Archives for : violência

O Direito de Lutar pelo Direito do Outro, ou como falta empatia entre nós

minoriasNunca antes na história mundial, o problema dos direitos das minorias está tão em voga. Alguns dizem que é por conta das políticas sociais do atual governo. Outras, que é por conta da facilidade de comunicação nos tempos atuais, que permite maior visibilidade daqueles que antes estavam escondidos. Eu acredito mais nessa segunda alternativa, principalmente porque estamos tendo acesso aos dilemas de minorias de países que não possuem as mesmas políticas sociais que nós, como o problema dos refugiados na Europa.

O mais interessante é que ─ independente de qual minoria estamos falando ─ o debate sempre se polariza em dois lados: aqueles que são contra a minoria e aqueles que são à favor da minoria. Do lado dos que são contra, basicamente o argumento é sempre o mesmo: dar mais direitos para as minorias coloca em risco os direitos adquiridos da maioria. E do lado dos que são favoráveis, os argumentos sempre variam em torno do eixo humanitário, de ajuda daqueles que precisam ser ajudados. Mas esses dois lados quase sempre esquecem de perceber quais são as necessidades reais dessa minoria.

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Quem observa os observadores: os rolezinhos e o medo das massas

Encontro de Blogueiros de Curitiba acontecia regularmente em Shopping, com dezenas de pessoas.

Fonte: Jonny Ken Itaya http://www.flickr.com/photos/jonnyken/2435699977/in/photostream/

Organizar encontros no shopping através da internet e de forma periódica: blogueiros de Curitiba já faziam isso em 2009, inclusive com o apoio do shopping em questão que chegou a ampliar o acesso ao Wifi por conta disso, como mostra esta matéria aqui do próprio estabelecimento. E, desde essa época, o mesmo Shopping recebe a visita organizada de grupos vindo da periferia da cidade ouvindo suas músicas preferidas e vestindo suas calças no joelho e pantufas no pé sem muito preconceito… Até hoje é assim, sem grande separação, sem tantos conflitos (só um pouco e só de vez em quando).

Na mesma época inaugurou na cidade um outro shopping que dizia ser o maior centro comercial do sul do Brasil, só que lá, pela proximidade a um grande terminal de ônibus que facilitava a chegada de gente “diferenciada” de mais longe, eles tiveram esse tipo de problema de barrar a entrada desses grupos. A resposta foi uma investigação do Ministério Público que percebeu que vários shoppings faziam algo parecido, por mais que fosse velado.

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Jiddu Krishnamurti e a Revolução

Em tempos de revolução social, acho interessante vermos um outro lado da história. Jiddu Krishnamurti é um psicólogo indiano que revolucionou muito do pensamento oriental e ocidental e é relativamente pouco conhecido por estas bandas. Tentarei aos poucos trazer alguns fragmentos de seus pensamentos, para servir de base para nossas reflexões.

Esta de hoje é sobre a revolução. Estamos tentando acordar para as realidades sociais, para as mudanças políticas e para a revolução do povo, muitas vezes através de atos violentos. Porém, a verdadeira revolução começa com cada um. Somente quando cada um mudar é que poderemos ver a mudança na sociedade.

A verdadeira revolução não é revolução violenta, mas a que se realiza pelo cultivo da integração e da inteligência de entes humanos, os quais, pela influência de suas vidas, promoverão gradualmente radicais transformações na sociedade. --Jiddu Krishnamurti (1895-1986)

Os Bodes Expiatórios e os crimes da sociedade

Culpamos o bode pelos nossos errosOutro dia estava comentando em sala de aula que temos uma cultura do bode expiatório, onde queremos encontrar um culpado pessoal para os problemas da sociedade. Na tradição original do “bode expiatório” na grécia, os pharmakos eram pessoas escolhidas por uma cidade para que elas levassem consigo os crimes e pecados da cidade e eram castigadas com o pior dos castigos da época: o Ostracismo, ou seja, eram banidas da cidade, perdiam a cidadania e nunca mais podiam voltar.

Para entendermos o quão grave era isso para eles, naquela época, vida em cidade era mais importante que vida individual, tanto é que cidades inteiras eram castigadas, como aconteceu com Sodoma e Gomorra, na bíblia ou ainda no mito de Édipo com a cidade de Tebas. Viver sem cidade era viver sem identidade.

Na tradição bíblica, todo pecado – seja ele da cidade ou do indivíduo – precisava ser pago com a morte. Eles resolveram que, ao invés de matar o pecador, essa pessoa sacrificaria um bode que morreria pelo pecado da pessoa e assim o mandamento de que todo pecado seria pago com a morte estava sendo cumprido. O cristianismo modifica isso pois eles aceitam o sacrifício de Jesus como sendo o sacrifício definitivo para todo o pecado do mundo, então a partir daí, ninguém mais precisa morrer por conta do pecado.

Então temos aí um padrão mítico, do mito do bode expiatório, onde uma pessoa acaba se responsabilizando – ou levando a culpa – pelo grupo: uma pessoa pagando pelos crimes e erros de um grupo todo. E, por mais que isso pareça algo de uma mentalidade antiquada, esse é o padrão que eu mais vejo pelo mundo atualmente, o que nos diz que nós temos ainda uma mentalidade antiquada.

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O Outro Lado da Violência

Violência sempre atrai mais violênciaPercebi que tenho escrito vários artigos aqui com o tema da violência, mesmo que de forma indireta. E são justamente esses artigos que têm recebido mais comentários! Coincidentemente – ou não -, meus alunos estão trabalhando com o tema da violência, em seus diversos aspectos. Por isso, preparei um material para passar para eles e acho interessante também passá-lo aqui.

Para começar, gostaria de dizer que o que falarei aqui sobre violência cabe muito bem para falarmos sobre o Bullying e sobre a Homofobia, dois temas amplamente discutidos aqui. Espero também que este artigo sirva para sanar algumas das dúvidas levantadas pelos meus comentadores em alguns desses posts. Infelizmente, não tenho como tratar de todos os pontos individualmente, mas imagino que no decorrer do texto tratarei da maioria deles.

Para começar, gostaria de explicar o título do artigo. “O Outro Lado da Violência” faz referência não só à violência, mas também – e principalmente – ao que está do outro lado: a não-violência. É interessante termos esse olhar, pois geralmente trata-se a violência com mais violência.

Quando trato desse tema, gosto muito de uma frase do célebre Bertolt Brecht que uma vez disse:

Muitos dizem violentas as águas que tudo arrastam, mas não dizem violentas as margens que as reprimem

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Quem observa os observadores: as propagandas negativas

Campanha Paz sem voz é medoFaz um tempo tenho visto propagandas e principalmente campanhas que têm um enfoque negativo. E por enfoque negativo quero dizer que o foco da propaganda ou campanha não é o que deve ser feito, mas o que deve ser evitado. E, de um ponto de vista psicológico, fazer isso é apostar no fracasso, ou seja, não dá certo.

Não quero aqui falar do mérito dessas campanhas, mas sim da forma como elas são feitas. O pior é que sempre que vejo uma delas eu penso comigo mesmo, “mais um esforço disperdiçado e mais dinheiro jogado fora à toa”. Dois grandes exemplos disso são a campanha “Paz sem voz é medo” do grupo GRPCOM e a campanha “190 km/h é crime“, organizada após o acidente protagonizado pelo ex-deputado Fernando Ribas Carli Filho. Até hoje não sei qual foi a eficácia dessas campanhas, mas vou aqui descrever porque elas não dão certo e como poderiam ser para funcionarem.

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