Archives for : sofrimento

Determinismo Biológico, Determinismo Social e o Poker

O poker será utilizado como metáfora, para compreendermos a relação entre biologia e sociedadeSemana passada participei de um Anticast sobre Determinismo Biológico X Determinismo Social onde conversei com um biólogo e um médico que defendiam o determinismo biológico e eu e uma arquiteta – junto com o host, um designer – que defendíamos o determinsimo social. Logo no começo da conversa eu disse que, para provocar mais, iria defender argumentos sobre o determinismo social, apesar de já ter defendido um ponto biológico sobre o comportamento humano logo no início. Devo dizer que meus argumentos não foram bem recebidos, talvez por não serem bem compreendidos. Mas também, para esclarecer, não concordo com a visão dicotomizada que apresentei – por mais que reconheça a necessidade de apreender esses argumentos para melhorarmos as nossas críticas.

A disputa entre essas duas visões é, de fato, complexa e controversa. Não existe nenhuma forma de determinarmos com clareza onde termina a influência da biologia e onde começa a da sociedade quando falamos sobre comportamento humano em suas mais variadas formas. Porém, já escrevi aqui a respeito do tema – ao falar sobre sexualidade – defendendo não um lado biológico ou cultural, mas sim uma perspectiva humana e subjetiva. Diante do debate feito no Anticast (que recomendo que ouçam, se possível), gostaria de retomar a discussão, mas desta vez, gostaria de fazê-lo através de uma metáfora, o poker. 

Continue Reading >>

A Psicologia e os Modelos de Conhecimento: reflexões sobre depressão e farmacologia

Como será que diferentes pensamentos sobre psicologia podem conversar?Devo admitir que a repercusão de algumas ideias vai mais além do que imaginava, mas isso é algo bom! Algumas ideias realmente são difíceis de serem compreendidas e eu trabalho bastante com elas. Por muitas vezes meus alunos demonstram dificuldades em compreender algumas questões diferentes, justamente por partir de modelos de conhecimento que não estamos acostumados. E isso pode trazer vários problemas para a compreensão geral das discussões.

Trabalho com psicologia analítica, psicologia existencial e fenomenologia, além de estudos de fenomenologia da imaginação e estudos do imaginário, o que implicam em uma série de pensamentos e formas de pensar que diferem bastante das formas tradicionais de pensamento e de conhecimento. É isso que me refiro quando falo em um “modelo de conhecimento”. E existem vários modelos diferentes que pegamos de “empréstimo” para servir para a nossa forma de conhecer o mundo. 

Continue Reading >>

Uma breve reflexão sobre a dor e o sofrimento

Será que a dor é inevitável e o sofrimento, opcional?Como se trata de uma breve reflexão sobre a dor e o sofrimento, não vou entrar em grandes detalhes. Caso alguém tenha alguma questão ou pergunta que queira fazer, faça nos comentários que tentarei responder da melhor forma possível!

A diferença entre a dor física e a dor psicológica é gritante. Na dor física, o corpo emite uma série de neurotransmissores responsáveis por aliviar os impulsos nervosos da dor – que tem o objetivo de avisar que algo está errado naquele local e impede que você faça algo pior com ele. Assim, se seu pé doi por conta de uma torção, a dor física fará com que você use menos o pé, permitindo que ele se cure naturalmente, enquanto seu cérebro lança neurotransmissores para aliviar essa sensação. Dependendo da intensidade e frequência da dor física, ela até pode ser prazerosa (por conta desses mesmos neurotransmissores), como o prazer da dor do exercício, por exemplo, ou de uma massagem…

Já a dor psicológica provém de sentimentos profundos, de base não física. Sentimos essa dor também no corpo por conta de processos psicológicos como a memória que nos faz relembrar outros momentos onde sentimos dor e nos faz revivier essa dor. A dor psicológica não está associada a nenhum neurotransmissor de prazer, muito pelo contrário: ela está associada a uma diminuição considerável desses neurotransmissores (tanto é que a diminuição crônica deles é considerado critério diagnóstico de depressão).

Continue Reading >>