para serem exorcizadas.

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