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Psicofármacos, Terapia e o Efeito Placebo

Muito do sucesso da terapia depende de como acreditamos nelaNunca imaginei que um artigo antigo ainda iria retomar tanta discussão. Mas, uma coisa boa daquilo que já foi dito é a possibilidade de revisá-lo e de construir novas ideias e novos argumentos. Tive vários comentários, mas o mais recente me chamou a atenção para outros pontos sobre a relação entre psicofarmacoterapia e psicoterapia que ainda não havia tocado.

O comentário foi da Luciana, que relatou sua história com a depressão e relação com ambos remédio e psicanálise. Ao final, ela conclui que ambos os caminhos são válidos, ao contrário do que defendo – que somente a psicoterapia é suficiente. Seus argumentos são bastante válidos e baseados em sua experiência e, sobre isso, só tenho a dizer que, se funcionou para ela, se esse foi o seu caminho, então ótimo! É difícil encontrarmos o nosso caminho. Mas, lamento informar que isso pouco teve a ver com os remédios tomados e mais a ver com os encontros vividos. Explico. 

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O Problema da Medicalização da Vida

Será que precisamos de remédios para tomar as nossas decisões de vida?Quem me conhece sabe que sou contra uma série de coisas. Uma delas – e talvez aquela com a qual estou atualmente debatendo e estudando – é o problema da medicalização. Entendemos por isso todo o processo de tornar médicos os nossos problemas da vida normais. O que isso quer dizer? Que tudo aquilo que antes eram sofrimentos, problemas e angústias agoram passam a ser doenças tratáveis através de remédios e tratamentos médicos.

Isso pode parecer uma coisa boa, já que podemos, através de pílulas, resolver nossas angústias e crises, mas na real isso é um grande tiro no pé. A medicalização acaba por se apresentar como um problema maior do que sua suposta solução. E, ao final de tudo, junta-se uma grande questão que precisa ser re-pensada, ou seja, pensada várias e várias vezes: qual o limite que demarco para o uso de drogas para controlar o meu comportamento?

Drogas que controlam o comportamento?

Sim. Os remédios psiquiátricos possuem efeitos muito semelhantes às drogas ilegais como cocaína ou heroína. Vamos, neste momento, falar basicamente dos remédios psiquiátricos, se bem que esta discussão pode servir para o abuso dos outros remédios – e os problemas da auto-medicação.

Hoje em dia muita gente utiliza remédios prescritos por psiquiatras e outros médicos com efeitos antidepressivos (para controlar a depressão) ou ansiolíticos (para controlar ansiedade). Outros ainda tomam remédios mais fortes como antipsicóticos (para controlar surtos de psicose) e anticonvulsivantes (para controlar convulsões epiléticas) para controlar comportamentos mais fortes como compulsões ou alterações forte se humor. A grande questão que se coloca aqui é a utilização de fármacos ou remédios para o controle de comportamentos indesejados. Mas é interessante descobrir de onde veio tudo isso…

Este texto, por ser muito grande, foi dividido em várias postagens, mas recomenda-se que todas elas sejam lidas. Por isso deixarei aqui um breve índice desses textos:

1- O problema da medicalização da vida

2- Uma breve história dos psicofármacos

3- Os efeitos dos medicamentos na vida

4- O uso dos psicotrópicos e a sociedade

Peço que, antes de criticarem, tentem ler todos os argumentos até o final. Sei que é bastante coisa, mas precisamos de todas as informações possíveis para sabermos do que estamos falando, não só da nossa opinião e experiência individual.

Crônica de uma Morte Anunciada

Já faz algum tempo que o nosso amigo Eduardo Moreira vem anunciando a morte de seu podcast, o Podcast de Eduardo Moreira. Diz ele que ele iria suicidar seu podcast e anunciou a data: 31 de dezembro de 2008. E ele cumpriu o prometido. Anunciou a morte de seu podcast, mas não para parar com o podcasting, mas sim para iniciar DOIS novos projetos. Ele mata um podast e cria dois podcasts. Mais sobre isso, vocês podem ler no próprio Blog de Eduardo Moreira ou em seu Drops.

O que eu gostaria de comentar aqui é sobre o anúncio da morte do podcast. São poucas as mortes anunciadas. Uma delas são as mortes feitas através da Pena Capital em países que se utilizam desse sistema bárbaro de punição que não serve pra nada. Outras são as cartas de suicídio que descrevem como e quando o suicida irá ser seu próprio algoz.

Mas é interessante o anúncio de uma morte e a consequência dela. Geralmente, um suicídio não é aceito. Fato. A medicina trata a ideação suicida (a idéia de suicídio ou de morte) como um sintoma clínico da depressão, por exemplo, sintoma tal que deve ser tratado. Tive pacientes que foram internados por psiquiatras por falarem de idéias de morte e suicídio com eles. A sociologia trata o suicídio como algo epidemiológico. O primeiro estudo sociológico sobre suicídio foi feito por Durkheim onde ele mostra que a grande quantidade de suicídios faz com que ele seja um problema epidemiológico e sociológico também. A religião trata o suicídio como um pecado mortal, como algo que não podemos fazer, pois Deus nos deu a vida e nós não podemos tirá-la. Podemos inclusive falar no aspecto jurídico, pois todos temos o direito à vida e não direito sobre a vida.

É muito difícil falarmos sobre o suicídio ou aceitarmos ele. Mas uma coisa é certa: as coisas morrem. Todos morreremos. E por que não podemos falar ou pensar sobre a nossa morte? Eduardo Moreira fez isso. E ao fazê-lo, reiterou que dia 31 de dezembro de 2008 seria o último dia que poderíamos fazer a piada que ele é “Eduardo Moreira, do Blog de Eduardo Moreira, do Podcast de Eduardo Moreira, do Gengibre de Eduardo Moreira, da casa de Eduardo Moreira”… E agora ele pode estar certo. Não mais poderemos fazer essa piada. MAS, poderemos fazer outras piadas! Como dizer que “Ele é Eduardo Moreira, do Eduardomoreira.net, do finaldo Podcast de Eduardo Moreira, do Antigo Gengibre de Eduardo Moreira e agora simplesmente Drops, ainda da casa de Eduardo Moreira”, etc…

hehehe

O tempo passa, as mortes vêm para trazer mudanças (no caso do Eduardo Moreira, morreu um podcast para nascer dois, o FeedbackNews Podcast e o TargetHD), mas algumas coisas continuam para sempre. Eduardo Moreira, você sempre será lembrado por quem você é, foi e será! Seu nome será lembrado por muito tempo! E boa sorte nos seus (e nossos) novos projetos!