Archives for : Psicologia

Um pouco mais sobre a psicologia

Seguindo ainda a onda do Dia do Psicólogo, vale a pena colocara aqui um pouco da minha visão do que é a psicologia. Talvez uma das pessoas que melhor traduziu isso em palavras foi Carl Jung. Toda sua obra é uma ode à psicologia, mas como não tenho como colocá-la aqui, selecionei um breve trecho que ilustra o que quero dizer:

Existem coisas que ainda não são verdade, ou que hoje ainda não podem ser aceitas como verdade, mas amanhã talvez possam sê-lo. (…) O que singulariza o caminho aqui descrito é em grande parte a certeza de não podermos continuar recorrendo unicamente ao ponto de vista científico-intelectual, mas de que o nosso compromisso também compreende todo o lado do sentimento, isto é, a totalidade das realidades contidas na alma — já que lidamos com uma psicologia fundada na vida real e que age sobre a vida real. Nesta psicologia prática, não se trata da alma humana universal, mas de homens e mulheres individualizados, cada qual com uma variedade de problemas que os aflige diretamente. Uma psicologia que satisfaz somente ao intelecto por si só nunca será capaz de abranger a totalidade da alma. Quer queiramos, quer não, mais cedo ou mais tarde o fator cosmovisão terá que ser levado em conta, porque a alma está em busca de sua totalidade.

Eu vejo a psicologia como uma ciência, mas ela vai além. Ela precisa ir além do ponto de vista científico-intelecutal, pois esse possui limites, mas a vivência humana não. E a psicologia precisa compreender essa vivência por completo sem reduzi-la às suas teorias científicas. Elas são extremamente importantes, sem dúvida, e essenciais para uma boa prática e conhecimentos psicológicos. Mas a psicologia vai além e precisa ir além disso. Ela precisa reconhecer a totalidade das experiências humanas – que chamamos de alma, por isso psicologia – e possibilitar sua compreensão e vivência plenas. Como diz Jung, “quer queiramos, quer não, mais cedo ou mais tarde, o fator cosmovisão terá que ser levado em conta, porque a alma esta’em busca de sua totalidade”…

Carl Jung, sobre a totalidade da psicologia...

Esta frase foi retirada do livro Psicologia do Inconsciente, de Carl Jung.

Jiddu Krishnamurti e a Revolução

Em tempos de revolução social, acho interessante vermos um outro lado da história. Jiddu Krishnamurti é um psicólogo indiano que revolucionou muito do pensamento oriental e ocidental e é relativamente pouco conhecido por estas bandas. Tentarei aos poucos trazer alguns fragmentos de seus pensamentos, para servir de base para nossas reflexões.

Esta de hoje é sobre a revolução. Estamos tentando acordar para as realidades sociais, para as mudanças políticas e para a revolução do povo, muitas vezes através de atos violentos. Porém, a verdadeira revolução começa com cada um. Somente quando cada um mudar é que poderemos ver a mudança na sociedade.

A verdadeira revolução não é revolução violenta, mas a que se realiza pelo cultivo da integração e da inteligência de entes humanos, os quais, pela influência de suas vidas, promoverão gradualmente radicais transformações na sociedade. --Jiddu Krishnamurti (1895-1986)

O que realmente está por trás da “Cura Gay”…

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Ainda estamos dormindo e não vamos acordar tão cedo…

Venha para o Brasil, disseram... Será legal, disseram...Com o risco de parecer conspiracionista, preciso esclarecer algumas questões que percebo do que vejo das recentes manifestações no Brasil. E aproveitar para fazer um breve resumo de tudo o que venho pensando ultimamente.

Admito que inicialmente via tudo isso como manifestações populares legítimas, baseadas em críticas reais sobre a forma como o Brasil estava sendo condizido. A final, eu também sou contra a realização da Copa do Mundo em 2014, considerando que não temos infra-estrutura social para isso. Eu também estou de saco cheio da roubalheira, da corrupção dos mandos e desmandos do governo e dos parlamentares.

E quando o povo começou a tomar as ruas incentivados pelo aumento do ônibus, eu achei uma iniciativa bem interessante. E quando a polícia começou a reagir com medo – pois aquelas agressões gratuitas que vimos só pode ser fruto do medo – eu vi legitimidade. Principalmente quando a bandeira levantada era “Não são só vinte centavos”.

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Resposta ao Dr. Hélio

Resposta a um comentário deixado no meu blogGeralmente não respondo os comentários deixados em meu blog – somente alguns que merecem minha atenção. Deixo os comentários abertos para que meus leitores discutam e não gosto de encerrá-los com minhas ideias: prefiro deixá-las aberta para o benefício e discussão de todos. Mas leio todos, inclusive uso-os para ter ideias de novos artigos.

Porém, hoje recebi um comentário em meu blog no artigo que mostrava os riscos da terapia cognitivo-comportamental que veio carregado por algumas acusações relativamente pesadas. Por isso, dou-me ao direito aqui de responder cada um dos pontos levantados, mas antes gostaria de levantar alguns pontos sobre o meu texto que acredito foram ignorados pela leitura de meu crítico, o Dr. Hélio.

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Logoslogia

Uma rosa por outro nome ainda seria uma rosa?Uma das questões que mais me incomoda quando falamos sobre ciência é sobre a definição e origem dos diferentes nomes das ciências. Muitas pessoas acham que o nome é irrelevante, pois “uma rosa sob outro nome teria o mesmo perfume”, como disse Shakespeare em Romeu e Julieta. Essa inclusive é uma discussão no livro O Nome da Rosa, de Umberto Eco. Mas o nome é importante sim, principalmente para saber diferenciar e identificar as coisas.

Durante muito tempo, os nomes eram vistos como extensões da alma. Tanto é que atribuir um nome a algo era atribuir uma alma a isso. Não é à toa que no relato bíblico da criação do mundo Deus dá ao homem a tarefa de dar nome aos animais. Dessa forma, não só os animais poderiam ser identificados, mas também o homem seria como Deus, pois ele estaria atribuindo alma e sendo criador também. E, ao negligenciarmos os nomes, estamos negligenciado a alma das coisas, sua essência.

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Um pouco sobre o perfil dos eleitores brasileiros

“Cada povo tem o representante que merece.”

Perfil do eleitor brasileiroAté este momento, tentei manter-me isento na hora de falar de política, pois não queria parecer estar fazendo propaganda política ou defesa, apologia ou ataque a nenhum partido ou ideologia. Quem me conhece, sabe que eu tenho meus pontos de vista, minhas ideologias e minhas preferências partidárias, mas meus leitores não precisam ser induzidos a eles. Eu acredito que as escolhas políticas devem ser pessoais e críticas, por isso só aponto a forma, o contexto e espero que as pessoas saibam escolher.

E qual a importância de se saber escolher? Ao menos, os representantes do executivo irão exercer políticas que influenciarão a todos por quatro anos, tempo suficiente para se fazer um curso superior, por exemplo. Alguns podem não estar nem aí, pensando que ou seu voto não vale para nada ou os candidatos não servem para nada. Então essas pessoas ajudam a se propagar uma má administração pública por pelo menos mais quatro anos.

O pior não são nem essas pessoas, mas aquelas que não sabem votar para o legislativo. Talvez pela forma como as propagandas políticas são feitas, mas parece que ninguém sabe escolher candidato a deputado e senador. Se escolhem, não se lembram depois em quem votou. A importância dada é baixíssima, já que seu candidato, se eleito, compartilhará um espaço com outros 500 deputados eleitos e sua atuação irá depender de acordos partidários ou de força de bancada. Então o eleitor escolhe qualquer um e geralmente, acaba escolhendo ou um número qualquer. Isso mesmo:  deputado vira um simples número que pode ser sorteado aleatoriamente.

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Fale mais sobre isso no Formspring.me

Formspring

Não vou aqui explicar o que é esse serviço, nem detalhar pra que serve. Bom, vou ao menos falar pra que serve, né?

Basicamente, o Formspring.me tenta ser uma nova forma de “rede social” onde pessoas respondem perguntas ou de amigos ou de anônimos. Bem simples, não? Pensando nessa possibilidade, comecei a utilizá-lo para responder perguntas sobre psicologia e o que mais qualquer pessoa quiser saber.

Atualmente existem várias perguntas e respostas sobre psicologia e questões pessoais. Quem só tiver curiosidade, pode visitar minha página lá. E quem quiser fazer uma pergunta, por lá também pode fazê-lo! Assim que eu vejo uma nova pergunta, eu prontamente as respondo. Às vezes demora um pouco porque o serviço de aviso via email do Formspring é um pouco lento. Mas eu respondo a todas as perguntas!

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Uma vez eu sonhei…

Engraçado tudo isso… Acho que é mania de psicólogo.

Mas hoje eu sonhei que estava analisando meus próprios sonhos! Tudo bem que faz tempo que não faço isso, com qualquer sonho… mas sonhar que analisava sonhos? Poxa… vai ser mais direto assim lá longe!

Essa é uma coisa dos sonhos: eles são sempre muito mais diretos do que a gente imagina. O grande problema é que eles tentam falar tudonumacoisasó e daí pode ficar confuso. Tipo, o que é que tem de direto num sonho onde você tem uma barragem virtual na pia da sua cozinha e dentro dessa pia você também tem restos de um carangueijo cozido que é confundido por um frango frito e que precisa ser dedetizado?

O sonho aqui está tentando mostrar muita coisa junta, usando imagens que a gente viu ou pensou recentemente (para facilitar nossa compreensão), mas numa organização própria do sonho… Essa imagem eu realmente tive nesse sonho de hoje. E é engraçado que em um momento essa barragem virtual começou a vazar por pontos equidistantes um do outro, fazendo aquele efeito cascata onde um fio de água vai mais longe do que o outro. Só que normalmente, o fio mais de baixo vai mais longe, só que nessa barragem não! O fio mais próximo à superfície era o que ia mais longe e o mais perto do fundo era o que ficava mais perto…

As leis da física não se aplicam aos sonhos. Eu consigo constantemente (se me lembro disso, é claro), voar nos meus sonhos, é só eu querer… E respirar debaixo d’água também… São coisas que aprendi nos meus sonhos… Mas é a primeira vez que vejo um carangueijo cozido sendo mantido dentro da minha pia da cozinha! Me lembra de uma vez que tirei uma foto de um carangueijo segurando uma coxinha de galinha na casa do meu padrinho… Um carangueijo sendo confundido por um frango frito… E o cara que iria dedetizar a pia desse carangueigo/frango era o motorista da van que nos levou para e nos trouxe de São Paulo para o show dos Engenheiros do Hawaii… Eu fiz uma aposta com ele que se aquilo não fosse frango frito que ele iria deixá-lo lá, mas ele não honrou com a aposta e mesmo assim dedetizou o carangueijo…

Mas por que eu queria esse carangueijo, se eu nem gosto dessas coisas?!

São coisas dos sonhos… são coisas que preciso entender e assimilar, mas que no momento não consigo… alguém tem alguma pista pra me ajudar?

Originalmente publicado em:  01/06/07

A personalidade de uma empresa

Parece estranho falarmos de “personalidade de uma empresa”, mas no fundo é isso que vai diferenciar uma micro e pequena empresa de uma grande empresa. Numa empresa com vários funcionários, o que podemos chamar de personalidade é definida por políticas e decisões tomadas pela diretoria ou pelo presidente e seus conselheiros. Eles vão decidir como, quando, onde, por que e para que agir e tomar decisões, o que vai acabar dando uma “cara” para a empresa.

Já uma numa micro ou pequena empresa, não há espaço para uma diretoria ou um corpo de conselheiros tomarem suas decisões, que cabem primariamente ao empresário ou aos sócios principais. Então podemos dizer que a empresa acaba tendo a “cara” de seu dono ou do chefe. Mas mesmo assim, existem outras influências nessa personalidade.

Imagine uma padaria, onde os sócios cuidam basicamente das finanças e da administração geral. Eles então contraram um padeiro para fazer seus pães e um atendente para preparar os lanches. Esses sócios são eficientes e fazem sua padaria funcionar como um relógio suiço, dando assim a sua personalidade para a empresa. Porém, os clientes não freqüentam a padaria unicamente pela eficiência, mas principalmente pela qualidade dos pães e dos lanches, que são feitos por seus funcionários. Imagine que um desses funcionários tenha que sair da empresa por qualquer motivo e um outro o substitua. O que acontece? A qualidade dos pães e lanches servidos vai mudar, pois quem os prepara é outra pessoa com outras experiências e outras técnicas de preparo. Isso pode atrair mais clientes ou afastar alguns mais tradicionais, mudando assim a cara ou personalidade da empresa.

Numa grande empresa isso é mais difícil de acontecer, já que elas são amparadas por um sistema próprio que garante um padrão na qualidade. Esse mesmo padrão numa pequena empresa é mais difícil de conseguir justamente por seu tamanho. Mas ao invés disso ser um problema, isso pode ser visto como uma qualidade das micro e pequenas empresas!

Quando estamos com pressa e queremos comer rápido, não nos importamos em comprar em uma lanchonete de rede internacional, já que sabemos da rapidez e qualidade do serviço. Porém, quando queremos comer bem, geralmente procuramos as comidas mais tradicionais, feitas em casa, ou em restaurantes. Um pequeno restaurante que promete “comida caseira” é um excelente chamariz para novos clientes, justamente porque sabemos da qualidade das comidas feitas em casa, em pequena escala, em comparação àquelas feitas em larga escala. E essa qualidade pode ser encontrada em um pequeno restaurante.

Quando existem muitos funcionários, existe a necessidade de padronizar a produção, já que muitas cabeças diferentes fazem coisas diferentes. Imagine uma grande malharia onde cada costureira decide fazer do seu jeito. Que cliente vai querer comprar lá, sem saber qual a qualidade daquela peça que vai comprar, já que todas são diferentes? Agora, numa loja de roupas de uma alfaiate, a personalidade do alfaiate é a cara de sua loja.

Podemos então dizer que quanto menor a empresa, mais a personalidade de seus colaboradores vai aparecer. Digo colaboradores, pois isso não depende unicamente dos funcionários, mas também dos clientes e fornecedores. Um pequeno estabelecimento que passa a ser frequentado por um determinado tipo de cliente acaba ganhando a personalidade desses clientes também, algo que não acontecem em grandes estabelecimentos ou grandes lojas.

Na hora de se trabalhar com uma micro ou pequena empresa, essas questões precisam ser levadas em consideração. Caso contrário, corremos o risco de padronizar uma personalidade e não respeitar as diferentes influências que vão construir a empresa.