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O uso dos psicotrópicos e a sociedade

Charlie Brown reflete sobre os efeitos colaterais da felicidade... Os efeitos colaterais dos remédios não são os únicos nem os maiores problemas da medicalização. Na real, são várias as críticas sociais do uso de medicamentos de forma indiscriminada, que nos levam a questionar seu uso até de forma controlada. A final, qual é o nosso objetivo com a prescrição desses remédios? E o que estamos falando com tudo isso?

Primeiro, ao receitar remédios para os nossos sentimentos extremos, estamos dizendo que eles são doenças. Ou seja, nossa tristeza e melancolia profundas é um Transtorno Depressivo Maior, nosso medo de falar em público é um Transtorno de Ansiedade de Fobia Social, nossos momentos de descontrole e euforia é um Episódio Maníaco dentro de um Transtorno Bipolar, os adolescentes isolados em seus mundinhos têm Transtorno de Personalidade Esquizóide e as crianças que adoram brincar e não se interessam nos estudos sofrem de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, o famoso TDAH.

Mas será que é isso mesmo? Será que não estamos mascarando de doenças comportamentos que são simplesmente normais? A final, todos temos o direito de ficarmos tristes, até mesmo de passarmos muito tempo tristes – se o nosso sofrimento for muito grande. E, muitas vezes, para não ficarmos tão tristes, devido a uma exigência social, nos colocamos em uma situação extrema de euforia – que nada mais é do que a resposta a uma demanda social de produção constante.

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Uma breve história dos psicofármacos

Philippe Pinel ordena a retirada das correntes das pacientes internas em Salpêtrière. Clique para ver a imagem maior.Para compreender os efeitos da medicalização, precisamos compreender o que são e de ondem vêm os psicofármacos. Psicofármaco é um nome genérico que se dá a qualquer remédio que possui efeito exclusiva ou principalmente comportamental, um psicotrópico. Mas de onde veio a busca por remédios que têm esse efeito?

Tudo começa no século XIX. Na real, tudo começa antes, mas vamos olhar a partir dos anos de 1800. Nessa época, a ciência se consolidou como a ferramenta da busca da verdade e ela se consolida baseada em um paradigma naturalista e materialista, ou seja, a ciência trabalharia com áreas exclusivamente materiais e naturais, evitando questões filosóficas e espirituais, por exemplo. Isso acaba por fortalecer muitas áreas, como a física, biologia e até a medicina. Mas uma área da medicina não se fortalece tanto assim, a psiquiatria.

A psiquiatria, desde um século antes com Philippe Pinel, é a área da medicina que se preocupa em cuidar dos doentes mentais. Foi com Pinel que problemas relacionados à loucura passou a ser considerada doença, o que para a época foi um grande avanço, pois até então os loucos ou eram vistos como malandros ou como possuídos por demônios. De qualquer forma, eles deveriam ser deixados de lado e não socializados. A psiquiatria começou a reintegrá-los à atenção social, mostrando que a loucura era um problema de saúde.

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