Archives for : epistemologia

PsicoLog Podcast 08 – O Futuro da Psicologia: Como as abordagens se relacionam?

PsicoLog Podcast 08 - O Futuro da Psicologia: Como as abordagens se relacionam?No dia 09 de dezembro de 2014 proferi uma palestra no Evento do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Psicologia, a Semana do NEPPSI do curso de Psicologia da Faculdade Dom Bosco entitulado “O universo da psicologia no passado, presente e futuro: como as abordagens se relacionam?” Nessa palestra conversei sobre um problema que incomoda muito vários psicólogos e estudantes de psicologia: como lidar com as várias abordagens e teorias psicológicas, principalmente levando em consideração o futuro dessa disciplina?

Para quem não é da área e ou conhece pouco dos bastidores da psicologia, ela é uma ciência atípica pois não existe nenhum concenso com relação a qual é seu objeto de estudo e método preferencial. Apesar de se entitular uma ciência, ela se diferencia das demais ciências justamente por sua fraqueza nas definições de seus temas principais. Temos então várias propostas, chamadas genericamente de “abordagens teóricas” que são, como o nome sugere, formas de abordarmos esse problema. Infelizmente – ou felizmente, depende do ponto de vista – não temos uma perspectiva com relação à clareza dessa definição.

Nesta palestra eu converso um pouco sobre isso e exponho alguns arumentos históricos e epistemológicos a respeito disso, ilustrando como o passado dessa ciência consegue nos mostrar os motivos de termos nosso presente da forma como o temos. Ao mesmo tempo, podemos estudar tudo isso para tentarmos compreender o nosso futuro – e é essa a mensagem final que tento apresentar na palestra que trago aqui para o PsicoLog Podcast.

Duração: 53 minutos

Comentado no Episódio

 

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O Valor de uma Psicoterapia: Teoria Vs. Prática – Resposta a Joustou

Qual seria a chave da compreensão da psicoterapia: a teoria ou a prática?Mais um comentário que traz um debate interessantíssimo e extremamente relevante para compreendermos as bases de uma prática psicoterapêutica. A final de contas, o que dá o valor a essa prática, sua base epistemológica ou seus resultados práticos? O leitor Joustou traz essa provocação no seguinte comentário:

Ao ler o post, mesmo sendo antigo, eu como estudante de psicologia tive um insight: a psicologia se importa mais com debates epistemológicos, isto é, uma posse do conhecimento sobre a subjetividade humana, do que nos seus resultados práticos. Se o terapeuta consegue auxiliar o indivíduo em seus problemas, o conduzir ao autoconhecimento e uma vida mental mais saudável, que diferença faz se o ser humano é determinado pelo ambiente, pelo inconsciente, pela cognição, se busca a autorrealização, se é produto de uma sociedade ou de um tempo histórico? A psicologia por ter como objeto de estudo a subjetividade humana, em suas discussões teóricas parecem mais com uma discussão filosófica, tal, como por exemplo, a natureza do ser, que é questionada desde os gregos, mas que de valor prático nada tem. Quando se pensa no valor prático da psicologia, seja na clinica, na empresa, seja na escola, as teorias devem tornar-se técnicas empregadas para o alcance de algum objetivo, e seja o seu teórico de referencia FREUD, JUNG, SKINNER, ROGERS, BECK, VIGOTSKY,PIAGET,o que importa sim é o resultado. São os resultados práticos que devem justificar a teoria explicativa, e não a teoria justificar o por que o seu emprego prático deve funcionar e as outras não.

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A Psicologia e os Modelos de Conhecimento: reflexões sobre depressão e farmacologia

Como será que diferentes pensamentos sobre psicologia podem conversar?Devo admitir que a repercusão de algumas ideias vai mais além do que imaginava, mas isso é algo bom! Algumas ideias realmente são difíceis de serem compreendidas e eu trabalho bastante com elas. Por muitas vezes meus alunos demonstram dificuldades em compreender algumas questões diferentes, justamente por partir de modelos de conhecimento que não estamos acostumados. E isso pode trazer vários problemas para a compreensão geral das discussões.

Trabalho com psicologia analítica, psicologia existencial e fenomenologia, além de estudos de fenomenologia da imaginação e estudos do imaginário, o que implicam em uma série de pensamentos e formas de pensar que diferem bastante das formas tradicionais de pensamento e de conhecimento. É isso que me refiro quando falo em um “modelo de conhecimento”. E existem vários modelos diferentes que pegamos de “empréstimo” para servir para a nossa forma de conhecer o mundo. 

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Epistemologia Junguiana – Psicologia Analítica

Carl JungNa minha disciplina de Epistemologia da Psicologia, um dos grupos fez o trabalho sobre alguns valores e pressupostos epitemológicos da Psicologia Analítica. Como esse grupo fez em formato digital e me enviou para avaliação, resolvi disponibilizá-lo aqui para consulta, para quem se interessar pelo tema. Para quem não conhece, Epistemologia é a teoria do conhecimento, como construímos o conhecimento e como sabemos do conhecimento. Este trabalho ilustra um pouco disso na forma de um cartaz, mostrando alguns dos pontos estudados.

Se gostaram, deixem seus comentários abaixo!

Para melhor vizualização, sugiro acompanhar a apresentação em tela cheia!

O Anacronismo das Ciências Humanas

O tempo passa, mas os pensamentos continuam os mesmos...Estudo e leciono história e epistemologia há alguns anos. E sinceramente, estou ficando cansado das teorias baseadas em pensamentos do século XIX regendo as práticas cotidianas, sociais e políticas do século XXI. Já progredimos e evoluímos muito desde essa época do início da revolução industrial, mas nossa filosofia, sociologia, psicologia e ciências humanas de forma geral ainda se baseiam em pensamentos dessa época. Muita coisa já mudou nas nossas organizações pessoais, já passamos por muitas crises e tivemos muitos experimentos para saber que esses modelos de ciências humanas também precisam passar pelos mesmos processos.

As ciências naturais conseguiram evoluir com suas pesquisas. A física de hoje já não é a mesma do século XIX. A biologia talvez seja a ciência que melhor conseguiu evoluir – talvez por usar a evolução como um dos mais importantes pressupostos. A química o tempo todo está fazendo novas descobertas e mudando até mesmo a forma de compreendermos a sociedade. E por que ainda queremos usar, para embasar as ciências humanas, as ideias do século XIX?

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Há 138 anos nascia Jung…

Carl Jung na revista TimeHá 138 anos, nascia o jovem Carl Gustav Jung, em 26 de julho de 1875, na cidade suiça de Kesswil, no cantão da Basiléia. De lá para cá, muita coisa mudou na história da psicologia e na história do mundo e muitas dessas mudanças foram graças a esse homem. Taxado como místico por muitos, ele buscou um pensamento científico diferente, olhando para as excessões mais do que para as regras, buscando integrar todas as experiências humanas, inclusive a espiritualidade e a arte.

Por muito tempo, a ciência se fechou para diversos fenômenos – ditos ocultos – e preferiu olhar para uma realidade mais material, paupável. Jung, ao contrário, reconhecia que existe uma dimensão metafísica da experiência humana e que até a materialidade do mundo é metafísica, pois a única natureza de experiência direta é a experiência da psique humana, de sua alma. Tanto a matéria quando o espírito nos são experiências mediadas e não imediatas. A matéria conhemos através das impressões dos cinco sentidos, enquanto o espírito só podemos conceber através da nossa razão. Ignorar um lado em detrimento do outro sempre pareceu para Jung como reduzir a experiência humana. E isso era algo que ele não concebia.

O mais interessante é que, para poder dar conta desses dois lados, Jung percebeu que a psique humana se utiliza das imagens e de processos criativos e espontâneos – os mesmos processos utilizados por artistas. Dessa forma, gosto de dizer que Jung – mais do que um cientísta – foi um grande artista da psique humana, sem nunca abrir mão de sua postura crítica, analítica e – principalmente – empírica.

Por conta de seu aniversário, encontrei este vídeo que resume bem os principais pontos de sua vida e sua obra. E quero compartilhá-lo aqui! Espero que assim consigamos aprender um pouco mais sobre esse pensador e sobre suas ideias…

Qualquer comentário, sintam-se à vontade para colocarem abaixo.

Resposta ao Dr. Hélio

Resposta a um comentário deixado no meu blogGeralmente não respondo os comentários deixados em meu blog – somente alguns que merecem minha atenção. Deixo os comentários abertos para que meus leitores discutam e não gosto de encerrá-los com minhas ideias: prefiro deixá-las aberta para o benefício e discussão de todos. Mas leio todos, inclusive uso-os para ter ideias de novos artigos.

Porém, hoje recebi um comentário em meu blog no artigo que mostrava os riscos da terapia cognitivo-comportamental que veio carregado por algumas acusações relativamente pesadas. Por isso, dou-me ao direito aqui de responder cada um dos pontos levantados, mas antes gostaria de levantar alguns pontos sobre o meu texto que acredito foram ignorados pela leitura de meu crítico, o Dr. Hélio.

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Logoslogia

Uma rosa por outro nome ainda seria uma rosa?Uma das questões que mais me incomoda quando falamos sobre ciência é sobre a definição e origem dos diferentes nomes das ciências. Muitas pessoas acham que o nome é irrelevante, pois “uma rosa sob outro nome teria o mesmo perfume”, como disse Shakespeare em Romeu e Julieta. Essa inclusive é uma discussão no livro O Nome da Rosa, de Umberto Eco. Mas o nome é importante sim, principalmente para saber diferenciar e identificar as coisas.

Durante muito tempo, os nomes eram vistos como extensões da alma. Tanto é que atribuir um nome a algo era atribuir uma alma a isso. Não é à toa que no relato bíblico da criação do mundo Deus dá ao homem a tarefa de dar nome aos animais. Dessa forma, não só os animais poderiam ser identificados, mas também o homem seria como Deus, pois ele estaria atribuindo alma e sendo criador também. E, ao negligenciarmos os nomes, estamos negligenciado a alma das coisas, sua essência.

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