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Psicofármacos, Terapia e o Efeito Placebo

Muito do sucesso da terapia depende de como acreditamos nelaNunca imaginei que um artigo antigo ainda iria retomar tanta discussão. Mas, uma coisa boa daquilo que já foi dito é a possibilidade de revisá-lo e de construir novas ideias e novos argumentos. Tive vários comentários, mas o mais recente me chamou a atenção para outros pontos sobre a relação entre psicofarmacoterapia e psicoterapia que ainda não havia tocado.

O comentário foi da Luciana, que relatou sua história com a depressão e relação com ambos remédio e psicanálise. Ao final, ela conclui que ambos os caminhos são válidos, ao contrário do que defendo – que somente a psicoterapia é suficiente. Seus argumentos são bastante válidos e baseados em sua experiência e, sobre isso, só tenho a dizer que, se funcionou para ela, se esse foi o seu caminho, então ótimo! É difícil encontrarmos o nosso caminho. Mas, lamento informar que isso pouco teve a ver com os remédios tomados e mais a ver com os encontros vividos. Explico. 

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O uso dos psicotrópicos e a sociedade

Charlie Brown reflete sobre os efeitos colaterais da felicidade... Os efeitos colaterais dos remédios não são os únicos nem os maiores problemas da medicalização. Na real, são várias as críticas sociais do uso de medicamentos de forma indiscriminada, que nos levam a questionar seu uso até de forma controlada. A final, qual é o nosso objetivo com a prescrição desses remédios? E o que estamos falando com tudo isso?

Primeiro, ao receitar remédios para os nossos sentimentos extremos, estamos dizendo que eles são doenças. Ou seja, nossa tristeza e melancolia profundas é um Transtorno Depressivo Maior, nosso medo de falar em público é um Transtorno de Ansiedade de Fobia Social, nossos momentos de descontrole e euforia é um Episódio Maníaco dentro de um Transtorno Bipolar, os adolescentes isolados em seus mundinhos têm Transtorno de Personalidade Esquizóide e as crianças que adoram brincar e não se interessam nos estudos sofrem de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, o famoso TDAH.

Mas será que é isso mesmo? Será que não estamos mascarando de doenças comportamentos que são simplesmente normais? A final, todos temos o direito de ficarmos tristes, até mesmo de passarmos muito tempo tristes – se o nosso sofrimento for muito grande. E, muitas vezes, para não ficarmos tão tristes, devido a uma exigência social, nos colocamos em uma situação extrema de euforia – que nada mais é do que a resposta a uma demanda social de produção constante.

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Os efeitos dos medicamentos na vida

Quadro de Van Gogh, ilustra uma pessoa triste Os psicofármacos, como todo remédio possui seus efeitos principais e seus efeitos colaterais. Os remédios antidepressivos possuem como efeitos principais o aumento da sensação de bem-estar e a diminuição de sentimentos relacionados à depressão como desesperança e inutilidade. Ao mesmo tempo, muitos desses remédios possuem efeitos colaterais como boca seca, baixa de apetite, disfunção sexual, insônia ou hipersonia, pensamentos de morte, ideiais e atos suicidas, diminuição do desejo sexual, entre muitos outros. O mais interessante é que muitos desses efeitos colaterais são justamente sintomas e critérios diagnósticos da própria depressão que esse remédio tenta curar!

Mas como separar então esses efeitos? A questão é que não se pode. Tanto os efeitos principais quanto os secundários são efeitos reais dessas drogas. Acontece que os efeitos principais são os desejados e os vendidos, os colaterais são os que o paciente leva de brinde mas ele não quer. Não existe diferença. Alguns médicos irão dizer que esses efeitos colaterais acontecem em casos raros, mas eles esquecem de dizer que muitas vezes os efeitos principais também acontecem com a mesma frequência e muitas vezes somente os efeitos colaterais acontecem e nenhum dos efeitos principais são sentidos.

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Esteróides e outras drogas

Qual a verdade dos esteróides e outras drogas?Recentemente me deparei com um documentário no Youtube sobre esteróides anabolizantes. De cara, o tema não me interessou, pois o universo dos anabolizantes não é próximo ao meu. Porém, percebi que o documentário na realidade se tratava da cultura dos Estados Unidos, que centrava em torno da força e do poder e que os anabolizantes eram somente um fator envolvido. Então resolvi assistir.

E de cara, me deparei com questionamentos não só sobre a supervalorização do corpo perfeito ou dos excessos, mas também sobre a hipocrisia do uso de modificadores ou otimizadores corporais, que eles chamam de “enhancers”. Basicamente, a cultura daquele país – que acaba moldando muito da cultura do nosso também – valoriza o uso de produtos químicos para melhorar ou otimizar o trabalho. Um deles são os anabolizantes. Outros incluem os psicofármacos. E aqui começa o meu verdadeiro interesse.

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Chapeuzinho Vermelho, os Atalhos da Vida e o Lobo Mau

Lobo MauContos de fadas não são só histórias para crianças. Elas trazem noções universais sobre o ser humano e nossa condição de vida que valem para todas as pessoas em todas as épocas e todos os tempos. Não é à toa que grande parte dos contos de fadas sobrevive há séculos entre nós. Não vou entrar aqui no mérito dos “contos de fadas politicamente corretos” – ainda – pois esse não é o nosso foco no momento. O que quero mostrar é o valor que essas histórias – em seu original – têm para nossas vidas.

Os contos trazem, representados em seus personagens, valores e atitudes humanas. Elas trazem noções arquetípicas, ou seja, apresentam padrões de comportamento universais e atemporais. De certa forma, elas funcionam muito como mitos ao fazerem isso (para mais sobre mitos e mitologia, aconselho ouvirem o Papo Lendário).

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