Archives for : política

Ainda estamos dormindo e não vamos acordar tão cedo…

Venha para o Brasil, disseram... Será legal, disseram...Com o risco de parecer conspiracionista, preciso esclarecer algumas questões que percebo do que vejo das recentes manifestações no Brasil. E aproveitar para fazer um breve resumo de tudo o que venho pensando ultimamente.

Admito que inicialmente via tudo isso como manifestações populares legítimas, baseadas em críticas reais sobre a forma como o Brasil estava sendo condizido. A final, eu também sou contra a realização da Copa do Mundo em 2014, considerando que não temos infra-estrutura social para isso. Eu também estou de saco cheio da roubalheira, da corrupção dos mandos e desmandos do governo e dos parlamentares.

E quando o povo começou a tomar as ruas incentivados pelo aumento do ônibus, eu achei uma iniciativa bem interessante. E quando a polícia começou a reagir com medo – pois aquelas agressões gratuitas que vimos só pode ser fruto do medo – eu vi legitimidade. Principalmente quando a bandeira levantada era “Não são só vinte centavos”.

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Os Bodes Expiatórios e os crimes da sociedade

Culpamos o bode pelos nossos errosOutro dia estava comentando em sala de aula que temos uma cultura do bode expiatório, onde queremos encontrar um culpado pessoal para os problemas da sociedade. Na tradição original do “bode expiatório” na grécia, os pharmakos eram pessoas escolhidas por uma cidade para que elas levassem consigo os crimes e pecados da cidade e eram castigadas com o pior dos castigos da época: o Ostracismo, ou seja, eram banidas da cidade, perdiam a cidadania e nunca mais podiam voltar.

Para entendermos o quão grave era isso para eles, naquela época, vida em cidade era mais importante que vida individual, tanto é que cidades inteiras eram castigadas, como aconteceu com Sodoma e Gomorra, na bíblia ou ainda no mito de Édipo com a cidade de Tebas. Viver sem cidade era viver sem identidade.

Na tradição bíblica, todo pecado – seja ele da cidade ou do indivíduo – precisava ser pago com a morte. Eles resolveram que, ao invés de matar o pecador, essa pessoa sacrificaria um bode que morreria pelo pecado da pessoa e assim o mandamento de que todo pecado seria pago com a morte estava sendo cumprido. O cristianismo modifica isso pois eles aceitam o sacrifício de Jesus como sendo o sacrifício definitivo para todo o pecado do mundo, então a partir daí, ninguém mais precisa morrer por conta do pecado.

Então temos aí um padrão mítico, do mito do bode expiatório, onde uma pessoa acaba se responsabilizando – ou levando a culpa – pelo grupo: uma pessoa pagando pelos crimes e erros de um grupo todo. E, por mais que isso pareça algo de uma mentalidade antiquada, esse é o padrão que eu mais vejo pelo mundo atualmente, o que nos diz que nós temos ainda uma mentalidade antiquada.

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Momento de crise na Educação Brasileira

A educação no Brasil está em criseTentei ser politicamente neutro durante as eleições. Mas agora não adianta mais. O Brasil foi enganado pelos governantes eleitos, e resolvi não mais me manter calado. Irei criticar quem merece ser criticado e mostrar para aqueles que me leem os problemas dos atuais governantes que nós mesmo elegemos não faz nem um ano. E o maior problema que vejo é na educação.

Os governantes mentiram dizendo que iriam investir em educação. Isso não aconteceu. O governo atual NÃO TEM INTERESSE EM EDUCAR. Não adianta que governistas e petistas e dilmistas venham tentar me provar o contrário, mostrando promessas e projetos. Os fatos mostram o contrário. Aceitem. Todos fomos enganados pela promeça de renovação da primeira presidenta do Brasil. Não vou nem fazer referência aos quatro ministros de Dilma que cairam desde o começo do ano por denûncias de corrupção – nem mensionar que esses quatro ministros, concidentemente, foram quatro dos ministros que trabalhavam com Lula.

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Um pouco sobre o perfil dos eleitores brasileiros

“Cada povo tem o representante que merece.”

Perfil do eleitor brasileiroAté este momento, tentei manter-me isento na hora de falar de política, pois não queria parecer estar fazendo propaganda política ou defesa, apologia ou ataque a nenhum partido ou ideologia. Quem me conhece, sabe que eu tenho meus pontos de vista, minhas ideologias e minhas preferências partidárias, mas meus leitores não precisam ser induzidos a eles. Eu acredito que as escolhas políticas devem ser pessoais e críticas, por isso só aponto a forma, o contexto e espero que as pessoas saibam escolher.

E qual a importância de se saber escolher? Ao menos, os representantes do executivo irão exercer políticas que influenciarão a todos por quatro anos, tempo suficiente para se fazer um curso superior, por exemplo. Alguns podem não estar nem aí, pensando que ou seu voto não vale para nada ou os candidatos não servem para nada. Então essas pessoas ajudam a se propagar uma má administração pública por pelo menos mais quatro anos.

O pior não são nem essas pessoas, mas aquelas que não sabem votar para o legislativo. Talvez pela forma como as propagandas políticas são feitas, mas parece que ninguém sabe escolher candidato a deputado e senador. Se escolhem, não se lembram depois em quem votou. A importância dada é baixíssima, já que seu candidato, se eleito, compartilhará um espaço com outros 500 deputados eleitos e sua atuação irá depender de acordos partidários ou de força de bancada. Então o eleitor escolhe qualquer um e geralmente, acaba escolhendo ou um número qualquer. Isso mesmo:  deputado vira um simples número que pode ser sorteado aleatoriamente.

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A importância do 2º turno nas eleições

DebateO mais importante em um processo democrático de eleições é o debate. Sem o debate, não temos como saber de fato quais são as propostas e  – principalmente – como é o pensamento do candidato e se ele é preparado para governar. É claro que isso acontece melhor com os cargos maioritários de senador, governador e presidente. Para os deputados estaduais e federais, o melhor é a variedade de opiniões presentes, contanto que tenham consistência com aquilo que você acredita.

Mas o debate que estou falando não é o da televisão, mas o do dia-a-dia, aquele que vemos nas ações dos candidatos e nas relações que mantêm com o povo. Durante as campanhas, nós vemos o que a mídia nos mostra e os debates dos candidatos na televisão e internet. Mas e os debates das pessoas?

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Não existe voto útil, só eleitor mal informado

Como votar?Em épocas de eleição, vale a pena escrever sobre isso, pois em qualquer outro momento do ano esse tipo de conversa fica deslocada e corre o risco de se perder no vazio.

Existem vários temas falados pelas pessoas sobre as eleições em si – sem entrar no mérito dos candidatos (irei tratar sobre isso em outro post) – que são mais desinformações do que informações. Vou aqui fazer a minha parte para ajudar nisso. Sei que a quantidade de leitores do meu blog não é suficiente para ser um grande formador de opinião, mas se eu conseguir mostrar isso a pelo menos um pequeno grupo de pessoas que poderá repassar essa informação, sentirei-me satisfeito.

Uma das questões que mais me incomoda quando ouço pessoas falarem sobre eleições é a tal questão do “voto útil”, ou seja, o voto da pessoa tem que valer pra alguma coisa, por isso ela vota em quem tem mais chances de ganhar. Temos aqui dois problemas sérios: o primeiro deles é que a escolha acaba ficando desproporcional à vontade da população e caímos no risco de escolhermos diretamente um candidato que não queremos.

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Por que não comemoro o Dia Internacional da Mulher

O mundo todo fica todo florido hoje, dia 8 de março. Muitos votos de felicidade para as mulheres, pois a final, hoje é o Dia Internacional da Mulher! Mas eu não comemoro esse dia. Eu não desejo a nenhuma mulher nada pelo dia de hoje. Eu acho isso uma incrível e tremenda hipocrisia. Por quê? Bem, porque eu me perguntei há algum tempo, “por que se comemora o dia internacional da mulher”? E a resposta abriu meus olhos.

Tudo começou com a industrialização do mundo. O trabalho começa a migrar do campo e do artesanato pras fábricas e indústrias. Como tudo era muito novo, o foco dos industriários era o trabalho e a produção e pouco se pensava sobre o trabalhador. A final, o trabalhador já estava “acostumado” a ser mal tratado nos campos e nas produções artesanais onde era empregado (ou praticamente escravo com pouco pagamento).

Nessa época, final do século XIX, início do século XX, todos trabalhavam, homens, mulheres, jovens, velhos, crianças. As contas eram muitas e o pagamento era pouco. Se a pessoa tinha a mínima condição física de trabalhar, ela trabalhava. Crianças de 4 anos estavam nos chãos de fábrica e idosos com mais de 60 também. Homens e mulheres trabalhavam com certa igualdade, mas é claro que a mão-de-obra masculina ainda era mais valorizada, pelo simples motivo que o mundo era machista e entendia que o homem tinha mais força física, maior inteligência e mais resitência para aguentar o trabalho das fábricas. Mas mesmo assim as mulheres trabalhavam.

Nessa época começaram os primeiros movimentos feministas ou de valorização (e muitas vezes exagerado, temos que reconhecer, mas talvez necessário) do trabalho da mulher. Muitas mulheres protestavam nessa época tentando ter mais direitos enquanto trabalhadoras. Muitas morreram tentando isso em vários protestos. Reza a lenda que várias delas foram trancadas dentro de um prédio de uma malharia com início de incêndio e foram queimadas vivas. Muitas outras morreram pisoteadas nas manifestações ou nas mãos dos policiais que tentavam conter as coisas.

Esses grupos feministas, com o apoio dos partidos comunistas e socialistas do mundo todo, elegeram o dia 8 de março como o dia internacional da mulher devido a uma manifestação onde várias mulheres morreram, para reconhecermos nesse dia o valor da força da mulher no trabalho. E conseguiram. Em Copenhagen, em 1910, esses grupos feministas e socialistas organizaram uma conferência que declarou dia 8 de março como o dia internacional da mulher.

Esse dia foi comemorado nas décadas de 1910 e 1920, mas depois esfriou, até a década de 1960 quando, durante a guerra fria, ele voltou a ser comemorado. E 1975 a ONU declara como o Ano Internacional da Mulher e começa a patrocinar a comemoração do Dia Internacional da Mulher. E parece que deu certo. Nos anos ’80, o trabalho das mulheres começa a ser mais valorizado e muitas começam a ter lugares de privilégio nos trabalhos, gerência e até mesmo presidência.

Mas hoje em dia isso tudo só passa como desculpa para se vender flores e chocolates e batons e cosméticos. Virou comercial, como tudo. Hoje, o Dia Internacional da Mulher só significa que as lojas de produtos femininos vão vender um pouco mais, que as floriculturas também. Hoje, quando falamos do Dia Internacional da Mulher, não pensamos na luta pela valorização das mulheres. Além disso, estamos comemorando o martírio de várias delas com flores e chocolates. COMEMORAMOS o Martírio de Mulheres! Isso não é meio estranho para um dia que deveria ser de valorização?

E outra. Hoje em dia, sinceramente, isso parece estar meio datado. As mulheres já conseguiram o que queria e se igualaram aos homens. Já podem usar calças, não precisam mais ter filhos para serem alguém na sociedade e podem trabalhar o quanto quiserem, falar grosso e beber cerveja, como todas as outras pessoas. Era isso que as mulheres queriam, né? Se tornarem iguais aos homens. Tá, e agora que conseguiram, querem ter um dia para que os homens se lembrem disso. E enquanto os outros 364 dias? Bem, esses ficam para os homens, né? Já que só existe um dia internacional pra mulher, os outros dias são para os homens!

Acho uma tremenda hipocrisia isso. Se conseguimos valorizar as mulheres e idenficá-las como iguais, precisamos então diferenciá-las com um dia exclusivo? Pode parecer #mimimi de homem querendo também ter um dia de valorização do homem, mas não é. Sinceramente, não gosto dos homens e prefiro muito mais as mulheres, mas mesmo assim, enquanto psicólogo, sou forçado a reconhecer que o século XXI será das mulheres enquanto os homens entram em crise. Estamos vivendo uma crise da masculinidade apontada por vários pesquisadores hoje em dia.

Os homens já não sabem mais qual é o seu lugar na sociedade. Muitos, que foram criados para o trabalho, hoje cuidam das casas, dos filhos, enquanto as mulheres trabalham. Os homens, que eram proibidos de brincarem de casinha, hoje fazem isso de verdade. E frente a isso se sentem impotentes para fazer qualquer outra coisa, impotentes para dizerem não às mulheres e com isso se tornam impotentes diante das mulheres. E não respondem como os homens são supostamente esperados a responder na cama (ou em qualquer outro lugar). As mulheres então correm atrás de outros homens e os homens atrás de outras mulheres que não os precionem tanto. Casamentos acabam devido a isso. Famílias são destruídas por causa disso. Homens que não se sentem homens buscam isso na violência, no alcoolismo, nas drogas, nas brigas, batendo nas mulheres e nos filhos. Homens só precisam bater nos outros  para diminuir o outro e se sentir maior. Violência familiar acontece principalmente porque os homens não sabem mais qual é o seu lugar e procuram isso através da única forma que sabem: violência, a mais primitiva busca pelo poder.

É claro que a crise da masculinidade não tem nada a ver com o Dia Internacional da Mulher. Mas, sinceramente, diante desse mundo onde vivemos, e diante de tudo isso, vale a pena comemorar o Dia Internacional da Mulher? Será quem em pleno Século XXI vale a pena comemorar o massacre e o martírio de mulheres no início do século XX com flores e chocolates e tiras cor-de-rosa? Vale a pena trazer a feminilidade à tona, a delicadeza das mulheres, a beleza e a sutileza do “sexo frágil” sendo que elas hoje em dia estão muito mais fortes do que os homens? Será que temos que ser hipócritas o suficiente para dar um dia para as mulheres, darmos os parabéns por elas não terem pênis e sangrarem todos os meses com direito a cólicas e dores de cabeça, só para que o resto do ano a gente possa ter a desculpa pra não fazer isso?

Me desculpem as mulheres, mas de mim vocês não vão ouvir hoje nenhum voto de parabéns ou felicidades. Mas saibam que de mim vocês vão ter durante os 365,25 dias do ano todo o respeito e valorização que vocês merecem. Não preciso de um decreto de um dia internacional pra reconhecer o quanto adoro as mulheres e o quanto eu quero sempre tê-las comigo.